Ser pai é ser feliz!

Eu vejo muita gente falando da responsabilidade associada à parternidade, que de fato é muito grande. Afinal de contas, você se torna responsável direto por um indivíduo que literalmente precisa de você para viver, para sobreviver. Só que para mim, ser pai é bem mais do que isso: ser pai é ser feliz!

Quando eu vejo a minha filha crescendo, se tornando uma moça, e ainda assim me tendo como referência e me considerando seu grande amigo, tudo faz sentido. Ela é um pedaço de mim que vai adiante e que espero que seja uma melhor versão de mim.

Percebem o poder disso? Não é o poder sobre a criança! Pelo contrário! É o poder de dar poder para a minha filha, de maneira que ela seja independente, confiante e muito, muito feliz. Não é só sobre dizer sim e comprar comida ou roupas. É sobre dizer o não e ser firme na transmissão de valores, idéias e pensamentos. Não é educa-la para ser como eu, mas para que ela tenha todos os mecanismos necessários para se desenvolver e ser um indivíduo único, pleno e consciente de suas capacidades e limitações.

Se isso é fácil? Claro que não! Aliás, é bem difícil. É preciso passar adiante a minha melhor parte. É preciso não errar onde eventualmente meus pais, tentando acertar, erraram comigo. E aí está um ponto chave: eu precisei me conhecer profundamente para melhor lidar com a minha filha, o que equivale a dizer que a minha filha me fez um homem melhor.

E que fique claro que não faço isso pelas luzes da ribalta. Pouco me importa o que acham do que estou fazendo. Já fiz inúmeros sacrifícios por minha filha. Já fui julgado e condenado por esses sacrifícios. Só que isso não importa… Eu sou pai para a minha filha e desde que ela veja em mim um porto seguro, todo e qualquer sacrifício valeu e vale a pena.

Hoje é Dia dos Pais. Dia que eu conquistei e conquisto todos os dias. Minha filha, logo antes de dormir, me desejou um Feliz Dia dos Pais. Não é preciso ganhar um presente ou algo assim. A vida dela é o meu presente e a felicidade dela o meu maior triunfo.

Muito obrigado, minha querida Sophia! Já são 11 anos comemorando essa data! E que Deus me permita comemorar muitas datas como essa com você. Eu me orgulho muito de você e VOCÊ ME FAZ FELIZ.

Presenteador

Desde pequeno, sempre gostei de dar presentes. Gostava mais de dar do que receber. Não sei exatamente o porque, mas sentia e ainda sinto um prazer intenso quando consigo levar um ou mesmo vários sorrisos ao rosto alguém.

Presentes não são necessariamente bens materiais. Podem ser afagos, palavras de conforto, ouvidos atentos, abraços, beijos, etc. Só que com o tempo, percebi que verdadeiramente o maior presente que eu poderia oferecer seria estar de fato presente na vida das pessoas, compartilhando com elas momentos bons, momentos ruins… Compartilhando a vida.

E depois que se passou mais tempo, eu acabei percebendo que não é por ser um presente que necessariamente agrada. Há quem não queira ou não goste dos meus presentes. Há quem os rejeite. Há quem os despreze. Há quem ria deles. E nem por isso deixam de ser presentes. Eu sei o que há no meu coração quando presenteio. Eu sei bem o que quero e sinto quando presenteio, e isso é algo que está sempre em mim.

Confesso que cheguei a questionar essa minha “mania”. E hoje, depois de ter passado mais tempo ainda, percebi que durante a minha vida inteira eu não estava presenteando somente os outros, mas também a mim. Tudo que eu dei de presente eu sempre recebi de volta em dobro, quer seja de forma direta ou indireta, independentemente da reação de quem recebeu os presentes. E assim eu permaneço fiel ao meu propósito. Fiel ao que há de melhor em mim.

De fato, eu nunca dei presentes. Eu sempre me dei, sempre dei parte de mim e sou muito feliz assim. Mais ainda, agradeço a Deus por ter me feito desse jeito. Eu gosto de ser assim.

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Áspera vida

Áspera

À espera

A vida

Quem me dera

Ter-te aqui

Agora

Afinal

Seja como for

Sempre antes

Nunca depois.

Antinomia

Razão versus coração?

 

Eu digo que não!

afinando

Antinomia é o nome de uma tia que se dizia muito racional, e que chegou aos 80 anos dizendo que sempre soube que morreria infeliz. E pouco antes de morrer,  arrependida e com a alma dorida (mas com o ego intacto), disse: “Viram? Eu tinha razão! De nada me fizeram falta as coisas do coração!”

 

Não seja como minha tia. Não chame de antinomia as contradições aparentes ou alguma espécie de medo onipresente que é usado como desculpa consciente para evitar que você seja ou se torne feliz felizmente.

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Deliberadamente

Sou um náufrago

Tu és meu mar

Estou a tua inteira mercê

Que tudo decidas para onde me levar

 

Seja longe ou perto

O destino já é incerto

Sobreviver já seria muito

Viver, então, algo fortuito

 

Não me resta mais nem esperança

Esta é sempre  a primeira que morre

Peço que sejas amável, porém

Enquanto sangue dentro de mim ainda corre

 

Mas estarei feliz

Se dessa vida eu me for

Partirei deliberadamente afogado

Inundado pelo teu amor.

mulher nua chuva

Mil maneiras

Segunda-feira não é dia de reclamar

Sexta-feira não é dia de se entusiasmar

O que vale é o todo dia

O encontrar na rotina

Mil maneiras de ser e viver feliz

Porque felicidade não é coisa que dá e passa.

feliz-felicidade

Em busca do EU perdido

Seu cônjuge gosta de falar palavrão?
Fale também! Por que não?

