Cinzeiro

Não te assustes, meu bem

Se um dia, ao acordares

Vires o meu lado em nossa cama

Frio e vazio

Fui-me

Precisei ir

 

Sem aviso formal

É fato

Mas vou-me por não me sentir útil

Vi minha vida por teu amor

Por nosso amor

Por nossos planos

Muitos, muitos anos

Ser rasgada a seco

Deixada ao vento

E com fome e frio

Perdida no tempo

Tudo feito e desfeito

Esforço impróprio

Vida pueril

Vida inútil

 

Mas declaro

Que fique claro

Que não sou algoz

E muito menos vítima

Mas eu sou fogo

Sou brasa

O combustível

O comburente

Sou a flecha

E o arqueiro

E não cigarro

Ou mero trago

Ou mesmo cinzas de qualquer cinzeiro

 

Aproveito a oportunidade

Para oferecer-te minhas sinceras desculpas

Não sei exatamente onde errei

Se foi por dar-me como me dei

Ou se foi por sonhar como sonhei

Fato é que agora sei

Que eram meus

E tão somente meus

Os nossos sonhos

E neles nos amávamos

E eu amava

Eu sempre amei

 

E na solidão agora desacompanhada

De minhas horas

Teu nome em minha memória

Saudade que condena e sufoca

Nevoeiro de lágrimas

Que derramam-se em um livro

De uma só página

Um resumo do nosso amor

“Acabou”

Era só fumaça

Mais nada.

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Telefonacionamento

Queria que fosse assim:

Eu não ligo para você

Você não liga para mim

 

E seríamos ligados assim:

Sem telefonemas

Não apenas um contato

Mas para sempre em contato

Conectados de fato

Sem fim.

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Vendo os sinais

E eu vi ali

Naquele passarinho

Que parecia não ter ninho

O que eu queria ser

 

Voar alto

Enxergar longe

Bem além de onde o sol se esconde

Quando chega a hora de dormir

 

E assim, cresci

Voei de mim

E percebi que sou sem fim

Sou sempre recomeço

 

Essas pequenas coisas

Que não tem preço

Dentro do meu coração as aqueço

Sempre as levo comigo

 

Meu passarinho amigo

Mensageiro do infinito

És o universo ouvindo meu grito

O amor florescendo do meu avesso.

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Pôr do Sol

Sentar ao meu lado

Que eu saiba

Nunca foi pecado

Para falar de poesia

De fotografia

Da vida

Do dia-a-dia

Ou para ficarmos calados

 

Nunca nos faltou assunto

Nunca

E mesmo assim esse silêncio

Essa distância

Essa falta de abundância

Do básico

Algo quase afásico

Algo que não é nosso

Essa coisa, esse troço

Nunca foi assim

 

Ainda me flagro

Conversando com seu cheiro

Com seu toque

E acredite…

Quando me toca

Ainda sinto aquele choque

É como se fosse ontem…

É como se fosse…

É como se não tivesse fim

 

E nada há de apagar

O que foi sentido

O que foi falado

O que foi ouvido

O que foi feito e desfeito

Com a sensação platônica

Do mais que perfeito

 

Não é pretério

Ou finada

A falta que trago meu peito

Como se fosse ontem…

Como se fosse…

E se fosse, seria

Mais do que já é

Mais do que sempre

Renascida

Sobrevivida

A cada sol poente.

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Dicas para acabar com um relacionamento

Essas dicas são infalíveis! Se funcionarão em 6 meses ou em 10 anos, não tenho como dizer. Entretanto, é fato que funcionam. Basta seguir rigorosamente os passos abaixo.

