Meu Anjo da Guarda

Todo meu 19 de Agosto é dia de reflexão. Meu irmão estaria fazendo 42 anos, mas um câncer o levou quando ela tinha apenas 8 anos de idade. Eu tinha 12 na época.

Falar sobre os 2 anos em que ele ficou doente é algo que não me leva a lugar nenhum. Até porque a ida dele para o céu foi uma libertação. Entretanto, a vida continuou para a minha família, e os efeitos da sua morte prematura ficaram em todos nós.

Lembro que no dia que ele faleceu, 10/11/1984, meu pai e minha mãe disseram que “ele tinha ido para o céu”. E eu respondia: “Não. Meu irmão morreu!” Os eufemismos naquele momento eram detestáveis. Eu queria sentir com toda a intensidade a partida de meu irmão. E foi assim que eu fiz.

Nada foi o mesmo depois disso. Meu pai tentava fingia que nada tinha acontecido, e acabou falecendo aos 61 anos, absorto pelas dores da morte de seus filho. Minha mãe, ainda viva (graças a Deus!), foi pelo caminho contrário. Falava da morte dele com desenvoltura e desapego. Entretanto, suas feições nunca esconderam a dor que ela ainda carrega no peito. Não é para menos: mãe é mãe.

Eu? Sinto a presença de meu irmão todos os dias. No dia de hoje, especificamente, fecho para balanço. Sinto que converso com ele de alguma forma, e aproveito o dia para refletir sobre a vida. Também sinto um turbilhão de sensações: morreu ou foi para o céu? Só sei que de fato ele não está por aqui, mas fui pego de surpresa no dia de hoje.

– Pai, é possível que o nosso anjo da guarda mude durante a vida?
– Não sei, minha filha… Não sei… Mas por que a pergunta?
– É que o Tio Felipe é seu anjo da guarda agora.

Ela com 10 anos… Eu com 46. A abracei e chorei em seus ombros. Minha filha me deu hoje um presente que esperei durante muitos e muitos anos. Consegui finalmente acreditar que meu irmão está vivo e de fato no céu.

Obrigado, Senhor Meu Deus, pelo presente que recebi no dia de hoje! Obrigado por ter me dado uma filha tão maravilhosa! E obrigado a você, Felipe Ottolini, por todos esses anos que me guardou. E que tudo continue assim.

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O emocionante tributo feito em imagens para uma menina de 7 anos vítima de câncer

Não sei o que dizer… Perdi um irmão quando ele tinha 8 anos exatamente pelo mesmo problema. O sofrimento de uma criança diante de uma doença tão brutal é algo indescritível. Crianças não deveriam ter que passar por isso. É de partir o coração. 😦

VIVIMETALIUN

Ser diagnosticado com câncer é sempre assustador. Quando o paciente é uma criança, as coisas parecem ainda piores. Mesmo assim, muitas vezes os pequenos podem ser mais corajosos diante da doença do que muita gente grande. É o que mostra a usuária do Imgur Taisce, em um emocionante tributo a sua sobrinha Katherine King.

Katherine foi diagnosticada com um tumor cerebral no dia 2 de junho de 2015 e os médicos disseram que ela teria apenas nove meses de vida. A menina sobreviveu à doença durante 12 meses, mas acabou falecendo com apenas sete anos no último dia 7 de junho.

A homenagem é de partir o coração:

Adeus Katherine King

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Você nos deixou cedo demais

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Muito antes da sua hora

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Ainda havia tanto o que fazer e experimentar

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Você tinha sua vida inteira pela frente

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Você deveria ter ido ao Ensino Médio

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Deveria ter tido um namorado (ou namorada)

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Se…

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Saudades de você, meu irmão! Feliz Aniversário!

Hoje, dia 19/08/2015, meu irmão Felipe Ottolini faria 39 anos. Continua sendo dia de festa, com ou sem ele. Tenho certeza de que seria o meu melhor amigo, mas Deus preferiu levá-lo cedo. Faz parte. A vida continua aqui e do outro lado. Sei que algumas vezes é mais fácil falar do que fazer, mas normalmente sinto uma paz intensa quando me lembro do meu irmão e de tudo que ele representou para mim.

