4 – Ira

É o aperto no coração

Que faz sangrar o que não deveria ser dito

 

Perguntas sem respostas

Cartas que vão e não voltam

Monólogos compartilhados

Ansiedade que dispara

O que fica para depois

O que nunca é antes

 

É o breve

O rápido

O descuido

O descaso

A ingratidão

Os pés no chão

Ainda que com asas

 

É a espera

O aleatório prognóstico

A comida que esfria sobre a mesa

Feito amor que saiu para comprar cigarros

E nunca mais voltou

 

São as fotos

A presença distante

O gosto do beijo

O vinho e o queijo

A incapacidade de lidar

Com o sim e com o não

 

É a mão estendida

A promessa não esquecida

A loucura da solidão

O medo do escuro

A esperança de que não tenha sido tudo em vão

 

Minha ira

Casca de ferida

Mais que dorida

Que não se cura

E que está sempre pronta para virar perdão.

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1 – Gula

2 – Avareza

3 – Luxúria

4 – Ira

5 – Inveja

6 – Preguiça

7 – Orgulho

A maré

Ele a amava de forma tão absoluta

Que ela nunca o entendeu

É que ela não precisava ser amada assim

E foi o que ele nunca percebeu

 

Quanto mais profundo o mergulho

Quanto mais alto o vôo

Maiores os riscos

E há quem a diante destes fique arisco

 

Há quem precise de profundidade

Há quem precise de altura

Mas também há quem precise

Simplesmente de nenhuma fartura

 

Aos olhos dela, ele é um louco

Aos olhos dele, ela também é

Estar no controle ou perder o controle?

Vida alta ou baixa como a maré.

A+medida+do+amor

O que as palavras não podem dizer

Sim, eu te amo
E te quero cada vez mais,
E sempre que eu te chamo
Espero que venhas diferente,
Mais pura, mais leve, mais solta,
De preferência, sem muita roupa,
Pois não haverá muito tempo para resistir.

Fecho os olhos e recebo teus beijos:
Sinto teu cheiro em mim.
E me satisfaço em saber que meu desejo
Está como veio ao mundo,
Exatamente diante de mim.
Sim, meu desejo tem voz
E nesse momento que estamos à sós,
Te possuo com gritos e berros,
Te rasgo com palavras doces,
E tudo de bom que a vida me trouxe
Eu despejo dentro de ti.

Inundo-te feito rio doce, melado,
Nenhuma destruição, só prazer.
Ao mesmo tempo que descanso,
Tua vontade eu agiganto
Beijando, sem pressa,
As portas do teu céu,
Fazendo com que teu contorno se mostre,
E minha congruência mais uma vez invoque,
Mostrando o tanto que quero em ti.

E se feito um número peço que fiques,
E que sem medo te entregues para mim,
Te mostro o que ainda não experimentaste,
E a mistura de dor e prazer em tua face
É o prêmio maior que recebo
Desse momento que vicia,
Marcando definitivamente minhas fantasias,
Quando por sobre seu ombro
Vejo o que tu não precisas dizer.

Sim, sei que te sentes mais mulher agora
E sem dúvida me sinto também mais homem.
Chegastes onde querias,
E no teu rosto, inigualável imagem:
Vejo meu prazer brilhar em ti!
Teu gosto definitivamente meu,
Como se fosse minha própria saliva,
Que sem pressa cristaliza
O quanto que ainda preciso te ter.

Sim, somos puro prazer…
E dentro de nós resta a esperança
De mais um dia, mais uma noite…
Sempre mais, cada vez mais,
Não há nada melhor do que sermos um único corpo.

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Anteparo

Parece que cresce
Que remexe, que tece
Que cria raízes
Mas é fotografia
De álbum antigo
De melancolia

Só que é tão presente
Que quando ausente
Não deixa nem respirar
E quando presente
Faz o não coerente
Para a razão se ausentar

Talvez seja eterno
O jeito mais que doce
De não falar de amor
De um amor tão calado,
Que berra pecados,
Que urra e canta…

A beleza de amar
O que o torpe destino
Não quis coroar
Pois nem coroa apresenta
E seu cetro só ostenta
Lágrimas de um trovador

E nesse império
De luxúria e mistério
Rego com lágrimas o que plantei
Um sopro de vida
Uma divina rotina
De carinhos não meus

Quem sabe outra chance
Outro dia, outro lance,
Com a sorte desnuda
Feito meu peito rasgado
Pelos lábios molhados
Que eu afirmo: são meus.

Que sirva de aviso –
Não há prejuízo
Em amar até morrer
Pois até no desamparo
O amor é o anteparo
Dos males do eu.

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Indo…

Vou de barco

O mar de alguma forma simula

O vai e vem quando estou dentro de ti

E aninhado em teus braços

 

Vou de avião

Para sentir aquele frio na barriga

E ver nas nuvens que vão do magenta ao cinza

Os mil tons de convites que exalam do teu corpo nu

 

Vou de trem

Quer seja em vagarosa e vigorosa Maria Fumaça

Ou um dilacerante e retumbante trem-bala

Dependendo do trajeto, da paisagem, do momento

 

Vou de carro

Para que no meio dos engarrafamentos

Eu sinta e aprecie todo tormento

Das nossas torturas autoinfligidas e para lá de lascivas

 

Vou de bicicleta

Para manter o equilíbrio necessário

E manter-me firme no nosso caminho

Nos momentos de amor cintilados de espinhos

 

Vou a pé

No calor extenuante do verão

Para sentir e ver na alma, no corpo e no coração

O calor que só a tua presença agiganta e agita

 

Mas não vou a lugar algum

Já não preciso mais ir

Preciso mesmo é estar aqui

Onde todos caminhos me levam invariavelmente a ti.

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Desapego obstinado

Da próxima vez que fores embora

Não te esqueças de levar-te contigo

Porque vais e deixas-te comigo

E eis que vou-me atrás de ti

Mas quando tu voltas para buscar-te

Já fui-me e não acho-te

Muito embora estejas comigo

E ficamos deveras

A sério

Inteiramente perdidos

 

Não seria mais fácil

Ou mesmo mais lógico

Não teres ido?

Será que ao menos uma vez

Podes concordar comigo?

 

O que insistes em chamar de perigo

Nada mais é do que teu coração pedindo abrigo.

alimentos-bons-coracao

Em vários mundos

Lembro-me com saudades

De todos que dessa vida sumiram

Eu sempre os carrego

Dentro de mim

 

Não são fantasmas –

Estão vivos! –

E de dentro deste mundo

Chamado dentro de mim

Jamais partiram

Jamais se despediram

Jamais disseram adeus

 

Vez por outra me recolho

E mesmo que as lágrimas corram soltas

Eu os vejo vivos e sorrindo

Provando que a morte do corpo

Não é de fato o fim

 

E é por isso que eu quero

Viver também dentro dos mundos

Que existem dentro dos outros

Pois enquanto houver lembranças

Que sejam de mim

Eu estarei vivo

Dentro de vários mundos

Sim.

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