Obviedades são bem-vindas

Não me diga

Que eu não disse

O que foi dito

Tantas vezes.

 

Nem sempre com palavras,

Porque atitudes são mais explícitas:

Quem quer ficar, fica;

Quem quer comer, come;

Quem quer viver, vive;

E quem quer ser, é;

É tudo uma questão de querer.

 

E eu era tão óbvio…

Nas palavras e nas atitudes.

Eu as repetia,

Dia e noite, noite e dia,

Feito desfazer e arrumar a cama.

 

E hoje,

Depois de tanto dizer e agir –

E obviamente cansado, confesso –

Quero ser ainda mais óbvio:

Da vida espero obviedades também.

obvio-ou-obvio-ou-obivio-ou-obivio

Macacos me mordam!

Ainda que o óbvio não precise ser dito

Sendo o léxico de nosso coração mutável

Se torna indispensável reafirmar o óbvio

Sob pena, obviamente, da perda de sua obviedade.

macaco

Absortos ou loucos

Já não há mais dúvida

E tenho medo da certeza:

Não quero só tua beleza

Quero-te toda, na cama e no chão

 

Se nem eu mesmo sei explicar

Como podes insinuar

Que na complexidade do meu pensar

Não sei o que de fato sinto?

 

Rasgas meu coração quando duvidas

Do que é tão óbvio e certeiro

O que tenho de mais verdadeiro

E que carrego sempre comigo

 

Escarras no nosso amor

Como se este fosse uma calçada qualquer

Somos homem e mulher – sabe disso!

E é prudente que nenhum de nós se pise

 

Impávido e colossal amor

Incêndio que nunca se extingue

Que o destino de nós não se vingue

Por sermos tão absortos… Ou loucos.

loucura

Desobvializando

Não espere de mim o óbvio

O óbvio está em todos

Em todas as esquinas

Não quero ser só mais um

 

Para deixar claro:

Se for para ser mais um

Não faço questão de ser nada

Sei e não abro mão do meu valor

 

Ando cansado desses jogos

Dessas coisas babacas do amor

Perde-se tempo em disputas inúteis

Onde nunca há vencedores

 

O amor é para ser sentido

E não para ser raciocinado

Se cada passo é calculado

Pode ser tudo, menos amor

 

Amor é liberdade

É asas, é sonhos

Não tem nada de óbvio

E por isso eu amo.

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