A (falta de) lógica das massas bolsonaristas

A lógica das massas bolsonaristas é perversa e agressiva para qualquer pessoa com um QI mediano.

A mesma pessoa que diz que não há pandemia, diz que o vírus é chinês. Essa mesma pessoa diz ainda que a cloroquina é a cura. Sim, a cura para a doença que não existe. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que reclama do “médico da emissora” convocando as pessoas para serem mesárias, dando a entender que se importa com o distanciamento social, culpa prefeitos e governadores por conta das restrições impostas para atingir esse objetivo. E mais… Finge não saber que o Bolsonaro sempre foi abertamente contra o distanciamento social. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que culpa o Mandetta por no início da pandemia dizer para as pessoas só irem para o hospital em caso de falta de ar, finge não saber que o nosso sistema de saúde é e continua sendo extremamente precário, e que a contaminação seria muito maior se toda e qualquer pessoa com eventuais sintomas de uma doença desconhecida fosse parar nos hospitais. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que cobra rigor no combate à corrupção, assiste em silêncio ao desmonte da Lava Jato e não se incomoda, de forma alguma, com os eventuais ilícitos cometidos pelo PR e sua família, além do uso indevido da PGR e da AGU como escritório de advocacia. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que achincalha a Camila Pitanga e seu filho diante de eventuais fraudes nos exames que os diagnosticaram com malária, insiste na confidencialidade médico/paciente quando o paciente é o Bolsonaro. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que aplaudiu o veto do aumento do funcionalismo público federal, se calou quando os militares, que nada mais são do que funcionários públicos federais, receberam aumento. Querem mais um pouco?

A mesma pessoa que fala de ditadura do STF no caso da Saúde especificamente, jamais abriu a CF e leu os Art. 196, 197, 198, 199 e 200. Culpa o STF por não deixar o Bolsonaro agir, sendo que o próprio PR jamais quis agir, até mesmo por conta de não reconhecer a existência da doença e muito menos da pandemia, ao ponto de ser capaz de deixar o Ministério da Saúde nas mãos de um “interino permanente” sem nenhuma experiência para ocupar o cargo. Querem mais um pouco?

Já chega. São tantas inconsistências… Dá até cansaço falar sobre cada uma delas.

Tenham honra! Tenham dignidade, bolsonaristas! Vocês são relativistas sem nenhum compromisso moral com o que falam, muito menos com a verdade. Falam porque falam. Falam porque não pensam sobre o que falam. Falam porque são gado. Nada além de gado. Repetem… Repetem… Repetem… Foram adestrados, e são ocos e cansativos.

P.S.: Não pense que as pessoas não percebem o seu nível de idiotia. Elas percebem. Só querem preservar a amizade ou laços familiares. Não tenha dúvida, entretanto, que seu problema cognitivo ou desvio de caráter foi devidamente notado.

Duvide sempre!

“Em muitas pessoas a palavra antecede o pensamento, sabem apenas o que pensam depois de terem ouvido o que dizem.” – Gustav Le Bon

Estranho, não? Se é justamente no cérebro que residem as idéias e todo o emaranhado de estruturas necessárias para a articula-las, como podem algumas pessoas se ouvirem apenas depois de falarem? Não é minha especialidade, mas tenho visto este tipo de fenômeno com cada vez mais frequência. Pessoas que falam sem se dar conta do que estão falando, e pior: sem se darem conta das implicações de suas palavras.

Todas as pessoas são responsáveis por aquilo que dizem. Não pode servir como justificativa o “eu estou repetindo o que me disseram”, ainda mais se levarmos em consideração que o “eu estou repetindo o que me disseram” é seletivo. As pessoas em questão sempre repetem frases e idéias do tipo A. Nunca do tipo B ou de qualquer outro tipo. O mundo que vivem já foi programado, e suas existências mera obra do acaso. São um mal necessário. Não são princípio ou fim. Apenas o meio.

Apesar dos inúmeros avanços em se tratando da ciência como um todo, no campo das idéias, principalmente na área de Humanas, as paixões ainda predominam nos discursos. Ainda que sejam Ciências Humanas, os tais “cientistas” ignoram por completo a realidade dos fatos e qualquer método científico verossímil, preocupando-se apenas em encontrar dados que possam justificar, ainda que de maneira torta, uma determinada linha de pensamento que já tinham como certo antes de iniciados os trabalhos! É a vulgarização da ciência, tal como se os pais de uma criança fossem determinados depois de seu nascimento, e não fossem, de maneira direta, responsáveis pela genética daquele ser.

Em um mundo como este, de idéias órfãs, frases de efeito ganham força e são exaustivamente repetidas, após terem sido cuidadosamente criadas por “cientistas” em seus laboratórios ideológicos. Esses “cientistas”… Estes sim, de fato pensam. Ainda que tais frases e idéias passem por cima do óbvio, do notório, conseguem engendram no senso comum do rebanho varonil uma realidade sem lastro, sem pudor, sem compromisso. E mesmo diante dos fatos, esta realidade é nada. E ainda assim é chamado de louco quem ousa rebate-la.

Mas isso não está acontecendo por acaso. As escolas demoraram anos criando esta matéria-prima acéfala. Especializaram-se nisso. Pesquisas recentes indicam que 50% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais, incapazes de imprimir qualquer tipo de raciocínio critico a uma idéia, a uma determinada linha de raciocínio. E ainda que haja bolsões de esperança em alguns esparsos e cada vez mais raros cantos, a esmagadora massa de ruminantes faz questão de não pensar, e tomar com sua uma realidade que sequer existe.

Não é possível que uma sociedade subsista assim. Em uma sociedade que carece de valores, a repetição de quem fala o que não pensa, que de fato não processa, se torna lei, e essa lei não é só regra, mas também punição para os que nela não acreditam. O “Duvido, logo penso, logo existo” foi substituído pelo “Acredito, logo existe”. E por conta de acreditar e nunca duvidar, afunda-se a sociedade cada vez mais na areia movediça de suas próprias certezas. E as vozes dos que duvidam, cada vez mais abafadas, são entendidas como o choro dos perdedores. Estes são as aberrações da natureza.

Duvido de mim. Duvido deste texto. Espero que faça o mesmo. Questione-o. Aponte seus defeitos. Sugira melhorias. E não faça isso apenas com este texto. Faça isso a cada minuto da sua vida. Questione se você realmente tem direito de não questionar e decida se quer ser ou não cúmplice de seu destino.

Não repita. E se for repetir, antes disso processe. Não deguste apenas queijos, vinhos ou cervejas. Deguste pensamentos também. Permita-se. Crie o instrumental necessário para sua saída definitiva de Matrix.