Espatifou-se

Meu amor hoje são cacos

De um coração

Que espatifou-se

Enquanto procurava

Alguma explicação –

Ainda que mentirosa –

Para tal situação

 

Entregou-se

Dedicou-se

Declarou-se

Perdeu-se

Calou-se

E como era prolixo

Talvez visto como lixo

Cansou-se

Espatifou-se

 

E ainda há quem reclame dos cacos

“Por que não fostes te matar

Em outro lugar?”

Peço desculpas

Não era essa intenção

Era só um coração

Que como eu bem disse

Espatifou-se

 

Não haverá sepultamento

Missa de corpo presente

Porque dele mesmo

Já estava ausente

Discrente

Doente

E mesmo sem querer

Foi-se

Dessa para melhor

Espatifou-se

 

A ironia

É que ressuscitou

Ao terceiro dia!

Coração lazarento

Fez dos cacos poesia

Espatifou-se

Mas voltou mais doce

Como se nunca tivesse

Morrido um dia.

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Prolixo e dramático

A gente tinha

Eu te tinha

Tinha

Tenho mais

Sim ou não

Pergunta ou exclamação

Certeza ou indagação

E no meio dessa confusão

Pelo sim, pelo não

No talvez

Nos mil porquês

Não foi por querer

Essa azucrinação

 

Pára, cérebro!

A razão

É em vão…

Mais um café

O bicho de pé

Sim, sim, sim

Não, não, não

Aliteração?

Prolixo e dramático

Coração.

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