É preciso!

É preciso se permitir sentir

Longe dos olhos e das bocas dos outros

Longe das fisionomias

E da linguagem corporal

Que sem saber dos fatos, julga

 

É preciso olhar para dentro

E de dentro olhar para fora

Ver como só se pode ver

Quando as luzes se apagam

E todo mundo já foi embora

 

É preciso crer na intuição

Ouvir a voz do coração

E sentir-se dono do sim e do não

E pensar não no caminho

Mas no que faz chegar ao futuro

 

É preciso saber o que é preciso

É preciso saber o que é da alma

É preciso saber que o tempo passa

É preciso saber que tudo muda

 

Menos aquilo… Aquilo não…

Aquilo não muda

 

É preciso saber qual é o nosso aquilo

Sorrir… Viver… Ser feliz…

E transformar o aquilo no isso

Pois no fundo

Com o coração desnudo

É do isso

É de tudo isso que se precisa.

Em vão

Vem cá…

Vem me falar

De tudo que você acha

Que não precisa dizer

 

Lembra?

Antes de tudo eu era amigo

Abrigo…

O bom dia

O boa noite

E tudo mais que precisava ser

 

Deixo assim

Nas tuas mãos

O direito de ser feliz –

Ou não!

 

Mas se quiser me falar

Do seu coração

Continuo por aqui

Depende só de você

Confessar-se

Ou deixar o momento ir-se em vão.

Dia do Idoso

Eu vi minha bisa, meus avós e avôs, envelhecendo. Vi meu pai falecer antes de envelhecer. E hoje vejo minha mãe envelhecendo.

Já perdi muita gente boa por conta da idade. Rugas… Marcas das lutas, da coragem, que jamais serão disfarçadas pelo tempo.

E quando falo de coragem, é porque carrego comigo esses exemplos. Os que vieram antes de mim eram corajosos. Eram bravos! Eram luz na minha vida! E na sua humildade, escondiam imenso saber.

Quem me conhece sabe que tenho um fraco (muito forte) por crianças e idosos. Crianças por serem o futuro, e idosos por carregarem o que nem imagino ser o seu passado.

Escolham um idoso qualquer na rua. Reparem bem! Percebam a fragilidade do corpo (na maioria dos casos), mas não os julguem por isso. Cada idoso já tem a sua própria história, e não nego que esse tempo todo na Terra me fascina.

A senhora maltrapilha, talvez já tenha sido madame. O senhor que fala sozinho, talvez já tenha ensinado muita gente a falar. O idoso cadeirante, que não consegue sequer fazer suas necessidades sozinho, talvez já tenha salvo a vida de muitos.

E é por isso que largo o que eu estiver fazendo para ajudar os idosos. Não é só amor; é admiração; é respeito. É o reconhecimento de que correram, pularam, trabalharam, e agora só precisam de uma velhice digna.

Então, eu peço de coração: cuide sempre dos idosos. Mostre para seu filho(a) a importância que tiveram em sua vida. Não os esconda. Não os abandone. Seja por eles o que eles já foram por você.

É certo que há idosos chatos, muitos deles doentes. A gente nunca sabe pelo que já passaram na vida.

E hoje eu estou aqui, diante de TODOS os idosos do mundo, prestando a minha homenagem. Vocês NUNCA serão um fardo. E se Deus quiser, um dia, quando eu for um idoso, que eu seja honrado pelos que vieram antes de mim.

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Cravo & Canela

Reparei nela…

Comecei pela canela

Depois, café com pó de canela

Mais tarde, óleo de canela

E canela em pau

Obviamente

Só pra ela

Posto que eu cravo

Que nela vigorosamente canela.

Meu Anjo da Guarda

Todo meu 19 de Agosto é dia de reflexão. Meu irmão estaria fazendo 42 anos, mas um câncer o levou quando ela tinha apenas 8 anos de idade. Eu tinha 12 na época.

Falar sobre os 2 anos em que ele ficou doente é algo que não me leva a lugar nenhum. Até porque a ida dele para o céu foi uma libertação. Entretanto, a vida continuou para a minha família, e os efeitos da sua morte prematura ficaram em todos nós.

Lembro que no dia que ele faleceu, 10/11/1984, meu pai e minha mãe disseram que “ele tinha ido para o céu”. E eu respondia: “Não. Meu irmão morreu!” Os eufemismos naquele momento eram detestáveis. Eu queria sentir com toda a intensidade a partida de meu irmão. E foi assim que eu fiz.

Nada foi o mesmo depois disso. Meu pai tentava fingia que nada tinha acontecido, e acabou falecendo aos 61 anos, absorto pelas dores da morte de seus filho. Minha mãe, ainda viva (graças a Deus!), foi pelo caminho contrário. Falava da morte dele com desenvoltura e desapego. Entretanto, suas feições nunca esconderam a dor que ela ainda carrega no peito. Não é para menos: mãe é mãe.

Eu? Sinto a presença de meu irmão todos os dias. No dia de hoje, especificamente, fecho para balanço. Sinto que converso com ele de alguma forma, e aproveito o dia para refletir sobre a vida. Também sinto um turbilhão de sensações: morreu ou foi para o céu? Só sei que de fato ele não está por aqui, mas fui pego de surpresa no dia de hoje.

– Pai, é possível que o nosso anjo da guarda mude durante a vida?
– Não sei, minha filha… Não sei… Mas por que a pergunta?
– É que o Tio Felipe é seu anjo da guarda agora.

Ela com 10 anos… Eu com 46. A abracei e chorei em seus ombros. Minha filha me deu hoje um presente que esperei durante muitos e muitos anos. Consegui finalmente acreditar que meu irmão está vivo e de fato no céu.

Obrigado, Senhor Meu Deus, pelo presente que recebi no dia de hoje! Obrigado por ter me dado uma filha tão maravilhosa! E obrigado a você, Felipe Ottolini, por todos esses anos que me guardou. E que tudo continue assim.

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Amo feito uma criança

Todos os dias

Faço escolhas

Dos mais variados tipos

A vida é minha

E as consequências de minhas escolhas

Também

 

Por isso

Ando em busca de sorrisos

Inteiros

Verdadeiros

Em busca de certezas

De atitudes

Não de dúvidas

 

Em busca do que agora sou

E não mais do quem eu era

Em busca do imperecível

Do não descartável

Do que não possa ser apagado

Do que deixa rastros

Do que não se esconda

Do que escolha ficar

Do que nem pense em ir

Do infinito

 

Eis que o pejo da experiência

Cobra e recobra seu preço:

Amo com a pureza de uma criança

Mas viver de brincadeira

Só se for em uma outra vida

Já foi-se

Infelizmente

A minha infância.

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