Agora

Se não sentires vontade de falar comigo quando Morfeu te devolve ao mundo ou mesmo quando ele se prepara para novamente receber-te, vai-te embora.

Se a músicas que ouvimos tantas e tantas vezes juntos não te remete aos inúmeros pequenos e grandes momentos que vivemos juntos, vai-te embora.

Se a calor do sol que esquenta a tua pele não fizer com que te lembres de todas as loucuras que já vivemos na cama (e em outros lugares também), vai-te embora.

Se os aromas e gostos que tanto nos diziam não forem capazes de fazer com sintas frio na barriga ou arrepios na pele, vai-te embora.

Se eu não estiver na lista daqueles que surgem na tua mente quando estás com um problema ou simplesmente porque precisas desabafar, vai-te embora.

Talvez eu implore para que fiques. Vai me doer, vai me fazer sangrar, mas insisto: vai-te embora.

Porque há muito mais no mundo esperando por mim. Eu sei que há, pois já passei por isso antes. Talvez passe por isso novamente. Eu não sei. Só vai-te embora, porque é chegada a minha hora e a nossa hora morreu de inanição.

Mas acima de tudo, vai-te embora, porque não preciso da tua pena. Não preciso da tua misericórdia. Não preciso da tua caridade, porque sei que ainda que eu caia, jamais ficarei no chão. A verdade não é capaz de me matar. Nunca será.

E se assim for, vai-te embora, porque a tua presença impede o milagre do porvir e de tudo que preciso para viver e me sentir vivo.

Eu quero tudo e quero muito. E quero agora, porque eu vivo e sou o agora.

E agora, vai-te embora. Sem demora. Há pressa diante do que a vida ainda tem para mim.

Obrigado por ter despedaçado o meu coração – Fábio Teruel

Está com o coração doendo? Veja esse vídeo.

Você e eu

É lindo tudo que não fomos
Tudo em que não acreditamos
Tudo que nos venceu

Ando pelas ruas relembrando
Muitas vezes sonhando
Com tudo que não nos aconteceu

E o meu castigo, minha pena
É saber que no meu coração
Tudo de fato ocorreu

As lágrimas de sangue em minha face
São a falta do que nem sei se de fato houve:
O início ou o fim de você e eu.

Vim trazer verdades 52

Quando você tenta encontrar amor onde não há mais nada, tenha certeza de que você só vai se machucar. A frieza das frases, as respostas monossilábicas. É duro reconhecer que você morreu na vida e até nas memórias de uma pessoa. Só resta aceitar e evitar qualquer tipo de contato, até mesmo nas memórias e nas histórias. Mesmo que você ainda ame muito, saiba que este amor, que um dia já pode até ter sido dos dois, agora é só seu. Não, a culpa não é do outro. Ele está apenas vivendo a vida dele. Faça isso você também.

Escuridão

Não é de fato um adeus
Aquele que é lamentado em palavras
E chorado em poesias.

Talvez seja o prenúncio
De que um adeus que está por vir,
Mas não é mais do que isso.

O derradeiro adeus é mudo,
Cego e surdo:
É a morte do porvir.

Marcapasso

Todos os dias ao acordar
Travo comigo diálogos intensos:
O que se tornou o que seria?
O que se tornou o que calhou de não ser?

E fito o céu e fito o mar
Na esperança de encontrar
Nos tons de azul e cinza
Nas nossas cinzas espargidas
Algo que o fogo do tempo
Inclemente
Não tenha lambido
Não tenha transformado em pó.

E reconto nossas histórias
Nossos dias de incólume glória
Para uma plateia de Deus comigo
Na esperança de que Ele
Da vida o grande diretor
Mude o final do nosso filme.

Eu já não deveria mais
Pensar em dizer que te amo
E por mais que tudo seja profano
Eu te amo, eu te amo, eu te amo!

Pode ser que eu esteja condenado
Mesmo sendo inculpado
A ter que conviver para sempre
Com esse lancinante dessabor
Com esse inclemente ardor
De sentir ainda o calor da tua pele
E do teu retumbante coração
Que marca os passos do meu.

Mas se for esse o preço –
O preço do que não tem preço –
Ainda assim eu teria escolhido viver
Milímetro por milímetro
Toque por toque
Do que foi e do que restou
Do que para mim nunca acabou.

