Abraço-me

Descobri que és diferente
Quando tocaste nas feridas
Da minha alma e do meu coração
Sem perguntar se as lesões
Foram autoinfligidas

Sim…
A insistência
A carência
A teimosia
A imaturidade
A inocência
A vaidade
A arrogância
O apego
O desespero
O desamor
O pânico
O medo
A raiva
A humilhação
A solidão

Eu me feri
Eu me machuquei
Tudo doeu
Muito sangrou

Eu me crucifiquei
E nem mesmo de mim me salvei
E agora eu sei:
Dor não se cura com mais dor.

Descobri que és diferente
Porque me mostraste
Que posso lamber minhas feridas
E seguir em frente
Fazer diferente
Porque és diferente
E diferente –
Agora que me lembro
Do que eu já fui –
Eu também já sou.

Eu me perdoo
Eu me abraço
E por isso eu sigo em frente.

Intuição

– Eu sei, mas você precisa fazer uma escolha. A gente não pode ficar nessa para sempre, concorda? – os olhos dele estavam fixos no horizonte. Ao fundo, as nuvens cinzentas por sobre a praia davam um tom de mistério aquela conversa difícil e necessária, ao menos para ele. O tom de sua voz era suave, mas também era firme. Ele precisava de algumas respostas, bem óbvias e ao mesmo tempo essenciais. Ela parecia não se dar conta disso.

– Eu não sei o que dizer… – ela fitava o chão enquanto respondia. Os braços estavam cruzados. O corpo todo retesado. Sua mente girava diante das incertezas que se agigantavam dentro dela. “Eu não sei… Eu não sei… Eu não sei… ” Era tudo que ela conseguia dizer no momento. Tinha plena noção do quanto estava insegura por conta de seu último relacionamento. Pensar em viver algo tão doloroso novamente simplesmente a paralisava. Ela não conseguia pensar em recomeços. Ainda estava sendo açoitada pelo fim.

– Bom… Isso para mim é uma resposta. Não vou insistir mais, apesar de gostar muito de você. A gente se esbarra por aí. Qualquer coisa, me liga.

Ela ainda tentou dizer algo, mas ele já estava com os fones no ouvido. Já tinha a resposta que precisava. Ficou decepcionado, mas engoliu a verdade em seco de uma só vez. Foi embora sem olhar para trás.

Chegou em casa e foi tomar um banho. Se serviu com um pouco de água de coco e pegou o telefone. A indecisão dela era uma decisão na visão dele. “Já passei por isso antes e aprendi a lição”, disse para si mesmo diante do espelho, fazendo força para acreditar em suas próprias palavras. Por conta disso, até para provar que era capaz de esquecer tudo aquilo, resolveu responder a uma mensagem que recebera mais cedo no WhatsApp.

“Oi! Tudo bem? Ainda está valendo o convite?”

A resposta veio em menos de 30 segundos.

“Sim! Faz tempo que não como aquela pizza! Você me encontra lá em 1 hora?”

“Com certeza! Bjs!”

Ela mandou um coração de volta. Ele sorriu.

Foi um sorriso conflitante, hipócrita. Um sorriso de quem sabia que não precisaria passar a noite sozinho, mas que também sabia que não era com aquela mulher que ele gostaria de estar. Na prática, ele estava fugindo deste e de outros encontros. Apesar de não estar oficialmente namorando, não gostava de sair com mais de uma mulher ao mesmo tempo. Era algo dele. O seu coração era assim. Ele era assim. “Pelo menos ela foi sincera. Logo, caminho aberto para a próxima. Para as próximas.” Nem ele mesmo acreditava em suas palavras.

Se encontraram no restaurante como combinado. Ela tinha um olhar de femme fatale. Na cabeça dele, ela era uma devoradora de homens. Ele seria apenas mais um. Ele via isso como algo bom: nenhuma expectativa é o equivalente a nenhuma frustração.

