Há tanta coisa acontecendo

Há tanta coisa acontecendo
E eu aqui convencendo meus desejos
A desejar quem de fato me deseja
A não andar na contramão

Há tanta coisa acontecendo
E eu receando novos beijos
Que outrora já foram meus
Que deixei na mais pura escuridão

Há tanta coisa acontecendo
E eu diante do meu espelho
Olhando dentro de mim mesmo
Dizendo não ao sim e sim ao não

Há tanta coisa acontecendo
Os convite que finjo que não recebo
Que estão ao toque dos meus dedos
Que abrandariam toda sofreguidão

Há tanta coisa acontecendo…

Eu estou acontecendo
Crescendo e me fortalecendo
Libertando-me do passado
Por respeito a mim mesmo
E ao que de mais sagrado tenho:
Meu sincero coração.

Raiva? Não!

“Imagino a raiva que você está sentindo…”

Não, não imagina. Não há como se imaginar algo que eu não sinto.

Se eu tenho motivos para sentir raiva? Creio que sim. Muitos motivos até, mas quanto mais me aproximei de Deus durante a vida, mais me dei conta que carregar qualquer tipo de raiva dentro do meu peito só me prejudica. Não quero isso para mim.

Não controlo o que os outros fazem comigo, mas posso controlar como me sinto em relação ao que os outros fazem.

Permitir que as atitudes dos outros determinem o sinto é como dar aos outros o poder de sentir por mim e determinar como viver a minha vida, sendo essa uma prerrogativa exclusivamente minha de acordo com tudo que aprendi.

Não, não há raiva. Só há silêncio e perdão. É isso que faz bem para o meu coração. Sigo em frente a minha jornada.

Mais uma lição

Nos momentos ruins

Nos dias ruins

Quando tudo e todos

Quero simplesmente esquecer

Sei que neles estão

Tudo que devo aprender

 

O que fiz?

Por que fiz?

O quanto fiz para chegar até ali?

Obra do acaso

Ou será que tudo eu simplesmente permiti?

 

E lembro-me que sou responsável

Diretamente responsável

Pelos rumos de minha vida

No excesso

Ou na carência

De sins e de nãos

Colho o que plantei

A vida é assim

Não há perdão

 

E quando penso que cheguei ao chão

Surge-me Deus

E acaba com minha sofreguidão

Será que desta vez

Aprendi de fato a lição?

 

Pelo sim e pelo não

Em nome do talvez

Aceito sem porquês

Minha sina

E nutro por ela

Enorme e infinita

E ainda assim aflita

Gratidão.

conformar

Festa Julina: o perdão

Em 2000, meus amigos e eu fomos convidados para uma Festa Julina na casa do meu padrinho. Os convidados ficaram encarregados de levar algum tipo de comida e de bebida, no maior estilo festa americana. Ele forneceu o espaço decorado, mais comida e mais bebida (incluindo churrasquinho, salsichão e até a própria churrasqueira), uma banda típica, algumas barraquinhas com brincadeiras e uma fogueira linda! De fato, uma das melhores festas que eu já fui. As crianças ficaram enlouquecidas e os pais em êxtase!

O dia era perfeito. Inverno fluminense no seu auge (uns 15o Celsius), a família reunida, os amigos, os agregados… No total, eram umas 200 pessoas no terreno amplo e arborizado (e ainda assim arenoso) de uma casa em São José do Imbassaí (Maricá/RJ). Eu estava me sentindo em casa, e de fato estava… Havia muitas histórias antigas no ar para serem recontadas ad nauseam. E muitas novas histórias para serem vividas e recontadas no futuro, no maior estilo Dark (série alemã do Netflix).

Eu estava de namorada nova. Apresentei para os amigos e tal. Ela era muito gente boa, bonita, mas de vez em quando falava umas besteiras. Era meio sem noção, meio imatura por assim dizer. Numa dessas, durante a festa, falou uma besteira nada a ver sobre uma ex minha que estava na festa na companhia de seu novo namorado. Fiquei super sem graça e me afastei da roda de amigos para pegar mais uma cerveja. Foram inúmeras naquele dia.

