Comigo

Não sei…

Não consigo me expressar

Deixo para que o tempo diga

O que o tempo dirá

 

Verborragicamente me calo

Silêncio…

Nem eu me aguento

Estou sem só de mim

 

Espreito a chance

Aquele peculiar instante

O tórrido romance

Do meu eu contigo

 

E eu sigo

Confiante

Perto ou distante

Carrego-te comigo.

Finitude

Todos os dias

 

Com tu ao longe ou perto

Teu rosto eu vejo

Teu amor eu desejo

E mando-te um bom dia

 

Todos os dias

 

Pois eu não sei

Quando pode ser o último dia

Que poderei dar bom dia

 

Todos os dias.

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Deliberadamente

Sou um náufrago

Tu és meu mar

Estou a tua inteira mercê

Que tudo decidas para onde me levar

 

Seja longe ou perto

O destino já é incerto

Sobreviver já seria muito

Viver, então, algo fortuito

 

Não me resta mais nem esperança

Esta é sempre  a primeira que morre

Peço que sejas amável, porém

Enquanto sangue dentro de mim ainda corre

 

Mas estarei feliz

Se dessa vida eu me for

Partirei deliberadamente afogado

Inundado pelo teu amor.

mulher nua chuva

Poliglotismo

Nem de longe

E muito menos de perto

Digo as palavras certas

E isso não quer dizer

Que eu não sinta ou esteja certo

 

Eu até conheço algumas palavras –

Não todas, obviamente –

Mas o problema não sou eu…

Meu coração fala uma língua que é só dele

E só quem o entende é o teu

 

Portanto, não me escutes com teus ouvidos

É prudente usarmos apenas o coração

Para que tudo adquira inequívoco motivo

E que guardemos os nossos cinco sentidos

Para nossas noites de amor e inclemente paixão.

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