Absortos ou loucos

Já não há mais dúvida

E tenho medo da certeza:

Não quero só tua beleza

Quero-te toda, na cama e no chão

 

Se nem eu mesmo sei explicar

Como podes insinuar

Que na complexidade do meu pensar

Não sei o que de fato sinto?

 

Rasgas meu coração quando duvidas

Do que é tão óbvio e certeiro

O que tenho de mais verdadeiro

E que carrego sempre comigo

 

Escarras no nosso amor

Como se este fosse uma calçada qualquer

Somos homem e mulher – sabe disso!

E é prudente que nenhum de nós se pise

 

Impávido e colossal amor

Incêndio que nunca se extingue

Que o destino de nós não se vingue

Por sermos tão absortos… Ou loucos.

loucura

Anagnórise – In Vino Veritas

Parte II

 

Na exaustão do resguardo

A língua pulsa distônica

Já não é mais vontade –

É necessidade –

Ainda mais depois

Do incêndio na cama

Sem nenhuma

Absolutamete nenhuma

Fogueira de vaidades

 

Não há engano!

É tudo

Certo

Correto

Direto

Deram-se

Fizeram-se

Homem e mulher

E não há como negar

Que em nenhuma aula de Química

Ensina-se que esta pode ser

Tão descomunalmente inebriante

 

Não há controle!

Náufragos na imensidão

Do encontro

Dos abraços

Dos beijos

Da fúria

Da devassidão

E na alma o fogo

O êxtase do perfeito

Da retomada dos direitos

De serem o que poucos

Algum dia serão

 

Não há fórmulas!

Limites

Convites

Apenas corpos e almas

Abertos

Na espera do que lhes falta

Do que preenche

Do que quando está ausente

Deixando a vida incompleta

Fazendo do corpo e da alma

Portas que precisam ser

Abertas

 

E diante de goles fartos de vinho

O preciso é confesso

Réu orgulhoso, manifesto

Culpado até a última gota

De seu mais puro sangue

Que no corpo ainda resta

Culpado…

E absolutamente

Ferozmente

Apaixonadamente

Honesto

 

Juíza funesta, razão!

Peste!

Ousas tentar destruir

O que foi construído

Por que precisava existir?

Achas que é deus

Ou queres que o próprio Deus

Chicoteie-te até a morte?

Estás com sorte…

Há perdão

Há paciência

Há verdade

Há coração…

 

Coração?

Sei que disso tu

Nada entendes

Ouças-me bem:

Razão, o coração

É a soma de todos

Os teus medos

E já que não tem mais segredos

Mais um gole, então

Em tua homenagem

Agora que sabes a verdade

Cala-te, insignificante bordão

Estás lidando com um homem de fé

Que libertar-se-á de qualquer prisão!

casaval2

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