Festa Julina: o perdão

Em 2000, meus amigos e eu fomos convidados para uma Festa Julina na casa do meu padrinho. Os convidados ficaram encarregados de levar algum tipo de comida e de bebida, no maior estilo festa americana. Ele forneceu o espaço decorado, mais comida e mais bebida (incluindo churrasquinho, salsichão e até a própria churrasqueira), uma banda típica, algumas barraquinhas com brincadeiras e uma fogueira linda! De fato, uma das melhores festas que eu já fui. As crianças ficaram enlouquecidas e os pais em êxtase!

O dia era perfeito. Inverno fluminense no seu auge (uns 15o Celsius), a família reunida, os amigos, os agregados… No total, eram umas 200 pessoas no terreno amplo e arborizado (e ainda assim arenoso) de uma casa em São José do Imbassaí (Maricá/RJ). Eu estava me sentindo em casa, e de fato estava… Havia muitas histórias antigas no ar para serem recontadas ad nauseam. E muitas novas histórias para serem vividas e recontadas no futuro, no maior estilo Dark (série alemã do Netflix).

Eu estava de namorada nova. Apresentei para os amigos e tal. Ela era muito gente boa, bonita, mas de vez em quando falava umas besteiras. Era meio sem noção, meio imatura por assim dizer. Numa dessas, durante a festa, falou uma besteira nada a ver sobre uma ex minha que estava na festa na companhia de seu novo namorado. Fiquei super sem graça e me afastei da roda de amigos para pegar mais uma cerveja. Foram inúmeras naquele dia.

A minha namorada percebeu que fiquei chateado. Veio atrás de mim pedir desculpas. Preferi aceitar, até para não queria acabar com o encanto da festa. Só que o pedido de desculpas e o meu aceite aconteceram na presença do meu padrinho. Ele interrompeu a nossa conversa e disse para ela:

“Nunca peça desculpas por algo que você tenha a intenção de repetir.”

Não entendi nada no momento, muito embora meu padrinho fosse (e ainda é) uma pessoa muito sábia. Voltamos para a festa e nos divertimos demais. Sem dúvida alguma, aquele povo todo reunido e a inocência dos meus 28 anos falaram mais forte do que qualquer outra coisa.

O ano agora é 2020. Nos últimos 20 anos, muitas vezes as palavras do meu padrinho ecoaram em minha mente. Eu não entendia exatamente o porquê, mas ela insistiam em permanecer. Quis a vida me ensinar o que elas significavam, e eu aprendi. Os detalhes do meu aprendizado são irrelevantes… Coisas da vida.

Não peço desculpas por coisas que não me arrependo, só para apaziguar a situação. Se eu fiz e não acho errado, por que pedir desculpas? Obviamente, vou conversar com a pessoa e explicar o meu lado, mas simplesmente pedir desculpas ainda que me considerando certo é algo inconcebível em minha vida.

Espero o mesmo dos outros. Fez alguma besteira e quer se desculpar? Eu sou todo perdão! Eu tenho essa qualidade: eu perdoo. Sei fazer isso de peito aberto e com o coração tranquilo. Mas que ninguém ouse confundir o meu perdão com permissividade. Como gostam de dizer os americanos:

“Me engane uma vez, a vergonha é sua. Me engane pela segunda vez, a vergonha é minha.”

Nunca deixe ninguém enganar você pela segunda vez. Corte. Se afaste. Pelo seu próprio bem. Amor próprio é tudo. E mais: nunca faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você, e muito menos seja canalha ao ponto de ficar inventando desculpas só para ter a chance de fazer tudo de novo.

Enfim… Os anos passam e eu continuo aprendendo a viver. A minha então namorada não durou muito na minha vida. Está por aí. Espero que esteja feliz.

Quanto vale um abraço?

A roupa nova
O carro importado
A viagem para a Europa
A próxima mansão pós moderna…

Ficou tudo para depois

Precisou um vírus
Parar o mundo
Para pararmos
Para ver
Que parados
Nada temos
E sequer
Conseguimos ser!

Só precisamos de um abraço
Um abraço…
Que nos devolva os laços
E o prazer de poder viver
Sem de quase nada precisar
E ao mesmo tempo –
De volta –
Nos ter.

Liberdade

Liberdade não é dançar como se ninguém estivesse vendo
Mas dançar, do seu jeito, da sua maneira, com todo mundo assistindo

Liberdade não é dinheiro no bolso, restaurantes caros
Mas o direito de optar pelo churrasquinho na esquina rodeado de amigos fiéis, verdadeiros

Liberdade não é viajar quando quiser para Paris, Londres
Mas viver todos os momentos da vida cotidiana como se fossem uma viagem

Liberdade não é ter um carro caro
Mas poder ir para onde quiser, ainda que seja a pé

Liberdade não é fazer planos
Mas viver em toda a sua plenitude tudo que foi planejado

Liberdade não é esperar o momento certo para realizar o sonho
Mas se atirar de cabeça na certeza de que tudo é possivel

Liberdade não é ter a certeza de que tudo vai dar certo
Mas a capacidade de rir e aprender se algo der errado

Liberdade não é ter controle sobre tudo
Mas saber que só se pode controlar a si mesmo

Liberdade não é sobre ser aceito
Mas sobre se aceitar e ter orgulho do que se é

Liberdade não é poder “deixar para amanhã”
Mas viver o hoje como se fosse o último dia

Liberdade não é se livrar apenas de grilhões físicos
Mas sim de toda e qualquer âncora ou amarra mental

Liberdade não é poder falar o que se quer
Mas viver e sentir tudo que se pensa

Liberdade não é não ter medos ou receios
Mas a força que faz com que se vá adiante mesmo que pareça dificil

Liberdade não é ser solteiro ou casado
Mas é sobre dar voz e viver o que vem do coração

Liberdade não é ter a chave de casa
Mas é entregar a chave do seu coração na mão de alguém

E por fim, liberdade não é a percepção dos outros sobre a sua vida
Mas a capacidade de viver sua vida sem se importar com a percepção dos outros

Todos os dias
Eu escolho ser livre
Porque a liberdade não é algo que me deram
Mas sim o que eu me dei quando decidi ser feliz.

Sorria-se!

E que dentro você se encontre

Se entenda

Se perceba

Se aceite

Se assuma

Se sinta

Se chore

Se ria

E se seja

 

Há um mundo esperando que você seja

O que nasceu para ser

Há um mundo esperando pelo seu sorriso

 

Sorria!

Dance, cante, ria…

E faça isso por você

Pois você não está sendo filmado.

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Áspera vida

Áspera

À espera

A vida

Quem me dera

Ter-te aqui

Agora

Afinal

Seja como for

Sempre antes

Nunca depois.

Indigentes

Não

Não foi acidente

Não foi desatino

Do destino

Foi aprendizado

Anseio

Ensino

Que virou ode

Canção

Hino

 

Juntos

Menina

E menino

Adultos

Escancaradamente

Ocultos

Sulcos

No coração

Na alma

Felicidade

Liberdade

Absoluto

Total

Brutal

Descomunal

Indulto

 

Não

Não foi acidente

Foi Deus sendo benevolente

Com os que sentiam fome de amar

E do amor eram indigentes.

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Madurando

Espera

Espreita

Que o momento certo

Ronda por perto

 

A fruta pode até ser dura

Mas se torna convite quando está madura

 

E quando for o momento da colheita

Será intensa a sua doçura

E como nunca se viu tão segura

Abrir-se-á por inteiro

Polpa farta, deleitosa, viciante

Liberdade, enfim, desta clausura.