Distante

Quem é você?
Onde você estava,
Quando nosso amor morreu
E de nós não sobrou nada?

Saia dos meus sonhos!
Largue a minha mão!
Porque eu quero voar
E ser poeira na imensidão.

Que sejam lugares distantes,
Onde nada aconteceu,
Onde nunca existimos,
Onde nunca fomos você e eu.

Me deixa gritar
Os gritos que ninguém ouve,
Me deixa entender
Que o amor sempre esteve longe.

Dói demais dizer
Adeus para o que não existe,
Saber que eu era seu
E que por isso eu era triste.

E se você nunca mais me ver,
É porque me tornei invisível,
Andando leve pelas nuvens,
Sonhando com o que é possível.

Talvez seja melhor assim,
Eis aí o meu destino,
E esteja eu onde eu estiver,
Estarei abraçado comigo.

Eu rumo

Hoje, reparei nas nuvens

Há tempos não fazia isso

Céu azul de inverno

Nuvens como se fossem de algodão

Sendo levadas pelo vento

 

Deixou-me curioso a sua leveza

Enquanto nuvem, à mercê do vento

Indo como se soubesse a direção

Ignorando sua própria existência

Seu motivo e razão

 

Nuvens claras nos dias de sol

Escuras nos dias de chuva

Livres

Felizes

Indo para não se sabe onde

 

E pensei que eu também gostaria de ser nuvem

Eu queria ir…

Ir…

Mundo afora, sem porque ou motivação

Descobrir aonde o vento faz a curva

E ser insubstancial, nada urgente

No inverno e também no verão

 

Mas há quem nasça para ser nuvem

E há quem nasça para ser vento

 

Eu sou vento!

 

Da brisa suave

Até qualquer grande tormenta

Eu carrego

Eu levo

Eu movo e removo

Eu faço o que tiver que ser feito

Eu simplesmente não me contento.