Alquimista

Você era uma ilusão

E eu o ilusionista

A culpa é minha, admito:

Eu fiz chumbo reluzir feito ouro

Fiz de migalhas grande tesouro

Fiz do meu sangue vinho a ser bebido

Fiz das minhas vísceras prato a ser servido

Em um banquete de mentiras venéreas

Cujos convidados eram loucos varridos

E demônios narcisistas ali dançavam:

Senhores das trevas orgulhosos e envaidecidos.

NUNCA

Eu me lembro do quanto era fantástico fazer amor com você
Você dizia e fazia que me amava, e eu a amava integralmente, totalmente –
Parecia que de fato nos amávamos –
E todas as vezes que nos deitávamos era assim

TODAS

Cada toque meu em seu corpo, por mais safado e absurdo que fosse
Também era sempre um profundo gesto de amor e reverencial respeito
Fui fiel a você em toda e qualquer circunstância
Mais do que isso, fui fiel a mim e a meus sentimentos
Você era para mim a personificação do sagrado feminino

SEMPRE

Mas, se aquela com a qual me deitei tantas vezes era só uma projeção ou espelhamento dos meus desejos
Uma persona criada para tirar de mim o que eu sou capaz de ser e fazer somente quando amo e acredito que sou amado
Sou obrigado a reconhecer que eu jamais me deitei ou fiz amor com você
E as consequências disso são inevitáveis e inadiáveis:
Em tempo algum me teve ou foi por mim amada de verdade: sequer sei quem é você

NUNCA.