Anteparo

Parece que cresce
Que remexe, que tece
Que cria raízes
Mas é fotografia
De álbum antigo
De melancolia

Só que é tão presente
Que quando ausente
Não deixa nem respirar
E quando presente
Faz o não coerente
Para a razão se ausentar

Talvez seja eterno
O jeito mais que doce
De não falar de amor
De um amor tão calado,
Que berra pecados,
Que urra e canta…

A beleza de amar
O que o torpe destino
Não quis coroar
Pois nem coroa apresenta
E seu cetro só ostenta
Lágrimas de um trovador

E nesse império
De luxúria e mistério
Rego com lágrimas o que plantei
Um sopro de vida
Uma divina rotina
De carinhos não meus

Quem sabe outra chance
Outro dia, outro lance,
Com a sorte desnuda
Feito meu peito rasgado
Pelos lábios molhados
Que eu afirmo: são meus.

Que sirva de aviso –
Não há prejuízo
Em amar até morrer
Pois até no desamparo
O amor é o anteparo
Dos males do eu.

coracaopaixao

Pôr do Sol

Sentar ao meu lado

Que eu saiba

Nunca foi pecado

Para falar de poesia

De fotografia

Da vida

Do dia-a-dia

Ou para ficarmos calados

 

Nunca nos faltou assunto

Nunca

E mesmo assim esse silêncio

Essa distância

Essa falta de abundância

Do básico

Algo quase afásico

Algo que não é nosso

Essa coisa, esse troço

Nunca foi assim

 

Ainda me flagro

Conversando com seu cheiro

Com seu toque

E acredite…

Quando me toca

Ainda sinto aquele choque

É como se fosse ontem…

É como se fosse…

É como se não tivesse fim

 

E nada há de apagar

O que foi sentido

O que foi falado

O que foi ouvido

O que foi feito e desfeito

Com a sensação platônica

Do mais que perfeito

 

Não é pretério

Ou finada

A falta que trago meu peito

Como se fosse ontem…

Como se fosse…

E se fosse, seria

Mais do que já é

Mais do que sempre

Renascida

Sobrevivida

A cada sol poente.

57

Save

Por que a foto, meu bem?

Seria, talvez, só atração
E virou milhões de beijos
Abriu portas para todos os desejos
Presságios do porvir.

Seria, talvez, algo morno
E virou uma arrebatadora paixão
Corpos em perfeita harmonização
Calor suficiente para os fundir.

Seria, talvez, só isso
E virou um grande amor
Encontro de almas arrebatador
Capaz de todo mal coibir.

Seria, talvez, algo temporário
E virou apoteótico casamento
Já não dependem da direção do vento
Para saberem para onde devem ir.

“E para que a foto, meu bem?”

“É para que no futuro,
Quando estivermos confusos,
Em cima do muro,
Sempre nos lembremos
Do que nos trouxe até aqui.”

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P.S.: Não conheço nem a Gabriela e nem o Felipe (o casal da foto), mas conheço a minha prima Carol Ottolini, autora dessa e de muitas outras fotos. Nem gosto de chama-la de fotógrafa profissional… Ela é mais que isso. Prefiro chama-la de artista. E o que ela capta pelas suas lentes, de fato se eterniza.

Tudo de bom para a Gabriela e o Felipe!!!