Definitivamente

Nem tudo foi como eu esperava.

Nem tudo foi como eu sentia que seria.

Nem tudo foi;

Muita coisa ficou.

 

Mas aquela esperança que eu tinha,

Que hoje acredito ser só minha,

Aos poucos vai se enfraquecendo,

Dissipando-se na ausência repetida,

No silêncio descomedido,

Na falta de razão ou sentido

E ainda assim,

Aparentemente decidida.

 

Mas eu aprendi a respeitar,

Pois nunca amei só por amar.

Era algo maior que eu…

E não era só por mim,

E só faz sentido se for assim.

 

Tudo foi por nós.

 

Tudo.

Tudo.

Tudo.

 

Sei e sinto que ainda somos,

Mas o que eu posso fazer agora

Além de desejar que você esteja feliz?

 

Eu não tenho a chave da porta

Que você fechou por dentro.

E mesmo que a tivesse,

Por nós ela só se abrirá realmente

Se você definitivamente abri-la.

estagiario_porta_fechada

Erva-doce

O cheiro da broa de milho

O café sem pressa

A porta da rua aberta

Os vizinhos sempre bem-vindos

Era assim quando eu era menino

 

O tempo passou e, inclemente, nunca parou

 

O café agora é espresso

Os vizinhos? Desconheço

A porta da rua sempre trancada

A broa de milho é da padaria

E a violência é a notícia do dia

 

O tempo passou e, inclemente, nunca parou

 

Saudades da época em que eu achava

Que tinha tempo a perder

Do avô, da avó, dos tios, dos primos

Da sensação de não correr perigo

De ver no mundo um grande e acolhedor amigo

 

Pelo menos nesse instante – agora!

Enquanto meus pensamentos vão

Para um passado distante

O tempo não foi adiante

Pelo contrário – voltou!

Sinto cheio de erva-doce.

dill