Tempo, tempo, tempo…

Que tempo é questão de opção

Isso não se discute

E se digo que para certas coisas há tempo –

Digo para estas coisas sim! –

E se digo que para outras coisas não há tempo –

Digo para estas coisas não!

 

Não há meio termo

E é importante esta questão:

Sem se falar abertamente

Diz-se muito

Emite-se uma certidão

 

E dando tempo ao tempo

Descobrem-se todas as verdades

Observando-se o todo

Evidenciam-se as obviedades

 

Tempo, tempo, tempo

De prisão ou liberdade

Que segue sempre em frente

Alheio à toda e qualquer vaidade

 

Tempo, tempo, tempo

De indiferença ou reciprocidade

Tempo que leva e tempo que traz

Gélido esquecimento ou torrencial saudade.

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Tudo na vida é uma opção

Fugindo dos olhos

Da voz

Do toque

 

Mantendo-se distante

Olhando de longe

Ou mesmo nem olhando

 

O Sol

A Lua

O mar

Não precisam de anuência para existir

 

Há coisas que simplesmente existem

E que são como são

 

A recusa

A negação

O não dito em detrimento do sim

O sim dito no lugar do não

 

E a vida passa…

Cheia de possibilidades

De escolhas

Tudo na vida é uma opção

 

E diante de toda mentira explícita

Há uma verdade enclausurada

Clamando por atenção.

verdades

Olhos de outrora

Por ora, moça,

Enxuga teus olhos e vai.

 

E mais adiante,

Quando estiveres menos ofegante,

Espero que entendas

Que a vida se esvai

Nas pequenas doses de morte

Que ingeres a todo instante.

 

O sim e o não –

Não ditos –

Mau ditos…

Malditos!

Cansativos

E maçantes.

 

E teus olhos,

Hoje opacos e distantes,

Sequer relembram os olhos de outrora,

Quando descobriste que eras –

Ainda que por lapidar –

O mais lindo dos diamantes.

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Mais uma lição

Nos momentos ruins

Nos dias ruins

Quando tudo e todos

Quero simplesmente esquecer

Sei que neles estão

Tudo que devo aprender

 

O que fiz?

Por que fiz?

O quanto fiz para chegar até ali?

Obra do acaso

Ou será que tudo eu simplesmente permiti?

 

E lembro-me que sou responsável

Diretamente responsável

Pelos rumos de minha vida

No excesso

Ou na carência

De sins e de nãos

Colho o que plantei

A vida é assim

Não há perdão

 

E quando penso que cheguei ao chão

Surge-me Deus

E acaba com minha sofreguidão

Será que desta vez

Aprendi de fato a lição?

 

Pelo sim e pelo não

Em nome do talvez

Aceito sem porquês

Minha sina

E nutro por ela

Enorme e infinita

E ainda assim aflita

Gratidão.

conformar

Vida post mortem

Já dissemos tudo

Já dissemos nada

Já planejamos tudo

Já planejamos nada

E nossa roda gigante

Com aclives e declives

Dignos de um conto de fadas

Navegamos por risos e lágrimas

Nunca dantes defloradas

E entre ervas daninhas

Monstros e espinhos

Nos perdemos no caminho

Mas insistimos nesta telúrica

E epopéica jornada

 

Dissemos não para o sim

E sim para o não

Acorrentados pelos grilhões amor

Quer seja no prazer ou na dor

Edificamos nossas próprias prisões

Cativos de nossos próprios corações

Somos os sobreviventes

Crentes e carentes

Desse nosso mundo real

Em nada imaginário

 

Que a felicidade nos alcance

Que tudo seja vida post mortem

E que o medo seja esperança

Que sobre em nós a alegria das crianças

Quer seja nas madrugadas fogosas

Ou em para lá de inesquecíveis prosas

Nosso amor é assim:

 

Nunca talvez!

 

Há dias que não

Há dias que sim.

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Prolixo e dramático

A gente tinha

Eu te tinha

Tinha

Tenho mais

Sim ou não

Pergunta ou exclamação

Certeza ou indagação

E no meio dessa confusão

Pelo sim, pelo não

No talvez

Nos mil porquês

Não foi por querer

Essa azucrinação

 

Pára, cérebro!

A razão

É em vão…

Mais um café

O bicho de pé

Sim, sim, sim

Não, não, não

Aliteração?

Prolixo e dramático

Coração.

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