Sem palavras

Você me conquistou no dia em que eu precisei ir
E sem palavras você me disse: “eu te espero”

Acabei por voltar de onde nem era o meu lugar
E sem palavras você me disse: “eu te quero”

E por fim, trocamos olhares tomando vinho no chão da sala
E sem palavras você me disse: “eu te amo”

Estou até agora sem palavras
E eu não sou de ficar sem palavras

Mas mesmo que eu tivesse todas as palavras
Meu coração resiste e ao mesmo tempo insiste
Para que eu lhe diga sem palavras: “eu também”.

Se eu pudesse…

…dar um único conselho a alguém, seria o seguinte:

Nunca confie em palavras,

Em textos,

Em rimas,

Em versos,

Em músicas,

Em declarações de amor.

Confie em atitudes e somente em atitudes. Confie na sua voz interior quando esta suspeita que há algo errado. Repare nos detalhes. Se atitudes e palavras não convergem, acredite nas atitudes. Sempre.

Porque a vida é assim: cheia de gente que promete mundos e fundos, mas que na prática, ou seja, nas atitudes, faz o que é diametralmente oposto a isso.

Já passou por essa situação? Não se culpe por acreditar em quem não merecia crédito algum. Isso é um problema de caráter da outra pessoa, que não tem nada a ver com você.

Não deixe de acreditar no mundo por conta disso, ok? Fica a lição, e todos nós viemos ao mundo para aprender.

Em busca da verdade

O amor não é a foto no Instagram

É o que faz a foto precisar existir

Não é a mensagem do WhatsApp

Mas a vontade de enviar a mensagem

Não é o coração do Facebook

Mas o sorriso indisfarçável por detrás da tela

 

O amor é sempre causa

Nunca consequência

 

Nunca vi um amor sobreviver só de palavras

De declarações

Nunca vi um amor sobreviver só de coisas grandes

Monumentais

O amor se retroalimenta de coisas pequenas

Da intimidade, da cumplicidade

Da atenção aos mínimos detalhes

Da generosidade e da sinceridade

Da desavença e do entendimento

Do perdão, da compreensão

 

O amor é pai de tudo que é bom

De tudo que na vida faz genuína diferença

 

E eu, como aprendiz de poeta

Digo que o amor não está nas minhas poesias

Mas no que não mostro

Aceito e sinto

Para mim, o amor é invisível

Mas eu sei

E como sei!

Que ele de fato existe

 

O amor é minha única verdade

E em busca da verdade eu sigo.

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(im)Perfeição

Procuro um ponto
Um momento no horizonte

Onde as minhas chatices
Sejam vistas como bem menores
Do que tudo de bom que sei oferecer

Onde as palavras de amor que eu disse
Reverberem nas centenas de poemas de amor
Que eu já tantas vezes escrevi

Onde minhas atitudes coadunem minhas palavras
E que sejam inventadas todas as palavras
Necessárias para explicar o que só sei viver e sou

Onde a minha insistência e paciência
Sejam vistas e acolhidas como saudade
Com a vontade de estar, de acolher, de aceitar, de querer

Onde o meu esforço, as minhas lutas
Sejam sinais de que quero ser melhor
E não de que eu ainda não sou bom

Onde os meus passos em falso
Sejam vistos como tentativas de acertos
Por mim e por tudo ao meu redor

Onde a minha bondade não seja questionável
Ou vista como permissividade
Mas como lealdade eterna e puro querer

Onde a minha fiel sinceridade
Seja vista como motivo de encanto
Posto que nada é maior do que o amor que carrego em mim

Onde as minhas noites de sono
Antecedam dias de lindas surpresas
De paz, de virtude, de reciprocidade, de empatia

Onde minhas preces façam sentido
Para que meu corpo todo seja ouvidos
Para as palavras de Deus

Procuro um ponto
Um momento no horizonte
Onde o amor que transborda de mim
Desague no peito
De quem quer tudo que eu já sou
E de tudo que ainda há de ser melhor em mim.

Eu sou só um ser humano
Tentando ser melhor todos os dias
Eu sou só um ser humano
Que mesmo imperfeito –
E deveras verdadeiro –
É feito do mais puro amor e alegria.

Hoje, já sou melhor que ontem

Já sou melhor do que quando comecei
A sentir e escrever essa imperfeita –
E deveras verdadeira –
Poesia.

Grandes detalhes

Sempre dei muita importância

Às palavras

Aos detalhes

Ao que foi dito

Gravado

Escrito

Reescrito

Prescrito

Proscrito

Até o infinito

 

Mas não se diz só com palavras:

Palavras sem lastro o vento leva

Feito barco à deriva

Que vagueia

Em direção aos rochedos

Na mais completa falta de perspectiva

 

Fica, então

O dito pelo não dito

Porque palavras sem atitudes

São feito barco impossível de navegar

Posto que até um porto

Terra firme

É imprescindível chegar.

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Obviedades são bem-vindas

Não me diga

Que eu não disse

O que foi dito

Tantas vezes.

 

Nem sempre com palavras,

Porque atitudes são mais explícitas:

Quem quer ficar, fica;

Quem quer comer, come;

Quem quer viver, vive;

E quem quer ser, é;

É tudo uma questão de querer.

 

E eu era tão óbvio…

Nas palavras e nas atitudes.

Eu as repetia,

Dia e noite, noite e dia,

Feito desfazer e arrumar a cama.

 

E hoje,

Depois de tanto dizer e agir –

E obviamente cansado, confesso –

Quero ser ainda mais óbvio:

Da vida espero obviedades também.

obvio-ou-obvio-ou-obivio-ou-obivio

Eu te procuro…

Minhas poesias de agora e de antes

Palavras ao vento

Pensar delirante

 

Até que ponto consigo precisar

E dizer o que é preciso?

Até que ponto consigo me calar

Diante do que carece de aparente nexo, juízo?

 

Eis minhas dúvidas de poeta

Que diante da felicidade e dor

Procura tão somente o que o coração sente

Posto que este só sente e é o mais puro amor.

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Ouvindo o silêncio

Silêncio, dentro de mim.
Sua voz que tanto me dizia,
Que em acordava, me benzia,
Se foi, junto com você,
No último dia que pude ouvir.

Ficaram as palavras mudas,
De quem jurou, prometeu, se entregou,
Amou, seduziu, gozou,
Que fim tudo isso levou?
Não sei, embora precise saber,
Tudo se silenciou.

Sou silêncio agora,
Pois já disse tudo que podia,
Tudo que havia, tudo que sentia,
Nunca, nunca, hipocrisia,
Tudo verdade, tudo perfeito,
O que eu tinha como meu grande direito,
Se apagou, se emudeceu.

Ouço apenas o cantar dos pássaros,
Que levam e trazem minha saudade,
Reafirmam a minha dignidade,
E me mostram em seu vôo
A liberdade, para ir e vir,
Encontrar meu caminho,
Entre pedras e espinhos,
Minha vida, meu prazer.

E mesmo que eu fizesse muita força,
Você, minha boneca de louça,
Se quebrou, se partiu.
Ninguém, ninguém sorriu,
E o mundo imaginou
O que você nunca admitiu:
Quando você se foi, silêncio,
Dentro de mim,
Mas muito mais dentro de você.

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