Ainda procuro

Ainda procuro aquele brilho

Que emana de seus olhos

Desde o dia em que eu te conheci

 

Ainda procuro aquele perfume

Aquele sorriso provocante

Eternidades

Nossas vidas por alguns instantes

 

Ainda procuro o nosso gosto

Procuro o nosso cheiro

Procuro seus braços

Pelo ânimo para levantar

Pela fragilidade para dormir

 

Ainda procuro aquela sensação

Aquela total falta de limite

Frio na barriga

Excesso e falta de apetite

Aquela vontade de estar para sempre ali

 

Ainda procuro lembranças

Doces, suaves

Esperança!

De estar e ser sempre por perto

Peito aberto

Todo mundo em nossas mãos

 

Ainda procuro…

Dia e noite, eu juro

Ainda procuro

Ainda te amo.

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Áspera vida

Áspera

À espera

A vida

Quem me dera

Ter-te aqui

Agora

Afinal

Seja como for

Sempre antes

Nunca depois.

Árvore da vida

Fui ali

Colher os frutos de nossas promessas

Do que prometemos sem prometer

 

Vi a árvore majestosa que plantamos

Mais viva do que nunca

Flores, frutos a nascer

 

E que perfume!

Inebriante, pujante

Dilacerante processo de renascer

 

Frio na barriga

Causa para lá de resolvida

Embora se insista no sobrestamento do viver

 

Sim, a árvore da vida

Cura todas as feridas da lida

É o Norte para onde tudo há de correr

 

E seus frutos

Impávidos, atemporais e resolutos

São a razão e o motivo da própria existência do ser.

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Efeito borboleta

Ouvi aquela música

Coloquei aquele perfume

Senti aquele cheiro

Fui naquele restaurante

Pedi aquela comida

Senti aquele gosto

Tomei aquele café

Vi aquele filme

Tomei aquele banho

Usei aquele sabonete

Folheei aquele livro

Pensei naquele assunto

Dormi daquele jeito

Sonhei aquele sonho

 

Sim…

Você sabe do que estou falando

Estava comigo para todos os efeitos

A saudade me faz replicar de longe

Todos os nossos cotidianos e banais feitos

 

Eu confesso! Eu confesso!

 

Meu maior e mais grave defeito

É deseja-la rotineiramente

No futuro do pretérito do presente perfeito

Nua…

Totalmente nua…

Batendo asas no meu leito.

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Um belo vestido

Um belo vestido

Uma bela festa

A melhor bebida

A melhor comida

 

Um coração rouco

De tanto gritar por socorro

Um coração morto

Apesar de ainda vivo

 

Esconda-se no perfume, na maquilagem

No sorriso plástico, no corpo perfeito

Esconda-se, não deixe que eu ache

Para que se desnude sem rodeios

 

E por fim, quando o cansaço chegar

Sozinha ou acompanhada

Em todo e qualquer lugar

Um nome e um amor que consome

Que chegou sem pressa e sem avisar

E sem permissão ou consentimento

Decidiu que vai ficar.

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Um pouco de vento

Andando pela rua

Mente distraída

Ausente do mundo

Corpo do avesso

Sinto teu perfume

E respiro fundo…

Continuo vivo

Reconheço

 

Em casos extremos

Da mais pura saudade

O vento tráz de onde for

O que remete à felicidade

 

Grande benfeitor

Esse tal vento

Que distrai a saudade

Salva dias

Cura feridas

Enquanto não acontece

O que faz falta

O que não se mata

A todo momento.

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Na base da força

Só sei do que sentes

Porque entre um orgasmo e outro

Tua mente não faz mais nada

Além de se despir

 

Não que teu corpo nu revele pouco

Mas nunca quis só isso

E sabes bem disso

Pois minha mente para ti está sempre despida

 

O que eu quero tens por dentro

Mistura de perfume e veneno

Que aprendi a degustar, saborear

E que por por mais que eu me acostume

Queima-me sempre –

Onde jaz meu sistema imune?

 

Pudera…

Até eu estava cansado do meu azedume

Eu já não sentia graça como de costume

E tu estavas lá – Onde?

Nem eu sei

Mas me chamavas para voltar

 

E eu vim a força –

Na tua força, já que eu não tinha

Nada além do insuficiente

Para carregar minha carcaça carente –

Ardente, água ardente, aguardente

Sedento por amor, por vida

 

Vivo…

E ainda assim, castigo!

Longe ou perto, tanto faz

Sempre completamente despidos

Corpos e almas unidos

Por alianças e sonhos

Avassaladoramente eternais.

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