A minha namorada percebeu que fiquei chateado. Veio atrás de mim pedir desculpas. Preferi aceitar, até para não queria acabar com o encanto da festa. Só que o pedido de desculpas e o meu aceite aconteceram na presença do meu padrinho. Ele interrompeu a nossa conversa e disse para ela:

“Nunca peça desculpas por algo que você tenha a intenção de repetir.”

Não entendi nada no momento, muito embora meu padrinho fosse (e ainda é) uma pessoa muito sábia. Voltamos para a festa e nos divertimos demais. Sem dúvida alguma, aquele povo todo reunido e a inocência dos meus 28 anos falaram mais forte do que qualquer outra coisa.

O ano agora é 2020. Nos últimos 20 anos, muitas vezes as palavras do meu padrinho ecoaram em minha mente. Eu não entendia exatamente o porquê, mas ela insistiam em permanecer. Quis a vida me ensinar o que elas significavam, e eu aprendi. Os detalhes do meu aprendizado são irrelevantes… Coisas da vida.

Não peço desculpas por coisas que não me arrependo, só para apaziguar a situação. Se eu fiz e não acho errado, por que pedir desculpas? Obviamente, vou conversar com a pessoa e explicar o meu lado, mas simplesmente pedir desculpas ainda que me considerando certo é algo inconcebível em minha vida.

Espero o mesmo dos outros. Fez alguma besteira e quer se desculpar? Eu sou todo perdão! Eu tenho essa qualidade: eu perdoo. Sei fazer isso de peito aberto e com o coração tranquilo. Mas que ninguém ouse confundir o meu perdão com permissividade. Como gostam de dizer os americanos:

“Me engane uma vez, a vergonha é sua. Me engane pela segunda vez, a vergonha é minha.”

Nunca deixe ninguém enganar você pela segunda vez. Corte. Se afaste. Pelo seu próprio bem. Amor próprio é tudo. E mais: nunca faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você, e muito menos seja canalha ao ponto de ficar inventando desculpas só para ter a chance de fazer tudo de novo.

Enfim… Os anos passam e eu continuo aprendendo a viver. A minha então namorada não durou muito na minha vida. Está por aí. Espero que esteja feliz.

Nossa Senhora de Fátima – Dia 13 de Maio

Hoje é Teu dia, minha mãe. Mãe incansável, carinhosa, justa e bondosa. Mãe que alivia meu coração pesado e enche minha alma de esperança. Mãe a quem entrego a minha vida e a de todos que amo. Mãe do Cristo, minha mãe.

Obrigado por tudo! Pelo que entendo e pelo que não entendo, na certeza de que Tu estás sempre no controle dessa criança espiritual que ainda sou.

Em Teu nome, para que intercedas junto a Teu filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, peço que que cuides, mais do que nunca, da humanidade, por ora tão aflita, na certeza de que Tuas graças e bênçãos sempre serão abundantes na Terra.

Faça de mim um servo de Deus. Faça de mim puro amor, perdão, compreensão, e tudo que houver de mais sagrado. Perdoa, em especial, as minhas falhas, assim como perdoo incondicionalmente e do fundo do meu coração a todos que, de alguma forma, não foram justos comigo. Que eu me reconcilie com todos estes, posto que não há em mim espaço para rancor e mágoa.

Cubra a todos com o Teu manto de amor, saúde, paz e prosperidade, minha mãe. Eu te imploro!

Eu te amo e te adoro, hoje, agora e sempre.

Ave Maria, rogai por todos nós!

