Paz e arroz

Vejo o que não via

E sinto o que eu não queria.

No horizonte que se queima,

Queima a minha fantasia.

 

Nos copos e bares,

Aldeias e mares,

Restos do que somos,

Apesar dos pesares.

 

E somos o que somos,

Em todos os lugares,

Presenças indesejadas,

Veias, vasos, capilares.

 

E no sonho acordado,

Nas esféricas luzes do dia a dia,

Eis que nasce o controle

Do que o controle nada queria.

 

E nas lembranças secas

De copos e bares,

A libido acesa,

Só olhares… Aqueles olhares…

 

Entrego-me ou rio?

Vivo ou fantasio?

Nas dores do poente

Ela deságua… Rios.

 

Deságua, vai…

Finge que me satisfaz,

Mas em meus sonhos é outra a face,

Cuja verdadeira face ficou para trás.

Missa pre mortis

Anota, grava

Com tinta que não se apaga

Escreva você mesma

Para que reconheça a caligrafia

 

De pé em sua cova rasa

A paz do dia-a-dia dia após dia

Os sinos ressoam ao longe

Requiem da sua nababesca hipocrisia

 

Anota, grava

Quem sabe lerá um dia?

Analfabetismo sentimental é grave

E não se cura com música ou poesia.

Vamos falar de gente? Melhor não… Vamos falar de leão!

Alguém sabe onde fica o Zimbábue? Alguém sabe como vive o povo do Zimbábue? Alguém sabe que o Zimbábue vive sob um regime ditatorial? Alguém sabe que o BNDES emprestou quase US$ 100 mi para Mugabe, ditador do Zimbábue, sendo a fortuna pessoal dele estimada em US$ 2 bi? Tenho certeza de que a grande maioria não. Aliás, acredito que alguns tenham ouvido falar pela primeira vez do Zimbábue por conta do leão. Pois bem.

Não há nada de errado em lamentar a morte de um animal majestoso como um leão. A caça esportiva, na minha opinião, é algo abominável. Entretanto, o que é mais abominável: a caça esportiva ou a morte de milhares de pessoas por conta de um regime ditatorial? Hoje, fiz esse questionamento no post de um amigo, e a resposta que obtive de uma pessoa que também postava no tópico foi um sonoro “vá se foder”.

Durante minhas andanças pelo IRC, Orkut e Facebook, aprendi que na falta de argumentos quando algum outro está sendo apresentado, o “foda-se” é a principal arma. Na cabeça dos menos preparados, é o fim da conversa. É quase algo como “Foda-se! Eu venci!” Entretanto, esse fim de conversa fala mais da pessoa do que do assunto propriamente dito. Se as pessoas costumeiramente dão aquilo que tem por dentro, entendo isso como “Na falta de educação, argumentos, de inteligência, de caráter, de sabedoria, etc., fique com o meu foda-se!” Genial, não? 🙂

Eu, assim como a população do Zimbábue, continuo sem entender a proporção que a morte de um leão tomou, sendo que vários outros animais são mortos diariamente na África sem que ninguém diga nada. Dos animais humanos (sim, também somos animais), então, eu nem falo. Morrem e há quem diga que não há nada que possa ser feito (???). Agora, pichar a casa do caçador? Faze-lo fechar o seu consultório e eventualmente faze-lo mudar de casa? Ameaça-lo de morte? Se ele cometeu um crime, que responda por ele! É assim que se faz em países civilizados, ainda que os julgamentos sejam de pessoas que não consideramos civilizadas. É assim que se resolvem as diferenças. Qualquer outra maneira não é aceitável.

O mundo não é ou pelo menos não deveria ser binário. Dar um senso de proporção nas coisas requer pensar, algo que parece entediar os brasileiros de hoje em dia. É possível gostar de leões e de humanos, dadas as devidas proporções.

Meu repúdio aos que insistem em lutar por um mundo mais burro!

Links com informações relevantes:
http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/socialismo/bndes-libera-quase-us-100-mi-para-mugabe-e-o-pobre-brasileiro-ajudando-o-rico-ditador-corrupto-africano/

https://br.noticias.yahoo.com/pobre-e-faminto–zimb%C3%A1bue-quer-saber-por-que-um-le%C3%A3o-vale-mais-que-humanos-173407166.html?linkId=16085054

Uber

Entendo a discussão sobre o Uber. Realmente entendo. O que eu não entendo, entretanto, é o apoio das pessoas para que leis sejam descumpridas para atender a seus próprios interesses. Não sabe do que eu estou falando? Dê uma olhada no link abaixo. Essa lei está em vigor inviabiliza por completo o uso do Uber para transporte com fins lucrativos. Ponto. Não há o que discutir. Os taxistas são perfeitos? NÃO! Podem melhorar? MUITO! Mas não… Não podemos descumprir as leis simplesmente por conveniência. Aliás, será que são essas mesmas pessoas que querem o uso do Uber liberado na marra que batem no peito para dizer que a Dilma e o PT não estão acima da lei? Lamento, meu caro. Com franqueza d’alma, você é um relativista. Não estou dizendo que é corrupto como Dilma ou Lula, mas estou dizendo que, dadas as devidas proporções, o seu pensamento é muito parecido com o deles.

Link para a lei que regulamenta a profissão dos taxistas em todo território nacional:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12468.htm

Publicado originalmente no Facebook em 24/07/2015

Deixei de ser vegetariano

Estou passando por um momento de profunda revolução interna, e não me parece ser dor de barriga. Eu gosto de carne. Como carne de boi, de porco, de frango e de peixe/frutos do mar com frequência. Já comi carne de jacaré, de javali, de cobra, de avestruz, de coelho, de cordorna, de pato, e provavelmente de algum outra animal do qual me esqueci. Eu sou um sujeito mau por isso? E aí, pensei nos cachorros e nos gatos, por exemplo. Gosto muito deles. Jamais seria capaz de comer carne de cachorro ou de gato. E aí, pensei: “Que FDP! Desde que não mate um bicho que você ache bonitinho, tudo bem, né?” Virei vegetariano. Entretanto, Niterói está infestada por mosquitos e enquanto eu pensava sobre este assunto, fui vítima deste selvagem animal. Peguei minha espada jedi (a famosa raquete de matar mosquitos), e fulminei o bicho. Após vários estalos, sequer sobrou o corpo do animal selvagem. E então, pensei: “Que FDP! Desde que o bicho me faça mal, não há problemas em mata-lo, né?”

Alguns bichos eu acho legal matar. Outros, nem pensar. Deixei de ser vegetariano e descobri que sou só hipócrita mesmo. Sou feliz assim.