Cego-te

Despi-me do sonho
Vesti-me da verdade:
No que é invisível aos olhos
Teu gosto
Teu rosto
Os excessos do meu corpo
Corredeiras que jorrro –
Que pedes
E que encaras –
Morro
Esfrego
Puro gozo
E nos teus olhos
Acidentados de alma sanitária
Realizo-me
E nem disfarço.

Tenta-me de novo – Hilda Hilst

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

Minha culpa

Bela justificativa!

A culpa é sempre dela

Da maldita bebida

Para tudo que você fez

Para tudo que deixou de fazer

Para a total perdição

Para tudo que você finge esquecer

 

Parece-me, então

Que seria apropriado

Fazer do álcool algo diário

Um hábito salutar para a mente

Que mesmo sabendo da verdade

Para si mesma mente

Costumazmente

Costumaz mente

Como mente

 

Comi você

 

Estão aí as evidências

Nada disso se apagou:

As manchas no seu vestido

As marcas no teu corpo

O cheiro de quem aproveitou

Gota por gota

Lábio por lábio

Lambida por lambida

Gemidos de deixar rouca

A quem se deixou chamar

Por horas a fio

De puta

Safada

Mulher vulgar

 

A culpa foi minha

Mais fácil assim?

Eu pedi colo, confesso

E você prontamente me deu

O colo do seu útero

Onde não descansei

Onde apenas despejei

Todas as vezes que você quis

Tudo aquilo que você merece

 

Vai lá…

Tenta de novo…

Bebe…

Volta aqui…

Usa e abusa

Goza aos montes de verdade

E depois finge que esquece.

fingir