Marco zero

E pensar que eu só queria

Saber se você me lia

Pois em cada gota de tinta

Estava um pedaço de mim

 

E pensar que eu só queria

Nas noites tão vazias

Um beijo de boa noite

Um alento para a saudade que há em mim

 

E pensar que eu só queria

Contar o passar dos dias

Para aquecê-la em meus braços

Para tê-la em mim

 

E pensar que eu só queria

Que em minha cama vazia

Repousassem seus medos e sonhos

Para que você pudesse vivê-los em mim

 

E pensar que eu só queria

Ouvir e ser ouvido

Em prosa e poesia

Para fazê-la lembrar de mim

 

E pensar que eu só queria

O que ainda quero

Nosso amor, nosso marco zero

Laços sem fronteiras

Amor

Puro e retumbante

Amor desconcertante

Sem fim.

O medo é necessário…

…e a realização de nossos sonhos também é!

Já imaginaram um paraquedista sem medo? Todo paraquedista sabe que, mesmo depois de realizados 10.000 saltos, a probabilidade de um acidente acontecer continua a mesma se as devidas precauções não forem tomadas. E é justamente o medo de morrer que faz com que o paraquedista continue sendo cuidadoso, talvez até mais cuidadoso do que no início, ainda que vá se tornando cada vez mais experiente.

E se assim não fosse? Dobraria o paraquedas de qualquer maneira ou pediria para terceiros dobrarem, não se preocuparia com as condições meteorológicas, e assim por diante. Chances de um acidente? Monumentais.

É importante, entretanto, deixar claro que há uma linha de corte entre o medo prudente, necessário, e o medo irracional, que paralisa e se torna uma barreira intransponível. O paraquedista, ainda que com medo, salta, e nesse sentido é o próprio medo que o mantém vivo. Caso fosse controlado pelo medo irracional, não poderia ser paraquedista, ainda que fosse este o seu maior sonho. Ou pior: poderia ser um paraquedista acidentado, justamente por conta das decisões erradas que tomou em nome da tal barreira intransponível. A barreira intransponível nos impede de pensar.

Essa é um exemplo extremo, mas a nossa vida cotidiana é assim. Precisamos ter medo para tomar decisões conscientes, mas não podemos deixar o medo irracional tomar conta de nossas vidas ao ponto de nos paralisar ou nos fazer tomar decisões equivocadas.

Moral da história: o medo é nosso amigo. Difícil imaginar alguma situação sem risco – viver é um risco, mas com certeza precisamos do medo para seguir em frente da maneira mais segura possível. E o mais importante de tudo: que não sejamos dominado pelo medo, e que façamos dele nosso aliado na conquista de nossos sonhos.

sartre

Temo-me

Não temo a morte

Temo estar morto em vida

Em alimentar feridas

Que sequer precisariam existir

 

Temo que me falte coragem

Para seguir minha vontade

E que o que fogo dentro de mim arde

Cozinhe meu destino

 

Temo que me sobre medo

De ir, de ficar

De esperar, de avançar

Medo do que nem sei se existe

 

Temo temer

Essa é a verdade

Temo ser um grande e falso sorriso

E encontrar um medíocre abrigo

Que assassine minha esperança

 

Temo temer

Tudo que eu poderia viver

E ainda que o tempo não seja meu amigo

Não é meu maior inimigo

Posto que este já sou eu.

se-o-tempo-curasse

Sem medo

E a gente vai…

Sóbrio ou ébrio

De pé ou de joelhos

Sorrindo ou chorando

Mas a gente vai…

 

Ir é necessário

 

Ainda que não seja por opção

Ir faz-se necessário

Em um universo de infinitas possibilidades

É um sinal de gratidão

Pelo que já foi

Pelo que é

Pelo que ainda está por vir.

epicuro-01

O medo e eu

Sempre tive medo

De ir

De ficar

De falar

De calar

De amar

De ignorar

Mas acima de tudo

Sempre tive medo

De me amedrontar

 

Hoje

Eu ainda ando com medo

Eu ainda vivo com medo

Mas é no medo

E não no sossego

Que percebo

Que há vida

Rosas, vinhos, beijos e chamegos

Aconchego…

Nunca solidão!

 

E tu bem sabes, medo

Que tenho pressa

Quero ser feliz à beça

Se vou ser ou não?

Dê-me um tempo, medo!

Isso já é outra conversa.

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Antinomia

Razão versus coração?

 

Eu digo que não!

afinando

Antinomia é o nome de uma tia que se dizia muito racional, e que chegou aos 80 anos dizendo que sempre soube que morreria infeliz. E pouco antes de morrer,  arrependida e com a alma dorida (mas com o ego intacto), disse: “Viram? Eu tinha razão! De nada me fizeram falta as coisas do coração!”

 

Não seja como minha tia. Não chame de antinomia as contradições aparentes ou alguma espécie de medo onipresente que é usado como desculpa consciente para evitar que você seja ou se torne feliz felizmente.

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