Seu cônjuge acorda cedo?
Acorde cedo também! Por que não?

Seu cônjuge não come carne?
Não coma carne também! Por que não?

Seu cônjuge não bebe?
Não beba também! Por que não?

Seu cônjuge não tem religião?
Esqueça da sua também! Por que não?

Seu cônjuge não quer ter filhos?
Não os queira também! Por que não?

Seu cônjuge ama o PT?
Ame-o também! Por que não?

Quando A e B se conheceram, A comia carne e B não. Para se aproximar de B, A resolveu parar de comer carne também. Não parou por convicção, por conta de querer proteger os animais ou por achar que faria bem para a saúde. Parou simplesmente para agradar B.

Eu poderia listar um número quase infinito de concessões, em pequeno ou maior grau, que muitos cônjuges fazem para agradar o outro, mas creio que essa lista já é suficiente para ilustrar o meu ponto.

individuo

Quando A e B se apaixonaram, A e B eram pessoas diferentes. Eram INDIVÍDUOS, e por detrás de indivíduos está o conceito de INDIVIDUALIDADE, que não pode ser perdido no casamento ou em uma união estável de qualquer natureza. Por que? Porque no longo prazo não funciona! Simples assim.

Notem que não estou falando de escolhas conscientes e acordadas entre os dois: não vamos viajar esse ano, porque nosso objetivo é ter uma casa própria. Por detrás de uma escolha consciente, o conceio de indivíduo e individualidade permanecem intactos.

Os exemplos que citei, que em um primeiro momento parecem inofensivos, ao longo do tempo fazem com que o indivíduo perca a sua individualidade, e se torne igual ou muito similar ao outro. Muito bom, não é mesmo? NÃO! Isso é absolutamente terrível! Por que? Porque A e B se apaixonaram como indivíduos, e quando essa individualidade se acaba, pode ser que a própria relação se acabe. O motivo é simples: no intuito de agradar ao outro, o que primeiramente uniu o casal simplesmente deixou de existir. A individualidade é um dos princípios de qualquer relação.

Há  três possíveis fins para relacionamentos desse tipo:

1) A e B, quer seja por questões morais que lhes foram passadas ou por qualquer outro motivo, vivem uma vida bem abaixo de sua plenitude. Se confrontados, dirão que fazem isso por suas famílias. Perderam por completo a noção do EU. No fundo, se sentem frustrados de maneira que não conseguem explicar. Culpam o destino, karma, conjunturas políticas e econômicas, etc. Se esqueceram tanto do EU que são incapazes de olhar para dentro!

2) Seguindo o exemplo da carne, A fez todos os tipos de concessão para B no sentido de “ser aceito”, “evitar brigas”, etc. A deixou de ser EU, e portanto esqueceu-se de sua própria felicidade e vontades. E para surpresa de A, B um dia chega para A e diz: “Acabou! Não reconheço mais você! Você não é a pessoa pela qual me apaixonei!” Vira as costas e vai embora. E A, depois de 10 anos ou mais de concessões, sente-se completamente perdido, sem saber o que fazer da vida, e culpando-se por não ter feito mais para que B não fosse embora. Percebem o caso clássico do feitiço virando contra o feiticeiro? Deixando de lado o julgamento do mérito da ruptura, fato é que A vai precisar reencontrar o próprio EU, e enquanto este não for encontrado, viverá relações destrutivas de todos os tipos.

3) Tamém seguindo o exemplo da carne, A fez todos os tipos de concessão para B no sentido de “ser aceito”, “evitar brigas”, etc. A deixou de ser EU, e portanto esqueceu-se de sua própria felicidade e vontades. Entretanto, diferentemente do que foi citado acima, A começa a perceber que deixou de ser EU e angustia-se. Começa a perceber que anulou-se durante anos por conta de um alguém que muitas vezes sequer reconheceu seu valor. Sobe-lhe um sopro de vida que assusta e que é ao mesmo tempo irresistível. E então, A resolve recuperar o tempo perdido, e muitas vezes vê em B o seu algoz, muito embora a responsabilidade sobre sua felicidade seja inteiramente sua. “B, estou indo embora. Eu me anulei por sua conta. Preciso viver!” E B, possivelmente, não vai entender do que se trata. “Como assim? A tem vontades? Devem ser os amigos ou a terapeuta que estão gerando influências negativas! Talvez seja maluca!” Tanto faz… Como o mundo girava no entorno de B, B é incapaz de perceber o que aconteceu com A. B é incapaz de perceber que A também precisava de seu EU.

Notem que essas relações são destrutivas. Quem conscientemente faria escolhas desse tipo? Entretanto, escolhas desse tipo são feitas TODOS OS DIAS, e muitas vezes percebidas apenas depois de longos e penosos anos.

Convido a todos que reflitam sobre suas vidas e sobre suas relações. Somos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade, e com certeza há no mundo pessoas que nos aceitam com todas as nossas qualidades e defeitos. Há pessoas que amam o EU do outro e que desejarão viver eternamente ao lado dele.

Sejamos felizes e plenos!