Eu vou respeitar o meu coração

Eu vou respeitar o meu coração
Em qualquer situação
Em todo momento
Durante todo o tempo
Até a última hora

Nem sempre o entendo
Mas sempre o respeito
Para ele não ir embora

Guardo dentro dele coisas gigantes
Tesouros incalculáveis:
Sonhos
Pessoas
Futuro
Presente
Passado

Um pouco de tudo
Até mesmo do nada
Mas nenhum centavo
Nada do que me pode
Ser tirado

E há momentos
Em que ele não cabe dentro de mim
E foge pelas minhas mãos
Feito pichador
Que nas paredes do meu mundo
Liberta-me pintando poesias

Talvez as coisas andem
Um pouco desarrumadas
Mas nele está
Tudo que deveria estar

E quando ele se agita –
E sempre se agita –
Desarruma-me
Mas é justamente desarrumado
Completamente desarrumado
Que me sinto mais vivo
Mais no rumo
Seja lá qual rumo for

Eu já quis ter o poder
De decidir o que nele ficaria
Ou o que nele eu colocaria
Quanta hipocrisia!

Mas não…
É melhor não…
Ele tem vida própria
E eu só tenho o que chamam de razão.

Há tanta coisa acontecendo

Há tanta coisa acontecendo
E eu aqui convencendo meus desejos
A desejar quem de fato me deseja
A não andar na contramão

Há tanta coisa acontecendo
E eu receando novos beijos
Que outrora já foram meus
Que deixei na mais pura escuridão

Há tanta coisa acontecendo
E eu diante do meu espelho
Olhando dentro de mim mesmo
Dizendo não ao sim e sim ao não

Há tanta coisa acontecendo
Os convite que finjo que não recebo
Que estão ao toque dos meus dedos
Que abrandariam toda sofreguidão

Há tanta coisa acontecendo…

Eu estou acontecendo
Crescendo e me fortalecendo
Libertando-me do passado
Por respeito a mim mesmo
E ao que de mais sagrado tenho:
Meu sincero coração.

Sejamos crianças para sempre!

Na medida em que vamos ficando adultos, nossa visão muitas vezes se turva. Que nós sejamos para sempre feito as crianças dessa foto, e que nossa conexão com o outro seja sempre no nível da alma.

Mil sóis

Sinto a tua presença em tudo
No todo
Nas partes

Não caminho mais sozinho
E nem caminho para esquecer
Porque tudo que sei fazer é lembrar

Vivo silêncios ruidosos
De onde brotam infinitas declarações de amor
Desejos e vontades reiteradamente confessos
Saudades que não são doridas
Vida que é viva
E que me faz acreditar
Que minha própria vida
Ficou de pé e pôs-se a andar
A correr
A voar!

Não mais me anseia o futuro –
Estou ocupado demais com o presente –
Estrepitando sentimentos dormentes
Permitindo-me sentir e ir
Sem receio
Sem medo
Imerso em mim
Ardendo feito mil sóis.

Feito um bom vinho

Que o brinde distante
Se torne apenas
Mais um motivo
Para brindarmos ao vivo
Pelo que achávamos
Que tínhamos
Pelo que achávamos
Que não precisávamos

Tempos difíceis
Corações tristes
Almas amoadas…

Mas eu estou aí
Tu estás aqui
Não percebes?
É tudo temporário

E talvez seja esse
O grande detalhe:
Tudo é temporário
Nada é de fato nosso
Mas o que sentimos
É do mundo
É o próprio mundo
É a nossa vida
É a nossa coragem

E que nossos corações –
Ora desnudos –
Encontrem-se em sonhos
E que acordemos risonhos
Com menos dúvidas
E com algumas –
Ainda que poucas –
Certezas
Que espantem as tristezas
Feito fartos goles
De um bom vinho.

Duvidando

Não escrevo para ler
E lembrar no futuro
Escrevo para esquecer
Do agora
No agora

Cada gota de tinta
Cada rima
Cada verso
Cada estrofe
Fazem-me esquecer

Tudo é desabafo
Descarrego

Coisas que quis dizer
E não pude
Coisas que tentei entender
E não consegui
Coisas minhas –
Só minhas –
Palavras sobre mim
Palavras por mim

E no futuro
Ao reler o que escrevi
Tudo parecerá estranho –
Porque de mim
Serei um estranho –
Perdido
Nas minhas próprias memórias
Duvidando do meu passado
Por tê-lo documentado
E ainda assim
Não mais o sentir.

Pigarro

Estive pensando
Em mim
Em você
Em nós
Nos nós
Na garganta –
Pigarro –
Difíceis
De engolir

Coisa pouca
Eu e você
Queijos e vinhos
Nenhuma roupa
Nenhuma pretensão
Mais nada
Mais ninguém

Eu estou bem

O dulçor
E o amargor
Da saudade
Me guarnecem
Me aquecem
Feito prece
O resto
É o resto
É o momento
No tempo
Em deixar
Por decidir.


Cantando alguma canção

Meus sonhos são grandes demais

Para ficarem em compasso de espera

Anestesiados e iludidos

Por desculpas que não são minhas

E por problemas que não são meus

 

Sinto que perdi parte de minha vida

Sendo empático, pouco prático

Fingindo não ver o óbvio

Com receio de admitir o engano

E simplesmente seguir em frente

 

Havia sempre aquela coisa do

“Não é possível! Não é possível!”

E ferido, cansado e atônito

Buscava por alguma explicação

Dessas que nunca se recebe

 

A vida é como é

As pessoas são como são

O erro não é querer muito

Mas esperar muito do nada

E achar que o nada é tudo

 

É preciso coragem para admitir

Que foram feitas apostas erradas

E que em um jogo de cartas marcadas

Quem joga honestamente

Não tem a menor chance de vencer

 

Felizmente, acaba por chegar o cansaço

E as fichas invariavelmente caem –

Não há como delas fugir –

Aliás, fugir não é necessário

É imperativo deixar a verdade emergir

 

Quando se diz não para a mentira conveniente

As palavras se tornam só palavras

Palavras feitas de nada

Não mais é preciso que façam sentido

A necessidade de seu entendimento se cala

 

A vida segue em frente

E há na frente melhores dias

Dias de verdade, sem súplicas

Dias sem a necessidade de clamar

Pelas coisas simples do coração

 

E sim, eu aprendi a lição

E ao invés de nadar em raiva

Sou puro amor e perdão

É nisso que sou melhor nessa vida

E sigo em frente cantando alguma canção.

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Todos os sonhos do mundo

Sigo de cabeça erguida

Ainda que não saiba exatamente

Para onde vou

 

É que tenho certezas tão grandes

E crenças tão absurdas

Que não posso me dar ao luxo

De ignorar tudo que eu já sei

E permanecer onde estou

 

Há um senso de urgência

Um furor poético e fático

Uma necessidade de vida

Que nunca antes experimentei

 

É que me dei conta

Que hoje pode ser

Meu último dia –

Eu simplesmente não sei!

 

E problemas que vi tão grandes

Se tornaram menores

Barreiras intransponíveis

Desmoronaram

E tudo porque eu decidi

Que de agora em diante

Tudo vai ser assim:

Não mais sobre o que eu perdi –

Ou nunca tive –

Mas sobre o que pode estar adiante

No quebrar  da esquina

Logo ali

 

Podem até chamar de egoísmo –

Não me importo! –

Mas de agora em diante

Eu vou mesmo é pensar mais em mim.

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