– Então… – ela disse – Finalmente resolveu atender ao meu convite… Eu já estava quase desistindo.

– Nada… Só estava meio atarefado – os olhos dele estavam dentro do decote dela. Era impossível não notar a fartura daqueles seios.

– Aposto que tem a ver com a sua namorada… Como é mesmo o nome dela? – o tom da voz dela era de deboche.

– Eu não tenho namorada. E eu não estaria aqui se tivesse uma. Vamos beber o quê?

Apesar dele não ter namorada, o comentário mexeu com ele. “Eu não tenho namorada, mas gosto de uma pessoa. Isso vai muito além de um título ou estado civil “, pensou.

– Eu tenho uma sugestão. A gente come algo mais leve… Tipo uma burrata. E depois a gente vai para um lugar mais calmo. Pode ser?

– O quê? – ele estava olhando para o cardápio enquanto ouviu o convite. Ficou olhando para ela como se não estivesse entendendo nada, muito embora fosse capaz de compreender exatamente o que estava acontecendo.

– Deixa disso… Faz 3 meses que quero sair com você. Olha a nossa idade… Não vamos perder tempo com formalidades, vai…

– Mas e a pizza? Eu estou com fome! Eu quero comer pizza! Garçom, quero uma burrata. Qual pizza você me recomenda? Sim! Pode ser essa! Deve ser deliciosa! Tudo bem com você se eu pedir essa? Ok. E o vinho vai ser… Aquele ali da outra mesa. O que aquele pessoal está bebendo…

A cardápio virou a sua tábua de salvação. Lembrou da série Seinfeld e das argumentações absurdas entre os personagens. Era assim que ele estava se sentindo.

Eles riram muito durante o jantar. Comeram a burrata, tomaram vinho, comeram pizza… Teve até sobremesa! Ela ainda insistiu algumas vezes no “a gente vai para um lugar mais calmo”. Ele insistiu nas desculpas no maior estilo Seinfeld. Em alguns momentos, teve até vontade de rir. Quem sabe em outros tempos, em outro lugar. Quem diria não para essa mulher? Ele disse da forma mais educada que conseguiu. Afinal de contas, nunca se sabe do futuro.

Despediram-se. Nada de “até manhã” ou “depois a gente se fala”. Ela foi para a casa dela. Ele foi para a casa dele. Se ela ficou chateada, ele não percebeu. Se sentiu bem por ter sido fiel a seus sentimentos e isso não tinha preço.

Ele ligou a TV e resolveu verificar as suas mensagens no WhatsApp. Uma delas dizia:

“Pensei muito na nossa conversa de hoje de tarde. Eu estou gostando de você e isso me deixa insegura. Sei que você não tem obrigação de entender isso. Me liga quando puder.”

Ao invés de responder à mensagem, preferiu ligar. Já eram 3 horas da manhã. Ela atendeu com voz de sono já pedindo desculpas.

– Eu queria me desculpar pelo que te disse hoje na praia…

– Eu que deveria pedir desculpas pelo ultimato… – disse ele interrompendo-a com delicadeza.

– Digamos que seu ultimato me fez perceber algumas coisas… Sendo uma delas que não estou disposta a ficar longe de você – sua voz era um misto de malícia e sensualidade. Ela estava se confessando e pelo que ele sabia dela, falar de sentimentos era algo que ela realmente tinha dificuldades em fazer.

– Quer dizer que ultimatos funcionam, professora? – o comentário sarcástico a fez rir justamente por conta dela ser formada em Relações Internacionais e ministrar aulas sobre o tema.

– Depende… – a risada veio acompanhada de uma explicação – Desde que a outra parte não entenda como um blefe e não esteja disposta a encerrar as conversações, funciona sim.

– Eu não estava blefando.

– Eu sei.

