Em chamas

Já caminhei sobre brasas

Nunca me queimei

É que tenho invisíveis asas

 

Mentira!

As brasas é que não sabem

Eu sou labareda

Eu sou chama

 

Pior…

 

Sou a chama que não se apaga

A chama que te chama.

chAMA-da-VIDA

Muito sinto

Fosse só mais uma, mas é a uma

Será que disso se esqueceu?

 

Fala como se fosse substituível, esquecível

Quem lhe deu esse direito?

 

Repete o que eu disse sem me deixar esclarecer

Isso gera algum proveito?

 

Abusa, confusa, e rotula de devaneio, de surreal

E não é real o clamor de nossas almas e o fogo em nosso peito?

 

Fala coisas lindas, indescritíveis, do fundo de seu coração

Imagina a saudade que assola meu leito?

 

E eis que fico em silêncio –

Não por querê-lo –

Mas por receio

De dar qualquer palpite

 

De alguma forma

Parece que tudo que eu pense

Tudo que eu diga ou faça

Pode ser usado contra mim

(até esse próprio texto!)

 

E eis que fico em silêncio

Mas sinto – e como sinto!

A sua ausência, a sua presença distante

E uma saudade tão grande que não cabe em mim.

dia-da-saudade-frases-7

A uma

Ela é aquela, a uma
Que surgiu do nada
E não deixou nada de pé

Ela é a amálgama das minhas facetas
Que eu sequer sabia que existiam
E assim se fez em mim o que é

Ela é o sol e a lua que não nascem ou se põe
Que me ilumina e irradia – de noite, de dia!
É a luz do meu antes displicente ser

Ela é o horizonte que vejo e tenho como certo
Meu ponto de chegada e partida
Em paz comigo mesmo, fez-me renascer

Ela é aquela que me desafia, que critica
Que me faz ter certeza das incertezas
Que me ouve, que não permite que eu me sinta mudo

Ela é aquela que por onde passa
Muda conceitos, corolários, opiniões
E mudou por completo minha visão de mundo

Ela é aquela sem definição
Uma projeção perfeita de mim mesmo
De tudo que mais ardentemente desejo e prezo

Ela é o resultado direto e correto
De longas súplicas que fiz a Deus
E por ela, em reverencial silêncio e de joelhos, eu rezo

Ela é despertares suados de sonhos aflitos
Paisagens paradisíacas e amontoados de livros
É a minha natureza mais abissalmente profunda

Ela é o tudo que dilacera o nada
É o que quiser e o que desejar ser quando quiser
E a sua presença simplesmente transborda, inunda

Ela é a primeira e a última dose
Afrodisíaco dentro e fora de quatro paredes
Real e absolutamente despudorada quimera

Ela é a força que eu não tenho
Não por acaso faço até o impossível
Para ter-me em suas mãos – quem me dera!

Ela é o choro do eu menino assustado
Que se cala com um abraço, com um beijo
E que em seguida sorri com a pureza de uma irresistível criança

Ela é a minha escolhida – impossível resistir a isto!
Por esses e tantos outros motivos
Derradeira bem-aventurada bem-aventurança

Sim, ela é a uma que eu não previa
Aquela que eu sempre quis ter
Sem saber que como ela algo parecido existia
Infinitas possibilidades me fez conhecer

E hoje, agradecido, entorpecido
Torço para que a uma que pela minha vida caminha
Aceite-me para sempre em seus ouvidos
Ouvindo-me dizer: “É minha! É minha!”

E que a uma, de alguma forma
Veja nesse homem para lá de comum
Que mesmo ela sendo a uma
Eu não sou apenas mais um.

A uma, eu sou seu um.

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