Em busca da verdade

O amor não é a foto no Instagram

É o que faz a foto precisar existir

Não é a mensagem do WhatsApp

Mas a vontade de enviar a mensagem

Não é o coração do Facebook

Mas o sorriso indisfarçável por detrás da tela

 

O amor é sempre causa

Nunca consequência

 

Nunca vi um amor sobreviver só de palavras

De declarações

Nunca vi um amor sobreviver só de coisas grandes

Monumentais

O amor se retroalimenta de coisas pequenas

Da intimidade, da cumplicidade

Da atenção aos mínimos detalhes

Da generosidade e da sinceridade

Da desavença e do entendimento

Do perdão, da compreensão

 

O amor é pai de tudo que é bom

De tudo que na vida faz genuína diferença

 

E eu, como aprendiz de poeta

Digo que o amor não está nas minhas poesias

Mas no que não mostro

Aceito e sinto

Para mim, o amor é invisível

Mas eu sei

E como sei!

Que ele de fato existe

 

O amor é minha única verdade

E em busca da verdade eu sigo.

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Volta e meia

Perdão:
É aquilo que fui capaz de lhe dar
Sem você ter sido capaz de pedir

E fiz isso por mim:
Para que minhas memórias –
Nossas histórias –
Me invadam
E me façam sorrir
Coisa que volta e meia
Acontece
Sem querer
Ou pedir

Não
Eu não fui um erro
Não

Em silêncio
Pergunte de mim
Para o seu coração

Você sabe disso
E talvez justamente por isso
É que tenha tanto medo –
Tanto receio –
De sentir
E para si mesma pedir
Perdão

A vida segue
E o que é
Prossegue
Longe do toque
Dos dedos
Impresso na alma
E talvez
Mais vivo que nunca
Na negação

Volta e meia…
Volta e meia…
Volta e meia…

Alma limpa

Havia algo de despretencioso
No silêncio dos meus lábios
Nas batidas compassadas
No meu coração

Havia algo de belo
Na ausência das rimas
Na calmaria dos gestos
Nos meus pés no chão

Havia algo de precioso
Nas páginas dos livros
Nos filmes introspectivos
Na profunda reflexão

Havia algo de singelo
Nas brisa suave
Nos sonhos risonhos
No incondicional perdão

Havia algo
De novo
De novo
Eu havia.

Nossa Senhora de Fátima

No dia 15 de Fevereiro, na última sexta-feira, estive no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, que fica em Fátima, Portugal, acompanhado da família que por aqui tenho (sou brasileiro e português).

Deixei aos pés de Nossa Senhora todas as minhas angústias, meus medos. Reconheci minhas fraquezas e meus erros, e das vezes em que a falta de fé adentrou meu coração e o deixou frio. Pedi por mim, por meus familiares, e por todas as pessoas que eu amo. Mais do que isso: entreguei à mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, que também é minha mãe, o meu coração, o meu destino, na certeza de que muitas vezes sequer sei o que é melhor para mim.

E entre sorrisos lágrimas, na presença de tudo que há de mais sagrado em minha vida, pedi humildemente que as promessas do Cristo se cumpram em minha vida. E para isso, perdoei e pedi perdão, descartei meu orgulho, minha ignorância, e tudo que me faz pensar que existo sem Deus. Eu não sei, disse eu, mas Deus… Esse tudo sabe.

E saí do Santuário mais leve, menos dono de mim, com meu coração profundamente mexido e tocado. Senti a presença de Deus em minha vida, e percebi com mais clareza ainda que a entrega da minha vida e do meu futuro ao meu Salvador é a melhor e a única coisa realmente importante que posso fazer por mim.

Já não sou o mesmo que esteve em Fátima na última sexta-feira. Já não tenho tantas certezas e menos ainda a agonia que rondava o meu peito.

Em Deus eu renasci e em Deus eu novamente vivo. E que a vida que me espera seja como tiver que ser, na certeza de que há SEMPRE alguém por mim, por nós.

Obrigado, meu bom Deus, por me mostrar que minha fraqueza é força, e que meu coração, que tantas vezes sangra e chora, é cheio do mais puro amor que existe.

Ave Maria, rogai por todos nós!

Oração de Paz de São Francisco de Assis

“Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:

consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe.

É perdoando que se é perdoado.

E é morrendo que se vive para a vida eterna.”