Madrugada

A noite avança
Com suas sutis rudezas:
Nada é pouco
Tudo é muito
Talvez mais do que muito
Ainda que não seja o bastante
Para me fazer desabar em meu leito

O sono…
Esse meu amigo traiçoeiro
Que de mim foge de vez em quando
É também fiel conselheiro:
Fatos sobrepõe-se a sentimentos
E desmascaram fantasias e luxúrias de noites opacas
Rasgadas e devassadas por realidades translúcidas
Onde todos os meus tolos e inocentes devaneios
São partidos ao meio

Mas também é na madrugada
Que sempre sou mais meu
E hoje –
Mais uma vez –
Durmo acompanhado
Vamos passar a noite inteira acordados
Nus, amarrados e abraçados –
Pura honestidade –
Só a minha raiva e eu.

Revirada

Se eu durmo bem ou mal

A cama acorda revirada

 

Acalma-te, alma

Tudo não és cama!

Não podes aquietar-te

Durante a madrugada?

 

Eu sei, não é fácil

Conviver com uma vida revirada.

cama desfeita