Imediatamente, ele foi até a geladeira e abriu uma garrafa de espumante. Ele precisava comemorar. Em ambos os casos, em episódios completamente distintos, seguiu a sua intuição e ouviu o seu coração. Na praia, foi embora no momento certo. Na restaurante, foi fiel a seus sentimentos. Sentiu orgulho de si mesmo. Sorriu.

Os dois dormiram juntos em casas separadas naquela noite. As negociações avançariam pela manhã. Diplomatas em missão de paz, por assim dizer. A esperança parecia estar vencendo o medo.

E a pizza? A pizza estava deliciosa. A vida estava deliciosa.

Crisol

O que eu procurava
Em mim já existia
E se transformava em poesia
A todo instante

Um universo inteiro
A lua e o sol
Na vida um crisol
De tudo que é verdadeiro

Vivos e gritantes
Os abraços e os beijos
As paixões e os desejos
As taças que já bebi

Todas as minhas vísceras
As tristezas e os medos
As confissões e os segredos
O amálgama de mim

Era essa a minha loucura
Procurar o que eu já tinha
O que em mim se aninha
O que estou disposto a oferecer

É tudo gratuito
Pois nada tem preço
Porque tudo que ofereço
É porque só sei ser assim.

Seguindo em frente

Uma coisa que eu aprendi é que para cada pergunta que já fiz sobre a minha vida, antes mesmo da pergunta ter sido formulada, já havia uma resposta. E a resposta estava ali, bem na minha frente, apenas esperando a pergunta correta ou mesmo adequada para emergir.

E pensando sobre isso, me dei conta que já tive medo de fazer certas perguntas por ter medo de me deparar com as suas respostas. Sim, essas mesmas respostas que eu dizia que procurava. A questão é que de fato as dúvidas não existiam. O que existia era um mecanismo de defesa, pois ao não fazer as perguntas eu podia dizer que desconhecia ou mesmo que não sabia das respostas.

Quanta tolice! Quanta imaturidade! Quanto tempo perdido em questionamentos intermináveis, até mesmo quando o óbvio insistia em se fazer presente. Quanta energia desperdiçada! Quantos “socos na parede” apenas para perceber que a parede não se importava com meus socos e permanecia completamente indiferente à dor em minhas mãos, à dor em minha alma, em meu coração. Minha dor e de mais ninguém.

Admitir que eu não sabia lidar com algumas respostas (i.e. a verdade) foi um dos processos mais dolorosos que já tive que enfrentar na minha vida. E até para isso já existia uma resposta:

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” – João 8:32

E assim, percebi que talvez eu não quisesse me libertar. Talvez eu apenas quisesse que as coisas não fossem como elas realmente eram. Talvez a esperança de que algo mudasse fosse grande e forte o suficiente para me fazer pensar em esperar até que a resposta mudasse. E muitas vezes eu fiquei esperando, esperando, esperando…

Seria, então, a esperança algo ruim? A esperança paralisante é. Algumas vezes, tudo que precisamos fazer é olhar para Deus e dizer: “Toma! Isso é grande demais para eu resolver!” E assim seguir em frente, na certeza de que as coisas serão como tiverem que ser. O que seria a fé senão isso?

Ainda tenho medo de algumas respostas – que isso fique claro, mas também tenho esperança. Não necessariamente a esperança de que algumas respostas mudem, mas a esperança de que encontrarei em meu caminho meios que me façam ir adiante mesmo diante de respostas com as quais não sei lidar (ainda).

E que assim seja. Eu tenho fé e isso é tudo que eu realmente tenho.

Cappuccino

Eu também tenho medo
E isso é um segredo
Só para você

É que quero tanto
O teu aconchego
E aí, então
Eu fico com medo
E isso é um segredo
Só para você

Vai que dá tudo certo
Ter você por perto
E eu de peito aberto
Sorrindo com o coração

É que quero tanto
O teu desassossego
E aí, então
Eu fico com medo
Mas isso é um segredo
Só para você

Vai que sua cor de cappuccino
Eu já não sou mais um menino
É você meu último destino
E eu nao vou poder dizer não

É que quero tanto
O teu beijo e teu dengo
E aí, então
Eu fico com medo
Mas já não é mais um segredo
Só para você
(nem para a torcida do Flamengo).

