Isso não, obrigado

Em 2001 ou 2002 (não lembro ao certo), eu alugava uma vaga de garagem que pertencia a Associação Brasileira de Sommeliers. A vaga ficava no mesmo edifício comercial em que eu trabalhava, e como a empresa para a qual eu trabalhava pagava o aluguel, melhor impossível.

Pelo menos uma vez por mês eu tinha que ir até a sala da ABS para pagar o aluguel e depois pedir o reembolso. Numa dessas, me deparei com um coquetel. Como eu estava de terno, parecia um convidado, mas na realidade eu só estava mesmo é cansado e louco para chegar em casa.

Após efetuar o pagamento, um senhor muito educado que eu não conhecia se aproximou de mim com uma taça de vinho, me oferecendo. Eu disse que estava de estômago vazio (não bebo de estômago vazio), e ele me ofereceu uns canapés. Aceitei. Bem gostosos por sinal.

Conversamos não lembro sobre o que, e ele insistiu para que eu provasse o tal vinho. Provei. Sabe quando você acha algo uma bosta? Pois bem… Ele me perguntou o que eu tinha achado, e eu gentilmente disse que não era exatamente algo que eu consumiria habitualmente. E então, ele soltou a seguinte pérola.

“É que seu paladar ainda não está preparado para apreciar bons vinhos.”

Bebi o que restava na taça para não fazer desfeita, e discretamente fui embora. Comprei uma Coca-Cola em uma lojinha que ficava embaixo do prédio e fui-me embora.

No trajeto, pensando sobre o acontecido, aprendi a lição: se eu preciso me preparar ou ser preparado para dizer que uma coisa é boa, essa coisa não serve para mim. Eu tenho meus gostos, meus valores, minha personalidade, meu caráter. E se isso significa que devo caminhar sozinho em determinados momentos, estarei em excelente companhia.

Mais do que um trago

Algumas são únicas

Algumas são inesquecíveis

E algumas são apenas algumas

 

E as que não são algumas

As que são intensamente umas

Dessas não me esqueço –

Nem disfarço

 

Quer seja na garrafa suntuosa

Na nudez transparente do copo

Ou no detalhe fulgurante do trago

Destes rios me embebedo

Rios que sorvo sem pressa

Rios nos quais inevitavelmente deságuo

 

Dai-me agora mais uma –

Não alguma! –

Para que a minha sede se aplaque

Posto que estou em meio a um deserto

E tudo que eu achava que era certo

Dentro de mim já não cabe.

Não, obrigado! Sim, por favor!

A gente não procura

Mas ainda assim acha

E quando acha

Quer escapar

Tenta escapar

Até que chega ao ponto

De fingir

Que quer escapar

E acaba por se entregar

Como se não houvesse amanhã

(sempre há!)

 

E reclama!

Se culpa!

Fala que foi só um tropeço

Que nunca mais se repetirá

Mas a imagem está clara

O cheiro

O gosto

A quentura

O desejo

Tudo leva de volta para lá

 

E finalmente percebe

Com o passar dos dias –

Quanta agonia! –

Aos trancos e barrancos

No riso e no pranto

Que não dá para largar de vez

O café

 

E quando não é o café

É o amor

Que sem licença chega

E diz que é.

6199-Um-café-e-um..--A-Frase--

Maratonistas

Lembro-me da luz do sol

Invadindo nosso quarto

Por entre a cortina

Iluminando teu corpo nu

 

Lembro-me do meu corpo

Suado, também nu

Ainda ofegante

No mais completo e extravagante êxtase

 

Nosso cheiro embolado no ar

Roupa de cama molhada

Evidências incontestáveis

De fatos concretos, consumados

 

Teus cabelos bagunçados

Tuas pernas torneadas e meladas

Rios que de ti escorriam

Águas que criaste e levaste de mim

 

Lembro de te puxar-te pelos braços

Jogar-te de volta na cama

Provar novamente os nossos gostos

O mais puro e selvagem absinto

 

Lembro-me de visitar-te por dentro

Do céu da boca e de todos os outros lugares

E de novos rios intermináveis

Jorrando sobre nossos corpos lisos

 

Mas de tudo isso

Lembro-me ainda mais

Da delícia que é ser teu homem

E da delícia que é tu seres a minha mulher.

