Deixa eu te contar…

Deixa eu te contar…

Fui embora querendo ficar

Queria voltar

Sei lá!

Cismei com essa coisa de te amar

 

Não largo mais o celular

Que grita

Apita

Crepita

Explicita

Esse vício que virou te amar

 

Mas não é só no celular…

É no corpo

No coração apertado

Nos olhos vidrados

No discurso emocionado

No tesão reprimido

Boca, pescoço

Nuca e ouvidos

Não se trata de castigo

É só essa mania de te amar

 

Amo

 

Já aceitei essa parte

 

Amo

 

Já aceitei essa parte!

 

Sendo coisa, vício ou mania

Se reafirma como poesia

Inspira

Desvela fantasias

No teu amor encontrei alforria

Mas no fundo ainda sou escravo

E ainda assim descarto qualquer agravo

Posto que não quero mais minha alma vazia.

bom-dia

Áspera vida

Áspera

À espera

A vida

Quem me dera

Ter-te aqui

Agora

Afinal

Seja como for

Sempre antes

Nunca depois.

Por inteiro

Nunca fugi de ti

Sempre fugi de mim

 

Em teus braços

Descobri-me

Vi-me

Pela primeira vez

E o eu que existia

Destronou-se de mim

 

Percebi com clareza

O quanto eu era “meio”:

Meio feliz

Meio realizado

Meio completo

Meio inteiro

Meio vivo

Eu era só metade

Metade de mim

 

Não aceito!

Não quero mais ser meio

Quero ser inteiro

Viver intensamente

Ser potencialmente

Tudo que de fato sou

Tudo que jazia absorto

Talvez morto

Dentro de mim

 

Processo irreversível

Ainda mais agora que sei

Que somente juntos

Tu e eu somos infinitos

Nas risadas

Nas lágrimas

Nos pensamentos

Nos carinhos

Nos gemidos e gritos

 

Somos o nexo causal

De vidas plenas

Destino presente

Transparente

Certo

 

E para deixar claro

Em fugir

Já nem penso mais

Pois já não há mais paz

Em fugas e atalhos

Que me levem

Para longe de ti

 

Em teus braços

Encontrei o aqui

O agora

Só te peço que sem demora

Permita-me ser inteiro

Teu inteiro

Permita que sejamos

O tu e eu verdadeiros

Por fim e sem fim

Derradeiro.

infinityproof

Tic-tac

Posto que quando se ama

A distância se mede em metros

Mas em horas, minutos, segundos…

 

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac…

paciencia-aprender-que-tudo-tem-o-seu-tempo

Desmascarando

Máscaras…

Já não te valem mais nada

Caíram

Despedaçaram-se

Simplesmente sumiram

 

Vi teus olhos marejados

Na despedida

As gargalhas desmedidas

Abundantes fagulhas e centelhas de vida

O teu olhar de admiração

Que fez tua alma ficar despida

Teu corpo contraindo-se em turbilhão

Enquanto repousas em mim, exaurida

 

Foram-se todas as máscaras

Mas tu não podes

E nem queres ir mais:

De que adianta ires só de corpo

E tua alma ficar para trás?

 

E quanto as minhas máscaras

Como bem sabes

Nunca as tive:

Na presença ou na ausência

No sorriso ou no pranto

O amor por ti eternamente reside.

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