A verdade cura

A verdade é um remédio difícil de engolir, mas é um remédio necessário.

Parecia-me óbvio que a verdade seria capaz de alterar o meu futuro, mas acabei me dando conta de que a verdade também é capaz de alterar o meu passado. Minhas lembranças e minhas recordações mudaram na medida em que a verdade me visitou. Detalhe: ela veio de mala e cuia.

Revi cenas. Revivi momentos. E fui do amor ao ódio, e depois do ódio ao nada. Absolutamente nada. Nada. Nenhum receio ou porém.

Mas ainda assim, tudo que vivi permanece bom e útil de alguma forma. Aquele perfume continua sendo bom. O tesão, a paixão e a putaria também. Idem para os assuntos, os papos, as ideias, os planos, as comidas, as bebidas, as músicas e os dias. Viver o presente sem nada por entender, resolver ou esquecer é uma desintoxicante profilaxia.

A vida é boa. Vida que segue e está tudo bem. Que eu encontre por aí muitas outras doses desse remédio. Já não temo mais nada. Absolutamente nada. Nada. Nenhum receio ou porém.

One Way Blues

Mais uma música das antigas… Aos poucos, resgato todas!

One Way Blues

De manhã bem cedo
Eu levantei para tomar café
Me olhei no espelho
É, eu já estava de pé
Pensei em tomar uma cerveja
E me lembrei de você
Minha maior ressaca
Meu maior prazer

[REFRÃO]

Você me pegou
Como quem pega uma cerveja
Bebe todo o conteúdo
Quebra o casco sobre a mesa
E diz eu paguei:
Por uma cerveja one way
One Way Blues…

É, não tem problema
A minha vida sempre foi assim
Mil roteiros, mil viagens
Que sempre tiveram o mesmo fim
Pensei que você fosse um anjo
Que me desse muita luz
Mas você foi só uma cerveja
Foi apenas mais um blues

REFRÃO

SOLO

Pode ficar despreocupada
Se é que você se preocupa
Qualquer coisa, você é sempre esperta
Inventa logo uma desculpa
Os cacos de vidro
Que tanto cortam eu já limpei
E já arrumei pra mim
Outra cerveja one way

REFRÃO

SOLO SEM FIM…

Caprices, Opus 1, No. 24 – Nicolò Paganini – por Su Meng e James Ehnes

– Fala! Curti muito aquela música que você me mostrou! Me manda as cifras?
– De qual música você está falando? A do Paganini?
– Sei lá! Aquela música clássica ou sei lá o quê…
– Ah! Então, você não quer as cifras… Quer a partitura, né?
– Aquele papel cheio de bolinhas? Nah… Manda as cifras! Muito mais fácil!
– Hum… Vou fazer melhor, então. Vou te mandar um vídeo. É só prestar atenção e fazer igualzinho no seu violão, beleza?
– Show! Era isso que eu queria. Vou tirar a música ainda hoje!
– …

Eis o vídeo:

Versão original para o violino

Vitrola

Deixa aquela música tocar

Ressonar

Reverberar

 

Deixa os sons

As frequências

As vibrações

As lembranças

As sensações

Deixa…

Nada disso vai parar

 

Aquela música vai tocar

Para sempre

Na vitrola da mente

E esta nunca há de quebrar.

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Pés na Sarjeta

Blues de minha autoria. Se eu não me engano, de 1998.

 

Pés na Sarjeta

 

Ouça esse blues

Como quem houve uma despedida

Pois do fundo do meu coração

Não te quero como amiga

 

Já te tive em meus braços

Já vi você gritar por mim

Te ver sem te ter

É decretar meu próprio fim

 

[Refrão]

Não se preocupe

Eu já sei me virar

Mudam os nomes e os sobrenomes

Mas a história é a mesma:

Uma garrafa de whisky e meus pés na sarjeta

 

Diga pros outros

O que disse para mim

Talvez eles acreditem

No seu papo de mulher de botequim

 

Já estou cansado

Das tuas mudanças de humor

Quero sangue, quero carne

Quero amor, quero ardor

 

[Refrão]

 

[Solo]

 

[Refrão]

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Sangrando – Gonzaguinha

Eis uma música que eu gostaria de ter feito…

“Sangrando”
(Gonzaguinha)

Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo aquilo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

Partituramente

Durante um ano inteiro

Executamos a nossa música

 

Lembra?

 

Mais ou menos assim:

Eu te amo

Água na boca

Delícia

Saudades

Gemidos

Voz rouca

Cheiro, calor, sabor, comichão, sufoco

Só para economizar reticências!

 

Transcrita

Minha partitura

Minha mais essencial

E atemporal

Essência

 

Ao longe

A melodia

O ritmo

A harmonia

O clássico

O meio sem jeito

Mas acima de tudo

Pretérito

Presente

Futuro

Muito mais do que perfeito.

corpo

Anjos do Asfalto – O Sol – 1991

E aí, você acorda em uma segunda-feira qualquer, e um amigo (vocalista da banda na época e seu padrinho de casamento) posta na sua timeline do Facebook uma gravação em vídeo de um show que fez com você em 1991… Sem palavras!

Eu tinha 19 anos… Só 19 anos. Muita história nessa música!

Banda: Anjos do Asfalto (Cacau, Fabinho, Fabio Ottolini, Raul Silveira Simoes, Granamyr)

Música: O Sol

Autores: Cacau Hausen e Fábio Ottolini

Local: Duerê – Niterói/RJ

Ano: 1991