  1. Não faça planos para o futuro, e se os fizer, não só não os cumpra como negue que os fez.
  2. Não assuma nenhuma responsabilidade diante dos problemas do relacionamento. Culpe sempre o outro. Mostre-se sempre como um ser perfeito, angelical.
  3. Mantenha o clima tenso. Mostre descontentamento. Bata portas, jogue coisas dentro da pia, pragueje. Faça o seu companheiro perguntar o que está acontecendo e, agressivamente, diga “NADA!!!”.
  4. Envolva a família em discussões do casal. Quanto mais membros da famíla, melhor. Envolver os filhos e até mesmo os vizinhos também ajuda muito.
  5. Fale mal do seu companheiro(a) em todos os eventos sociais que frequentarem juntos. De preferência, toque em assuntos sensíveis que você prometeu que seriam “guardados a sete chaves”.
  6. Nunca demonstre satisfação ao comparecer a um evento proposto pelo seu companheiro(a). Venda isso caro, e deixe claro que se tratou de um grande sacrifício.
  7. Diga que seu companheiro(a) tem vários(as) amantes. Diga sempre. Diga, principalmente, se não tiver prova alguma.
  8. Faça pouco caso do que seu companheiro(a) gosta. Diga que é coisa para pessoas com problemas mentais. Diga isso também para os amigos dele(a) que tiverem gostos similares.
  9. Faça pouco caso dos problemas de seu companheiro(a). Demonstre preocupação apenas quando o assunto puder afetar, de maneira indireta ou direta, o seu bolso.
  10. Mime seus filhos ao ponto de torna-los insuportáveis. Faça a caveira do seu companheiro(a) para eles.
  11. Cante músicas que ele(a) não goste. Quanto menos ele(a) gostar da música, mais alto ela deve ser cantada, principalmente se forem funks do estilo “Tá tranquilo, tá favorável”.
  12. Arrume apelidos constrangedores para o seu companheiro(a). Repita-os com frequência. Em casa, na frente dos outros, e principalmente diante dos amigos do trabalho dele(a) ou de pessoas que ele(a) acabou de conhecer.
  13. Peça desculpas por coisas desagradáveis que você tenha feito, e repita a coisa desagradável tão logo seja possível. Faça disso uma rotina.
  14. Prometa que vai fazer algo amanhã pela manhã, esqueça-se, e se irrite quando for cobrado(a) seis meses depois dizendo que “não é empregado(a) de ninguém”.
  15. Fale palavrões! MUITOS! Bem alto! Principalmente se houver filhos na relação e se morar em um prédio, onde os vizinhos podem ouvir tudo com facilidade. Use termos que sejam constrangedores ao extremo.
  16. Mesmo tendo Netflix ou TV por assinatura, insista em programas como o Esquenta, Faustão, etc.
  17. Não respeite, em hipótese alguma, a religião de seu companheiro(a). De preferência, diga que é coisa do capeta, e convide a sua família para doutrina-lo.
  18. Tome porres, vomite e se urine na frente do seu companheiro(a). Vá parar no hospital. Prometa que não vai mais beber e tome vários outros porres logo em seguida.
  19. Se você for mulher, tente ser o macho da relação. Coce o saco, mesmo que não o tenha.
  20. Prometa acordar cedo para resolver algo inadiável, que traria benefícios para os dois, e acorde seis horas depois do horário previsto.
  21. Interrompa toda e qualquer conversa séria que seu companheiro(a) queira ter com você. Que fique claro: interrompa para falar de algo sem nenhum tipo de importância e nunca, em hipótese alguma, faça contato visual durante as conversas.
  22. Não tenha nenhuma rotina e/ou disciplina. Faça tudo quando e onde tiver vontade.
  23. Reclame do que não tem, principalmente quando for algo bem fútil, e ignore tudo o que tem. Faça isso, principalmente, se não contribuir para o orçamento doméstico.
  24. Compre coisas desnecessárias e critique o outro quando o dinheiro for gasto com coisas necessárias ou que o agradem.
  25. Reclame de presentes recebidos e até mesmo de flores, quer seja por não ter gostado ou por ter achado o preço absurdo.
  26. Deixe-o(a) esperando sempre que possível. Um atraso de pelo menos uma hora é recomendável.
  27. Faça com que seu companheiro(a) tenha certeza de que você não é prioridade na vida dele(a). Sempre que possível, priorize a família, os amigos, os pets, os vizinhos, televisão, etc.
  28. Mantenha contato frequente com amigos sem conteúdo e sem nada para acrescentar na vida do casal. De preferência, cerque-se de amigos que invejam o que você tem, e que apoiam todos os comentários negativos que você faz a respeito do seu companheiro(a).
  29. Alterne seu humor várias vezes durante o dia, resgatando situações do passado que claramente irritam o seu companheiro(a). De preferência, mantenha o rosto fechado diante dele(a) e sorria, falando com muito carinho, quando alguém de sua família ou amigos telefonarem.
  30. E por último, só para a lista não ficar muito longa, trate mal a família dele(a) e cobre entendimento para com a sua família.

Essa lista poderia não tem fim, mas espero que esteja claro que o objetivo é acabar com o relacionamento e no final fingir que não sabe ao certo o que deu errado. A culpa será sempre do outro, claro.

Você teria alguma dica a acrescentar? Por favor! Os comentários estão aí para isso! 🙂

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Ávida vida

A culpa nunca é minha

É da vida

Não é das escolhas que fiz

Ou das que não fiz

É da vida

 

Não trabalho com o que gosto?

É a vida

Deixei passar meu grande amor?

É a vida

Estou fora de forma?

É a vida

 

E de fato a vida não se importa

Com o que penso dela

Do que a culpo

Porque ela é, de fato e de direito

A vida

 

Tão poderosa, maleável

Ao ponto de ser o que eu quero

O que eu permito que ela seja

Mesmo que eu só me dê conta disso

Quando estiver perto do fim

Ou bem longe do começo

 

E nesse darradeiro momento

Creio que não me servirá de consolo

Ou amenizará meu sofrimento

Culpar a vida pela vida

Que não vivi.

 

Foi-se

Perdeu-se

A culpa toda é só minha

Faltou avidez

Na minha vida.

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