Noite Cinzenta

Bom, essa foi a minha primeira poesia. Mais uma autoral, portanto.

Noite Cinzenta

Que nesta noite tu esqueças,
Entre nossas diferenças,
Nossos medos e nossas
Alucinações.

Como um véu meio cinzento,
Minha sina, meu tormento,
Névoa espessa em nossos
Corações.

Em um mar cheio de luz,
Espero por ti, meu sonho.
Em um mar cheio de luz, jaz o meu
Viver.

Na linha do horizonte,
Jorra brisa, uma fonte,
Sentimento forte,
Desilusão.

Da tua boca ouço sofrimento,
Areia seca, sem alento,
Faca afiada no teu jogo de
Sedução.

Com olhar sempre viril,
Vem aqui, vem me mostrar,
Que tu és forte, mas também, tu sabes
Amar.

Força da natureza,
Estrela de rara beleza,
Cai pendente, sem causar
Destruição.

Força do infinito,
Acende a luz, atende à meu grito,
Confiante, grito de
Paixão.

Que se faça em mim,
O teu desejado.
Que se acenda em mim,
Teu fogo gelado.

Glória à ti, princesa,
Me inunda com tua luz.
Nos amamos, mas no meu coração,
Solidão.

Me digas de uma vez,
O que sentes por mim?
Me digas de uma vez,
Pois te amo.

Me digas de uma vez,
O que sentes por mim?
Me digas de uma vez,
Que me amas.

Me digas de uma vez,
Por pior que seja,
Ou possa vir a ser,
Mas simplesmente digas,
Pois teu silêncio, é como a morte
Enfim…

2013-01-16 004

O que as palavras não podem dizer

Sim, eu te amo
E te quero cada vez mais,
E sempre que eu te chamo
Espero que venhas diferente,
Mais pura, mais leve, mais solta,
De preferência, sem muita roupa,
Pois não haverá muito tempo para resistir.

Fecho os olhos e recebo teus beijos:
Sinto teu cheiro em mim.
E me satisfaço em saber que meu desejo
Está como veio ao mundo,
Exatamente diante de mim.
Sim, meu desejo tem voz
E nesse momento que estamos à sós,
Te possuo com gritos e berros,
Te rasgo com palavras doces,
E tudo de bom que a vida me trouxe
Eu despejo dentro de ti.

Inundo-te feito rio doce, melado,
Nenhuma destruição, só prazer.
Ao mesmo tempo que descanso,
Tua vontade eu agiganto
Beijando, sem pressa,
As portas do teu céu,
Fazendo com que teu contorno se mostre,
E minha congruência mais uma vez invoque,
Mostrando o tanto que quero em ti.

E se feito um número peço que fiques,
E que sem medo te entregues para mim,
Te mostro o que ainda não experimentaste,
E a mistura de dor e prazer em tua face
É o prêmio maior que recebo
Desse momento que vicia,
Marcando definitivamente minhas fantasias,
Quando por sobre seu ombro
Vejo o que tu não precisas dizer.

Sim, sei que te sentes mais mulher agora
E sem dúvida me sinto também mais homem.
Chegastes onde querias,
E no teu rosto, inigualável imagem:
Vejo meu prazer brilhar em ti!
Teu gosto definitivamente meu,
Como se fosse minha própria saliva,
Que sem pressa cristaliza
O quanto que ainda preciso te ter.

Sim, somos puro prazer…
E dentro de nós resta a esperança
De mais um dia, mais uma noite…
Sempre mais, cada vez mais,
Não há nada melhor do que sermos um único corpo.

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Noite

Noite misteriosa

Sem brilho

Jocosa

Que chuta cachorro morto

Até não haver mais corpo

Para um funeral digno

 

Noite traiçoeira

Sinuosa serpente

Sorrateira

Que inocula seu veneno

Que deixa o corpo fervendo

E parte! Sem se despedir

 

Noite chuvosa

Propositalmente onírica

Lírica

Jorrando em borbotões

Tira o ar de meus pulmões

E me afoga em minha teimosia

 

Noite inesquecível

Deliciosa gastura

Loucura!

Mas se tiver que ser

Render-se-á o alvorecer

A esta carestia mundana.

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Martírio

As horas avançam

E a necessidade encrustrada desperta

E revela planos

Tramóias e enganos

Verdades incompletas

Que não escondem

A porta que deixas aberta

Em teu peito

Durante a noite

Onde me escondo

Deliciosas descobertas

 

E no teu sussurro desconexo

No teu gemido que sai rouco

Nas marcas que deixas em meu corpo

No teu vigor que me deixa louco

Entrego-me

Renego-me

Nossa unicidade plena

Não é doxa ou paradoxa

É teorema

 

E nessas sessões de tortura consensual

Reciprocidade arreganhada

Desavergonhada

Toques e retoques

Tudo pleonasticamente abissal

Fazemos-nos homem e mulher

E que seja feito o que o universo quiser

Desse fogo que nos rasga

Nos assa e amassa

Enquanto nos comemos à colher

 

E a manhã que chega úmida

Fronhas e lençóis

Que escorrem

E que nos fazem lembrar

Que não há melhor prazer na vida

Que por a roupa de cama para lavar.

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E se…

E se você fosse

Deixada aos terrores da noite

Sem nada entender

Em uma encruzilhada da vida?

 

E se suas respostas

Virassem perguntas

E não houvesse ninguém

Sequer para ouvi-las?

 

E se aquele delicioso vinho

Suave e inebriante

Ficasse seco de repente

E tivesse que bebê-lo sozinha?

 

E se a cama vazia

Seca, inerte e nua

Com lençóis gélidos

Fosse unicamente sua?

 

E se suas lágrimas

Alcançassem o chão

Formando imensas poças

Antes que alguém tentasse entendê-las?

 

E se o seu grito dorido

Vomitado do peito

Fosse ignorado

Ou mesmo esquecido?

 

E se o seu nome

Repetido tantas vezes

Em tantos tons e texturas

Fosse completamente esquecido?

 

E se…

Você pudesse evitar tudo isso?

E se…

 

Eu não sei

Nem você

Espero que jamais saibamos

Espero que seja só um

E se.

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Em nome de Deus

Se fui capaz de sobreviver

Aos horrores da noite

Haverá vitória retumbante

Durante o dia que se inicia

 

Por mais que me açoitem –

Mil demônios e seus látegos! –

Diante do senhor meu Deus

Minh’alma tem valia

 

Com o coração ferido

Cansado, exaurido

Apronto-me para a batalha

Ainda não fui vencido

 

E se por azar ou sorte

Meu corpo for trespassado

Que não chorem os meus

Pois Deus estará ao meu lado

E eu não temo a morte.

 

Porque ainda um pouquinho de tempo, E o que há de vir virá, e não tardará.
Hebreus 10:37

 

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