Anagnórise – In Vino Veritas – Alternativa

Parte II – Alternativa

 

Será que chegamos ao fim?

Eu nem sabia que tínhamos começado

É estranho falar em despedidas

Logo depois da chegada

 

Meus olhos ouvem você dizer

“Quando eu disser chega, é chega!”

Meu corpo não responde

Se recusa a sentir

 

O impacto de tais palavras é forte

Fico sem Sul ou Norte

E sem saber direito o que fazer

Finjo que nada ouvi

 

Entre lágimas e sorrisos

No auge de um amor incrível

Finjo que tudo faz sentido

Que é só seguir a vida

 

E sem jeito, eu sei

Falo em casamento

Queria que sentisse

Totalmente o oposto do que disse

 

Mas se até hoje não consegui demonstrar

Nas pequenas coisas quem sou

Não vai ser no hall do elevador

Que vou fazê-la mudar de idéia

 

E mesmo assim exploro teu corpo

Com a mesma fome de antes

Meus dedos no seu corpo hesitantes

Será que existe espaço para mim?

 

E do alto da estupidez de uma poesia

Feita com teu cheiro em minhas mãos

Finjo que sigo firme

Não consigo enganar nem a mim!

 

Amo o amor verdadeiro

Aquele que não tem medo

Que desafia toda hora, todo dia

Que quer e precisa estar certo

 

Amo o amor sem limites

Que aprendeu nos seus desconvites

A se fortalecer e a crer

Que pode ser mais do que pode ser

 

E se chegar o dia do chega

Não terei como impedir

Se eu dali em diante eu parar de sorrir

É simplesmente porque te amo.

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Anagnórise – In Vino Veritas

Parte II

 

Na exaustão do resguardo

A língua pulsa distônica

Já não é mais vontade –

É necessidade –

Ainda mais depois

Do incêndio na cama

Sem nenhuma

Absolutamete nenhuma

Fogueira de vaidades

 

Não há engano!

É tudo

Certo

Correto

Direto

Deram-se

Fizeram-se

Homem e mulher

E não há como negar

Que em nenhuma aula de Química

Ensina-se que esta pode ser

Tão descomunalmente inebriante

 

Não há controle!

Náufragos na imensidão

Do encontro

Dos abraços

Dos beijos

Da fúria

Da devassidão

E na alma o fogo

O êxtase do perfeito

Da retomada dos direitos

De serem o que poucos

Algum dia serão

 

Não há fórmulas!

Limites

Convites

Apenas corpos e almas

Abertos

Na espera do que lhes falta

Do que preenche

Do que quando está ausente

Deixando a vida incompleta

Fazendo do corpo e da alma

Portas que precisam ser

Abertas

 

E diante de goles fartos de vinho

O preciso é confesso

Réu orgulhoso, manifesto

Culpado até a última gota

De seu mais puro sangue

Que no corpo ainda resta

Culpado…

E absolutamente

Ferozmente

Apaixonadamente

Honesto

 

Juíza funesta, razão!

Peste!

Ousas tentar destruir

O que foi construído

Por que precisava existir?

Achas que é deus

Ou queres que o próprio Deus

Chicoteie-te até a morte?

Estás com sorte…

Há perdão

Há paciência

Há verdade

Há coração…

 

Coração?

Sei que disso tu

Nada entendes

Ouças-me bem:

Razão, o coração

É a soma de todos

Os teus medos

E já que não tem mais segredos

Mais um gole, então

Em tua homenagem

Agora que sabes a verdade

Cala-te, insignificante bordão

Estás lidando com um homem de fé

Que libertar-se-á de qualquer prisão!

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