A voz do coração

Há poesia em tudo

E se tudo já é uma poesia

Deve o poeta ficar mudo?

 

Não que me falte vocabulário

Mas como definir em palavras

O sorriso de uma criança

A leveza de uma bailarina

O vôo de um pássaro

O cheiro de uma rosa

A graça de uma joaninha

As nuvens

O céu

O vento

O mar

O amar

A vida…

 

Eu contemplo

E quando ouso escrever

É só para mostrar

Do que meu coração é feito

 

Tentar redefinir o perfeito?

Lamento

Mas nem de longe eu tento.

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Imperfeitamente perfeito

Diga-me quem és

Porque bem sei quem sou

Tenho todos os defeitos típicos

De quem se apaixonou

 

Não há sentimento de sua parte

Essa parte eu até entendo

Mas por que dizes ser imperfeito

O amor pelo amor que estou tendo?

 

Deixe-me amar, me apaixonar!

Faço disso disso tudo bom proveito

Não imaginas o que sinto ao acordar

E bradar: Deus, sou imperfeito!

 

O amor e a paixão são assim

Realizam-se na imperfeição

Não devem explicações a meu cérebro

Somente a meu pulsante e esfuziante coração.

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Você não é uma “receita de bolo”

Depois de ler alguns (vários!!!) livros de autoajuda, cheguei a uma conclusão decepcionante: muito se fala em melhorar os defeitos, e pouco se fala em fortalecer ou mesmo identificar as qualidades de um determinado indivíduo.

Vamos começar pelo básico: ninguém é perfeito. Logo, todos possuem defeitos e qualidades. Não há um único ser humano que só tenha defeitos ou que só tenha qualidades. O seres humanos são completamente híbridos. Defeitos e qualidades em maior ou em menor grau rpresentam o indivíduo e o fazem único.

Dito isso, desde quando ser do jeito A ou B passou a ser norma? Como dizer se a introversão ou a extroversão, que fazem parte do temperamento básico, são defeitos ou qualidades? Vai depender do contexto. Vai depender de quem observa. Não há certo ou errado. Há somente o que se é.

Os livros de autoajuda parecem mostrar que há uma espécie de “receita de bolo” ou arquétipo que torna uma pessoa mais ou menos sociável, mais ou menos atraente, mais ou menos correta, e por aí vai. Não é meu objetivo travar uma batalha com Jung, mas fato é que arquétipos são limitadores e geram a sensação de inadequação que muitos vem sentindo durante esse período turbulento da história da humanidade.

Dito isso, resta uma pergunta importante: quais são os seus defeitos e quais são as suas qualidades? O que te faz único? Em um relacionamento afetivo, por exemplo, será uma determinada característica de sua personalidade algo bom ou ruim? Obviamente, não há resposta correta e também não há “receita de bolo” que resolva isso.

E sabendo de seus defeitos e qualidades, por que parece que o foco, em geral, é apenas nos seus defeitos? Por que você se importa tanto com os defeitos dos outros? Não seria mais sadio e produtivo estimular o que as pessoas tem de melhor e, em momento oportuno, conversar sobre o que pode ser melhorado? Infelizmente, foco nos defeitos parece ser uma espécie de obsessão, tanto para quem tem os defeitos como para quem aponta os defeitos. Juízes não togados de porra nenhuma, por assim dizer.

E por que é importante, então, saber quais são os seus defeitos e qualidades? Porque partindo do pressuposto que não há “receita de bolo”, o que pode ser considerado um defeito por uns, pode ser considerado uma qualidade por outros. E se você não tiver a consciência de seus defeitos e qualidades, estará eternamente nas mãos de quem tem observa. Estará a mercê de julgamentos de pessoas que pouco ou nada conhecem sobre você ou sua vida, mas que se apressarão em defini-lo ainda que não tenham embasamento para isso.

Conheça-se. Reconheça-se. Não deixe que ninguém o culpe pelo que não é culpa sua ou que tente transformar em defeito o que é qualidade (e vice-versa). Se a beleza está nos olhos de quem vê, esteja sempre a procura de quem vê as suas qualidades com bons olhos, e que compreenda e ajude com seus defeitos.

Em tempo: o mundo seria um porre de todas as pessoas fossem iguais. Ainda bem que não há “receitas de bolo”. Que o “gado” fique com os arquétipos!

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