Mil sóis

Sinto a tua presença em tudo
No todo
Nas partes

Não caminho mais sozinho
E nem caminho para esquecer
Porque tudo que sei fazer é lembrar

Vivo silêncios ruidosos
De onde brotam infinitas declarações de amor
Desejos e vontades reiteradamente confessos
Saudades que não são doridas
Vida que é viva
E que me faz acreditar
Que minha própria vida
Ficou de pé e pôs-se a andar
A correr
A voar!

Não mais me anseia o futuro –
Estou ocupado demais com o presente –
Estrepitando sentimentos dormentes
Permitindo-me sentir e ir
Sem receio
Sem medo
Imerso em mim
Ardendo feito mil sóis.

Amar outra pessoa, mas não ter coragem de deixar o parceiro

Alguns acreditam que é mais fácil abandonar do que ser abandonado, mas não é bem assim. Há circunstâncias em que se torna quase impossível deixar o parceiro, mesmo quando existe amor por uma terceira pessoa. São casos em que a culpa, o senso de dever ou as dívidas emocionais, reais ou imaginárias, impedem a pessoa de se afastar. É amar outra pessoa, mas não ter coragem de deixar o parceiro.

A possibilidade de terminar o relacionamento muitas vezes se transforma em uma encruzilhada para a qual não há saída. A pessoa percebe que não há mais amor, mas mesmo assim, existe uma série de fatores que a impedem de tomar uma decisão firme e romper a relação.

Esta situação não traz nada de positivo. Se isso não for resolvido a tempo e as medidas apropriadas não forem tomadas, é possível que se transforme em uma grande confusão que afete negativamente todos os envolvidos e não termine de maneira saudável.

“Você tem que aprender a levantar da mesa quando o amor não é mais servido”.

– Nina Simone –

Fatores que impedem a separação do casal

A culpa é a principal razão pela qual as pessoas têm dificuldade em deixar o parceiro, mesmo que estejam apaixonadas por outra pessoa. Esse sentimento surge porque você não quer ferir alguém que contribuiu com elementos valiosos para a sua vida. A ruptura vai machucar essa pessoa, e você não quer carregar esse peso.

Outra razão frequente é a dúvida, que acaba impedindo uma decisão. Nesse caso, a pessoa sente medo do que pode acontecer no futuro. Em muitos casos, apesar de não sentir mais amor, o conhecido é melhor do que aquilo que ainda não conhecemos. É então que surge a insegurança. “E se  der tudo errado? E se eu quiser voltar e ela não me aceitar?”

Também pode acontecer da pessoa delegar para a terceira pessoa a responsabilidade da resolução do problema. Espera-se que seja o “outro” ou a “outra” com quem já existe um vínculo amoroso ou não, que assuma o trabalho de pressionar, insistir ou “fazer alguma coisa” para que ela decida deixar o parceiro. Em última análise, a pessoa quer evitar a responsabilidade que essa decisão implica.

Não deixar o parceiro a tempo…

O que é realmente problemático no fato de não assumir a decisão de deixar o parceiro é que isso nos leva a situações confusas que causam muito sofrimento aos envolvidos. Muitas vezes, a pessoa pratica uma série de ações inconscientes que doem muito mais do que uma verdade no tempo correto.

