Criminoso

Fez juras de amor que nunca sentiu
Usou o amor do outro como quis
Quando quis
De acordo com suas necessidades
Para obter suas doses de prazer
Ao vivo e de longe

Podia dizer: só quero sexo
Mas não…
Precisava encantar o outro
Para estar com um homem
De verdade
Com um apaixonado
Um sonhador
Que lhe tratava como uma rainha

Pior…
Quando quis se eximir de responsabilidade
Quando decidiu ir embora
Sem aviso ou demora –
SEM DIZER ADEUS!!! –
Negou ser verdadeiro o amor que o outro sentia –
ERA AMOR!!!!!!!!! –
E desdenhou do sublime, do sagrado
Debochou das suas crenças
Da sua Ave Maria
Cuspiu na sua cruz

COMO OUSA????????
Quem pensa que é???

Foi e voltou
Foi e voltou
Foi e voltou
Foi e voltou
Foi e voltou
Foi humilde só quando precisou
Fora isso
Sempre enganou, iludiu, ludibriou
Foi sempre mentindo
Voltou sempre mentindo
Contando alguma história triste

Nunca se explicou ou mesmo tentou se explicar
Quando questionada ou confrontada
Fugia como o diabo foge da cruz
Ao fim, silenciou-se vitoriosa, indiferente, inconsequente
Não deu satisfação
Porque nunca se satisfaz
E simplesmente ao outro culpou
Depois de usar e abusar
Sem fazer questão de sair
Com dignidade, com leveza:
Por não saber o que é empatia –
Por dentro é absolutamente vazia –
O outro é sempre descartável

Criou futuros sem jamais neles acreditar
Fez da mentira um hábito
Mentiu tanto, tanto, tanto…
Vive na mentira
Vive de mentiras
E sente prazer em enganar
E ainda tem o audácia
De se achar a correta
A que faz o certo
A dona da verdade

Triangulou, manipulou
Nada, nunca era de sua responsabilidade:
A culpa era sempre de terceiros

Acusou ao outro de querer dinheiro –
Não amor –
Porque o dinheiro é única coisa importante
Na sua vida
Vida de aparências
Vida de deboche de poesias
Feitas com carinho, com amor

Envolveu a família, os amigos
E tudo que de mais sagrado da vida do outro
Desdenhou de todos os abrigos
E como medo das próprias mentiras que criou
Vive no temor de uma vingança
Que nunca vai chegar…

Nunca
Não é assim que agem os filhos de Deus

Talvez seja difícil acreditar nisso
Para quem é cruel e vil
Para quem diz e acredita
Que está em paz:
E o outro que se dane

Aliás, que outro?
O outro é objeto
Abjeto
Não existe

Talvez um dia
A vida de alguma forma lhe mostre
O tamanho do estrago que causou
E o tamanho da sua maldade
Na vida de um criminoso
Cujo único crime
Foi amar e acreditar no seu amor.

Maldade

A saudade bate forte no peito.
Não avisa quando chega,
Mas chega, dizendo que a distância,
Ou mesmo nossa ignorância,
Não são fortes o suficiente para nos separar.

E procuramos no mundo,
Algo que seja forte o bastante,
Para calar nosso desejo,
Nosso amor, nossos beijos,
Nossa dor, nossa solidão.

Mas o amor é implacável,
Invencível, tenaz, inquebrável,
E insiste em dizer, todo dia,
Nos açougues, nas padarias,
Nas noites tão vazias,
Como é viver sem nos ter.

Saudade,
Sim! Muita saudade,
De tudo o que fomos,
Pois o que somos,
É pouco, muito pouco,
Quando dizemos que o amor está morto,
Muito antes dele morrer.

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Motivo de orgulho

Como poeta amador, de vez em quando consigo criar algo que consegue resistir as minhas críticas mais ferrenhas.

É o caso de uma estrofe de uma poesia chamada Maldade. Sem perceber, meio que na base da tentativa e erro, acabam surgindo versos atemporais. E sim, isso dá muito orgulho.

Saudade,
Sim! Muita saudade,
De tudo o que fomos,
Pois o que somos,
É pouco, muito pouco,
Quando dizemos que o amor está morto,
Muito antes dele morrer.

Que Deus me permita ainda criar muitos versos como esse! Fica a sensação de dever cumprido. E que assim seja.