Vim trazer verdades 46

Ninguém precisa de permissão para ir embora da sua vida. As pessoas simplesmente vão quando acham que devem ir, e para aqueles com o mínimo de dignidade, a decisão do outro deve ser obrigatoriamente respeitada. Quer ir? Vai.

É claro que, nessas horas, a gente tenta se vender como a melhor criatura do mundo: “Você nunca vai encontrar alguém que te ame feito eu!” é uma das mais clássicas (e também uma das mais ridículas). O ponto é: será que as pessoa quer de fato alguém que a ame como você a ama? Desde quando você virou a personificação do amor? Só você sabe amar? E se ela achar a sua maneira de amar um saco?

Fato é que, quando alguém se vai, salvo algum acontecimento agudo (uma traição, por exemplo), a pessoa já estava pensando em ir há tempos, por mais que isso não estivesse claro para você. Por algum motivo, a pessoa já estava achando que não valia mais a pena, e calhou de ser naquele dia d, na hora h. Ela só colocou para fora o que já vinha sentindo. Não há muito a ser feito. Aliás, quanto menos for feito, melhor, mas isso já é assunto para outro texto…

Não adianta tentar argumentar. “Se você for embora, nem adianta me procurar depois!” Você realmente acha que a pessoa está indo embora pensando em te procurar depois? Ela quer mais é nunca mais olhar na sua cara! Pode ser algo transitório, passageiro? Pode. E se não for? Vai ficar esperando para sempre?

A vida é curta. Ao invés de ficar se matando tentando entender o que você fez de errado (quem disse que você fez algo de errado?), o negócio é aceitar a separação numa boa, na certeza de que da mesma maneira que aquela pessoa não te quer, há gente te querendo, muito embora essa seja a última coisa que esteja passando na sua cabeça nesse momento.

Para resumir: não meça o seu valor por conta de quem vai embora. Aceite. Faz parte da vida. Sofra, chore, tome um porre, mas levante-se. A vida continua. O que você tem a oferecer pode não ser o que uma pessoa quer, mas pode ser exatamente o que outra quer. Muitas vezes, é apenas uma questão de perspectiva.

Isso não quer dizer que você não tem o que melhorar enquanto pessoa. Tenho certeza que tem! Todo mundo tem! Por isso, use esse momento para fazer uma análise profunda dos seus erros e acertos durante o relacionamento. É uma oportunidade única de evolução e de aprimoramento pessoal.

A fila anda! Lembre-se sempre disso! E vai que nessa sua evolução, a tal da pessoa que te deixou resolve entrar na fila novamente? E se isso acontecer, apenas saiba que vocês não vão estar voltando. Vão estar recomeçando.

P.S.: Fim é fim! Tudo que vier depois disso é recomeço (novo começo, nada de “mais do mesmo”).

Estranhos

É estranho ver uma estranha
Que já foi tão próxima.
É estranho não saber nada
De quem já se soube tudo.
É estranho sentir essa estranheza,
Essa completa falta de conexão.
É estranho reconhecer as feições,
E ainda assim achar que é um vulto.
É estranho que tudo seja estranho,
Onde o amor já desfilou toda sua grandeza.

É estranho.

Eu, estranho.

Você, estranha.

Nós somos estranhos
E ao mesmo tempo,
Não somos mais nada:
Sequer nos estranhamos.

Todo final é triste

Os copos e os pratos ficaram sobre a mesa, porque voltaríamos para terminar o jantar. Nunca mais voltamos.

A comida, agora fria e fedorenta, terá como destino o lixo. Um desperdício diante da fome do mundo, da nossa fome em particular.

Os finais são sempre tristes. Final feliz talvez seja só a morte, porque este acaba de uma vez com toda e qualquer possibilidade de se conviver com outros finais tristes.

Mas ainda assim a morte é um final triste, porque mesmo a vida mais triste de todas, está permeada de momentos que são felizes. Incríveis. Inesquecíveis.

E talvez o amor seja justamente o espaço entre um final triste e outro. O lugar onde a comida ainda está quente e o vinho ainda não virou vinagre. Tudo no ponto e na temperatura certa. Mesa posta e exposta.

E hoje, quando lembro do nosso final triste, lembro dos momentos de amor que foram felizes. Não foram poucos. Eles eram e existem, e insistem em fazer graça, em me fazer sorrir, ainda que seja um sorriso triste.

E vou seguindo em frente, sendo feliz aqui e ali, torcendo para nunca mais ter que viver um final triste, muito embora eu saiba que essa é uma possibilidade que não existe.