As principais formas de expressar essa decisão adiada são as seguintes:

  • Violência psicológica. Sem perceber, a pessoa pode culpar o seu parceiro atual pelo simples fato dele existir e não permitir que ela esteja com essa outra pessoa por quem está apaixonada. Então, qualificará como ruim tudo o que o outro faz ou diz. Aumentará as críticas sobre seu comportamento e demonstrará uma atitude de aborrecimento.
  • A mentira e o engano. A culpa, indecisão ou também podem levar a um emaranhado de mentiras. A pessoa mente para o parceiro e para o seu novo amor. Age dessa forma para não deixar o parceiro de forma abrupta, mas também para não perder a outra pessoa. Não é uma maneira madura de adiar o inevitável.
  • Estratégias passivo-agressivas. Não são estratégias bem definidas, como tomar distância emocional ou lançar acusações indiretas ao parceiro. A pessoa se mostra aborrecida, mas não expressa isso claramente; esconde o verdadeiro conflito.
  • Deixar pistas comprometedoras. Consiste em deixar sinais comprometedores para “ser pego”. A pessoa deixa sinais da existência de uma terceira pessoa e do interesse que existe por ela, para que o parceiro perceba e seja ele quem termine o relacionamento.

As consequências de não agir com maturidade ao amar outra pessoa

Quando um relacionamento não termina no tempo certo, geralmente é doloroso para todas as partes envolvidas. O parceiro atual sente ou pressente aquela ruptura que flutua no ambiente. Vai procurar entender melhor o que está acontecendo. Mas se o outro não colocar as cartas na mesa, isso causará angústia, dúvidas e desconforto.

Nessas condições, o parceiro acaba não sabendo em que terreno está pisando e não terá elementos para tomar decisões. Isso dará origem a um grande sofrimento, a ilusões sem bases seguras ou expectativas inúteis. Esse tipo de jogo psicológico causa muito mais dor do que expressar de uma vez por todas o que está acontecendo.

O terceiro envolvido também é muito afetado. Ele não sabe se deve esperar que o outro resolva a situação ou simplesmente seguir em frente. Também pode experimentar inseguranças e desconfianças, que não é a melhor forma de iniciar um novo relacionamento.

Por tudo isso, não deixar o parceiro na hora certa é, basicamente, um sinal de egoísmo e indolência. É evitar o seu próprio desconforto, provocando o sofrimento dos outros. Mas você também pode se machucar com essa situação. Os medos, as indecisões e a falta de compromisso consigo mesmo geralmente cobram um alto preço.

Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br/amar-outra-pessoa/

Meus comentários: Desse mal eu não morro.

Breadcrumbing, a última moda para terminar com alguém

Destemendo-me

Longe da presença dos outros

Diante da minha inevitável presença

Tornaram-se inadiáveis os questionamentos

As razões de ser, de viver

 

Quem sou?

Por que sou?

Por quem sou?

Será que sou por mim?

 

E em meio ao bombardeio de perguntas

Jorram aos borbotões as respostas

E sobre elas pairam dúvidas:

Será que eu mesmo as forneci

Ou será que só as repeti

Como tantas outras vezes fiz?

 

Passou da hora de eu mesmo me conhecer

Por mim

Eu devo isso a mim

É corolário para a plenitude da minha vida

 

Prefiro viver cheio de verdadeiras dúvidas

Do que repleto de falsas certezas

Quero as cartas sobre a mesa

Quero os pés no chão

Quero mudar ou formar opinião

Quero transformar os pesos em leveza

E desfazer todas as ilusões

Estoura-las feito bolhas de sabão

 

Não é possível fazer isso sem dor

Sem definitivamente me responsabilizar

Sem aceitar as coisas como são

Sem perdoar-me e sem pedir perdão

 

Não fui nem tão bom e nem tão ruim

Nas mais diversas situações

Eu simplesmente fui o que sabia ser

E toda essa minha derradeira imperfeição

Aqueceu e acendeu meu coração:

Há muito para conhecer

Muito para desaprender

Muito para evoluir

 

Ainda estou em processo

Não cheguei ao fim

Sequer sei se já cheguei ao começo

Mas, hoje, já posso afirmar:

Um dia, eu já temi a solidão

E só a temia por temer-me.