É claro que ficou uma saudade dantesca! Não sei como minha mãe e meu falecido pai  conseguem/conseguiram lidar com isso. É a inversão da ordem natural das coisas. É o que a gente não espera que aconteça. É o supremo do inesperado. Só a fé em Deus para desanuviar corações que passam por esse tipo de perda.

Nos 8 anos que esteve conosco (eu tinha 12 quando se se foi), meu irmão me ensinou muita coisa. O câncer no cerebelo não o impediu de continuar a ser um guerreiro. Ele lutou até o último suspiro de vida terreno, e me ensinou, apesar de sua pouca idade, que guerreiros não desistem NUNCA!

E você aí, reclamando da vida, achando que seus problemas são os maiores do mundo. Faça como meu irmão: não desista NUNCA!

Um beijo especial a todos os pais, mães, irmãos e irmãs, que por motivos diversos, viram seus entes querido indo para perto de Deus “antes do tempo”. Que Deus os abençoe!

FELIZ ANIVERSÁRIO, FELIPE!!! TEMPO E DISTÂNCIA SÃO NADA ENTRE NÓS!!!

Ninguém morre

Conheci a “morte” bem cedo. Meu irmão se foi com apenas 8 anos, vítima de um câncer no cérebro. Depois disso perdi meus avós, meu pai, e sei que isso faz parte da vida.

Saber que isso faz parte da vida não me ajuda em NADA. Eu sou filho único, porque perdi meu irmão, quase 5 anos mais novo que eu. Como seria ele hoje? Não dá para ter certeza, mas lembro-me bem que último presente que ele pediu de aniversário antes de adoecer foi um pneu para a minha bicicleta. E isso com apenas 6 anos de idade. Que tipo de criança com essa idade pede um presente para o irmão? Portanto, acho que é possível imaginar a dor que sinto não só pela perda, mas pelo que deixei de viver com ele. Tenho certeza que seria o meu melhor amigo. Eu sei que seria o melhor irmão do mundo.

Então, se saber que isso faz parte da vida não ajuda em NADA, o que ajuda? Eu encontrei respostas no Espiritismo. A pluralidade de existências explica muita coisa, e a questão das provas e expiações também. Só que eu não sou carola de Centro Espírita. Aliás, uma das piores coisas que vejo no Espiritismo é o fato das pessoas quererem aparecer. “Sou médium disso”, “Li todas as obras de Kardec 70 vezes”, “Dirijo a sessão XPTO”, etc. Prefiro me ater à parte filosófica da doutrina, e tenho certeza de que isso é quase uma heresia para os espíritas mais fervorosos.

Já fumei, bebo cerveja, e pouco me importo com os “cagadores de regras”. Sou assim. Foi assim que me encontrei. É assim que consigo e quero viver o meu dia-a-dia, lidar com as minhas saudades, com minhas dúvidas, com os meus sentimentos.  E sim, ateus, me considerem um fraco, mas foi somente em Deus que encontrei forças. Deus é minha fortaleza e não me importa o que vocês pensam de mim.

E aproveitando: não sou “endemoniado”, caríssimos amigos evangélicos. Com raríssimas exceções, vocês não sabem sequer a diferença entre Umbanda e Espiritismo. Como podem me julgar? Aliás, se Cristo não julgou, quem são vocês para julgar? Os templos estão cheios de gente falando “Aleluia!” aos domingos, e dando rasteira até em cobra de segunda a sábado. Portanto, com o devido respeito, vão à merda.

Ninguém morre. Para mim, meu irmão está vivo. Meu pai e meus avós também. Ele são presentes em minha vida. Quero curtir a minha dor e procurar na palavra de Deus o alento que preciso da forma que eu quiser! Respeito a fé ou a falta de fé de todo mundo. Quero, ou melhor, exijo que respeitem a minha. Fui claro?

Obrigado!