Dona das flores

Tu és dona das flores

Que trazes quando chegas

E que deixas quando vais.

És o jardim onde quero ser sepultado,

O cálice que faz-me vivo,

E tudo de melhor que tenho desfrutado.

Tu és a dona das flores,

Que rega-me sem pudores,

E até em teus espinhos

Não sangro: me curo.

Tu és a dona das flores,

Que explodem em uma miríade as cores

No meu coração, na minha alma,

Na terra que ofereço fecunda

Para nossos brotos ainda por nascer.

Rosas Brancas

Eu exagerava
Nas palavras que te dizia,
Em como te descrevia,
Mas havia um motivo:
Tudo relativo a ti
Era em mim exagerado.

Cada despedida,
Uma morte.
Cada abraço,
Uma ressurreição.

Tu eras um exagero em minha vida,
Daqueles que nunca são suficientes,
Que nunca são o bastante.
E ao mesmo tempo não eras vício,
Mas sim uma opção,
Que eu fazia e refazia,
Todos os dias.

As minhas intenções
E mesmo limitações,
Eram muitas e claras,
Porque eram óbvias
E eram a minha maneira
De dizer que eu –
Todo o meu eu –
Era todo teu.

Amei-te por amar-te,
Sem pensar ou teorizar,
Porque amando-te,
Descobri-me, despi-me,
Como nunca havia feito antes.

E hoje,
Nas andanças do tempo,
Todos os dias,
Guardo-te nos exageros
Também presentes
Nos jardins de minhas memórias,
Onde só brotam rosas brancas.

Em boa companhia

Ao andar sozinho

Percebi detalhes do caminho

Fui capaz de ouvir meus passos

Observar minha respiração

E o ritmo do meu coração:

Eu me senti

 

Ao andar sozinho

Passei por flores e espinhos

Becos, avenidas e praças

Do chão batido ao asfalto

Do sapê ao concreto, do aço à lata:

Eu senti o mundo

 

Ao andar sozinho

Provei todas as cores e temperos

Beijos e abraços intensos, insossos e acesos

Camas desarrumadas e fartura sobre as mesas

Tudo passageiro com retrogosto definitivo:

Eu senti o passar do tempo

 

Ao andar sozinho

Nada controlei ou antecipei

Nada esperei e muito recebi

E com o peito inundado pela esperança

Tornei-me da minha vida autor e protagonista:

Eu me reconheci.

Hão de florir

Na estrada
Que leva ao nada
Encontrei-te
A seguir

Na estrada
Que leva ao nada
Encontrei-te
E precisei partir

É porque preciso
Chegar
Ser
E estar
E na estrada
Que leva ao nada
Não posso existir

Mas se quiseres
Chegar
Ser
E estar
Abandona a estrada –
A mesma que leva ao nada –
E outros caminhos hão de florir.

Vim trazer verdades 5

Deixar de fazer algo por culpa ou medo é o equivalente a se negar a apreciar as flores por conta de eventuais espinhos. No fim, você fica sem as flores e sem os espinhos… Aliás, que espinhos? Quem disse que havia espinhos? O medo e a culpa são ótimos em criar problemas onde eles não existem.

De flor em flor

Desejando o bem

Sigo meus caminhos

E ainda que toda e cada rosa

Tenha seus espinhos

Gotas de sangue –

Imperceptíveis! –

Escorrem de meus dedos sem dor

 

Mas o perfume da flor

Ah! Esse sim é como o amor!

Maior do que tudo –

E ainda mesmo que seja tudo –

É único de flor em flor.

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Meu jardim

Nem sempre recebi de volta

As flores que gentilmente

E com muito amor

Ofereci

 

Mas a questão não é essa

E falo disso com um sorriso aberto

E sem pressa:

Eu preciso oferecer flores

Pois a minha vida é um imenso e inesgotável jardim

E nele planto amores

E colho flores

As mais lindas

As mais diversas

Pois são amores

À beça.

Árvore da vida

Fui ali

Colher os frutos de nossas promessas

Do que prometemos sem prometer

 

Vi a árvore majestosa que plantamos

Mais viva do que nunca

Flores, frutos a nascer

 

E que perfume!

Inebriante, pujante

Dilacerante processo de renascer

 

Frio na barriga

Causa para lá de resolvida

Embora se insista no sobrestamento do viver

 

Sim, a árvore da vida

Cura todas as feridas da lida

É o Norte para onde tudo há de correr

 

E seus frutos

Impávidos, atemporais e resolutos

São a razão e o motivo da própria existência do ser.

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Não foram só beijos

Havia uma pequena escada

Bem ali, no meio do nada

E nela sonhos se fizeram sonhos

Não mais só nossos

Mas de quem por lá passava

 

Era evidente

Contundente

Surpreendente

Deliciosamente nosso…

Teu e meu –

Do universo também! –

Em ínfimas frações de duas vidas inteiras

De tudo aconteceu

 

Eternizou-se

Perfumou o mundo de alegria

Transformou tudo em flores

Inspirou outros com seus amores

Criou novas cores e sabores

Insuflou até os mais tímidos corações

Cobriu de amor e salvou vidas

 

Havia uma pequena escada

E para nós ela só mostrava

Como podem ser inesquecíveis

Esses pequenos momentos incríveis

De duas almas completamente enamoradas.

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Feliz Dia dos Namorados!

Ame

Seja amado

Deseje

Seja desejado

Sonhe

Seja sonhado

 

Declare-se

Entregue-se

Mostre-se

Seja presença

Seja a diferença

Seja mais do que bombons e flores

Seja mais que outros amores

 

Faça a diferença na vida de alguém

Seja mais do que alguém para esse alguém

Seja o agente da mudança

Vincule-se e crie laços

Seja muito mais do que beijos e abraços

Seja o colo reparador

Quando chegar o cansaço

 

Está sozinho?

Namore-se!

Descubra-se!

Há milhões de motivos para você ser amado

Você não foi esquecido…

Só está sendo poupado

Lembre-se sempre:

Antes só do que mal acompanhado.

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