200_s

O que as palavras não podem dizer

Sim, eu te amo
E te quero cada vez mais,
E sempre que eu te chamo
Espero que venhas diferente,
Mais pura, mais leve, mais solta,
De preferência, sem muita roupa,
Pois não haverá muito tempo para resistir.

Fecho os olhos e recebo teus beijos:
Sinto teu cheiro em mim.
E me satisfaço em saber que meu desejo
Está como veio ao mundo,
Exatamente diante de mim.
Sim, meu desejo tem voz
E nesse momento que estamos à sós,
Te possuo com gritos e berros,
Te rasgo com palavras doces,
E tudo de bom que a vida me trouxe
Eu despejo dentro de ti.

Inundo-te feito rio doce, melado,
Nenhuma destruição, só prazer.
Ao mesmo tempo que descanso,
Tua vontade eu agiganto
Beijando, sem pressa,
As portas do teu céu,
Fazendo com que teu contorno se mostre,
E minha congruência mais uma vez invoque,
Mostrando o tanto que quero em ti.

E se feito um número peço que fiques,
E que sem medo te entregues para mim,
Te mostro o que ainda não experimentaste,
E a mistura de dor e prazer em tua face
É o prêmio maior que recebo
Desse momento que vicia,
Marcando definitivamente minhas fantasias,
Quando por sobre seu ombro
Vejo o que tu não precisas dizer.

Sim, sei que te sentes mais mulher agora
E sem dúvida me sinto também mais homem.
Chegastes onde querias,
E no teu rosto, inigualável imagem:
Vejo meu prazer brilhar em ti!
Teu gosto definitivamente meu,
Como se fosse minha própria saliva,
Que sem pressa cristaliza
O quanto que ainda preciso te ter.

Sim, somos puro prazer…
E dentro de nós resta a esperança
De mais um dia, mais uma noite…
Sempre mais, cada vez mais,
Não há nada melhor do que sermos um único corpo.

cb5a40d32c72cae0c5826cd42aee4056

Aperitivo

Há mel em seus lábios

Teu corpo inteiro em chamas

Cheiros e gostos incomuns

Especiarias que em mim derramas

 

De onde vem esta loucura

Que nos fulmina na cama

Só para ressurgir instantes depois

Ainda mais colossal e insana?

 

Acho melhor nem tentar entender

Já se tornou repetitivo

O nosso agora ao futuro pertence

Somos eterno aperitivo

 

E se tu tentares resistir

Deixo-te logo este aviso

Sim, sempre fazemos amor

Mas fodo teu corpo, tua alma e teu juízo.

beijo_erotico_g

Efeito borboleta

Ouvi aquela música

Coloquei aquele perfume

Senti aquele cheiro

Fui naquele restaurante

Pedi aquela comida

Senti aquele gosto

Tomei aquele café

Vi aquele filme

Tomei aquele banho

Usei aquele sabonete

Folheei aquele livro

Pensei naquele assunto

Dormi daquele jeito

Sonhei aquele sonho

 

Sim…

Você sabe do que estou falando

Estava comigo para todos os efeitos

A saudade me faz replicar de longe

Todos os nossos cotidianos e banais feitos

 

Eu confesso! Eu confesso!

 

Meu maior e mais grave defeito

É deseja-la rotineiramente

No futuro do pretérito do presente perfeito

Nua…

Totalmente nua…

Batendo asas no meu leito.

331847679_22e0fbc742_b.jpg

Inigualável

O teu gosto é sem igual

O teu cheiro é sem igual

Os teus beijos

O teu toque

Tudo que me fazes sentir

É sem igual

 

Lamento apenas que

Também sem igual

Seja a saudade de ficar sem ti.

saudd_