O assassinato da advogada Tatiane Spitzner

Não há palavras para descrever o que Luís Felipe Manvailer fez com sua mulher. Um crime brutal, sem perdão, que chocou todo o país.

Eu, enquanto homem, aproveito gostaria de me aproveitar desse momento de comoção para fazer um alerta: UM CASAMENTO/RELACIONAMENTO NÃO SIGNIFICA E NEM JAMAIS SIGNIFICARÁ A SUBMISSÃO DE UMA DAS PARTES AOS CAPRICHOS E VONTADES DO OUTRO. Vou repetir: UM CASAMENTO/RELACIONAMENTO NÃO SIGNIFICA E NEM JAMAIS SIGNIFICARÁ A SUBMISSÃO DE UMA DAS PARTES AOS CAPRICHOS E VONTADES DO OUTRO.

Seja você homem ou mulher, que fique claro que não estou pedindo a sua opinião sobre o assunto. Estou fazendo uma afirmação enquanto um homem absolutamente inconformado e indignado com o que os homens (infinitas vezes mais do que as mulheres) são capazes de fazer para manter um casamento.

Não! Mil vezes não! Não importa o quanto você é apaixonada ou ama o seu marido/namorado. Não importa o passado maravilhoso que tiveram juntos. Não importa quantos filhos vocês tem. Não importa se você pode se sustentar sozinha.  Não importa o que a sua família acha ou achará da sua separação. Muito menos importa o que a sociedade pensará de você. VOCÊ É QUEM VIVE E VIVERÁ AS CONSEQUÊNCIAS DE UM RELACIONAMENTO/CASAMENTO ABUSIVO. A opinião dos outros é fundamentada apenas nas aparências, e bem sabemos que há muitos lobos por aí vestindo peles de cordeiros. Só você conhecer a verdade, de maneira que só você pode tomar essa decisão.

Portanto, ao menos sinal de violência, PULE FORA! AFASTE-SE! Avise aos seus familiares, amigos e autoridades competentes (caso necessário) sobre o que está acontecendo. Faça terapia. Faça o que você achar que deve para se manter sã e viva!

É provável que você, principalmente se for mulher, acredite que uma separação é algo que foi causado direta ou indiretamente por você. “Talvez se eu me propusesse a fazer o que ele pedia…”, “Talvez se eu fosse mais tolerante…”, “Talvez se eu ficar por conta dos meus filhos…”, “Talvez se eu passar por cima de tudo…” Talvez… Talvez… Talvez… NÃO! A culpa não é sua! Um relacionamento/casamento é entre duas pessoas, e se você precisa se submeter ao outro, eu lamento dizer, mas você é uma REFÉM e não uma namorada ou esposa. Se você não consegue ser o que você realmente é no casamento/relacionamento em que você está, simplesmente não há motivos para continuar.

E para deixar mais claro ainda: violência não é só física. Milhares de esposas/namoradas se submetem DIARIAMENTE a um tipo cruel e quase invisível de violência: chantagens e manipulações. E sim, é uma tortura diária. Humilhações, chantagens, desrespeito… Isso não só acaba com a auto-estima e o amor próprio da pessoa, como também é um caminho aberto para que coisas piores aconteçam. Lembra que até ontem você achava o seu marido/namorado a pessoa mais especial do mundo, e hoje ele usa seus filhos, sua família, seu patrimônio e sua imagem contra você? ACORDE!

Que a morte da advogada Tatiane Spitzner não tenha sido em vão. Homem covarde é homem covarde. Não importa a classe social ou o nível de escolaridade. Você não vai conserta-lo. Não depende de você. Isso é coisa de caráter: ou o homem tem ou não tem.

P.S.: Isso não acontece só na casa do vizinho, ok? 

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Dicas para acabar com um relacionamento

Essas dicas são infalíveis! Se funcionarão em 6 meses ou em 10 anos, não tenho como dizer. Entretanto, é fato que funcionam. Basta seguir rigorosamente os passos abaixo.

  1. Não faça planos para o futuro, e se os fizer, não só não os cumpra como negue que os fez.
  2. Não assuma nenhuma responsabilidade diante dos problemas do relacionamento. Culpe sempre o outro. Mostre-se sempre como um ser perfeito, angelical.
  3. Mantenha o clima tenso. Mostre descontentamento. Bata portas, jogue coisas dentro da pia, pragueje. Faça o seu companheiro perguntar o que está acontecendo e, agressivamente, diga “NADA!!!”.
  4. Envolva a família em discussões do casal. Quanto mais membros da famíla, melhor. Envolver os filhos e até mesmo os vizinhos também ajuda muito.
  5. Fale mal do seu companheiro(a) em todos os eventos sociais que frequentarem juntos. De preferência, toque em assuntos sensíveis que você prometeu que seriam “guardados a sete chaves”.
  6. Nunca demonstre satisfação ao comparecer a um evento proposto pelo seu companheiro(a). Venda isso caro, e deixe claro que se tratou de um grande sacrifício.
  7. Diga que seu companheiro(a) tem vários(as) amantes. Diga sempre. Diga, principalmente, se não tiver prova alguma.
  8. Faça pouco caso do que seu companheiro(a) gosta. Diga que é coisa para pessoas com problemas mentais. Diga isso também para os amigos dele(a) que tiverem gostos similares.
  9. Faça pouco caso dos problemas de seu companheiro(a). Demonstre preocupação apenas quando o assunto puder afetar, de maneira indireta ou direta, o seu bolso.
  10. Mime seus filhos ao ponto de torna-los insuportáveis. Faça a caveira do seu companheiro(a) para eles.
  11. Cante músicas que ele(a) não goste. Quanto menos ele(a) gostar da música, mais alto ela deve ser cantada, principalmente se forem funks do estilo “Tá tranquilo, tá favorável”.
  12. Arrume apelidos constrangedores para o seu companheiro(a). Repita-os com frequência. Em casa, na frente dos outros, e principalmente diante dos amigos do trabalho dele(a) ou de pessoas que ele(a) acabou de conhecer.
  13. Peça desculpas por coisas desagradáveis que você tenha feito, e repita a coisa desagradável tão logo seja possível. Faça disso uma rotina.
  14. Prometa que vai fazer algo amanhã pela manhã, esqueça-se, e se irrite quando for cobrado(a) seis meses depois dizendo que “não é empregado(a) de ninguém”.
  15. Fale palavrões! MUITOS! Bem alto! Principalmente se houver filhos na relação e se morar em um prédio, onde os vizinhos podem ouvir tudo com facilidade. Use termos que sejam constrangedores ao extremo.
  16. Mesmo tendo Netflix ou TV por assinatura, insista em programas como o Esquenta, Faustão, etc.
  17. Não respeite, em hipótese alguma, a religião de seu companheiro(a). De preferência, diga que é coisa do capeta, e convide a sua família para doutrina-lo.
  18. Tome porres, vomite e se urine na frente do seu companheiro(a). Vá parar no hospital. Prometa que não vai mais beber e tome vários outros porres logo em seguida.
  19. Se você for mulher, tente ser o macho da relação. Coce o saco, mesmo que não o tenha.
  20. Prometa acordar cedo para resolver algo inadiável, que traria benefícios para os dois, e acorde seis horas depois do horário previsto.
  21. Interrompa toda e qualquer conversa séria que seu companheiro(a) queira ter com você. Que fique claro: interrompa para falar de algo sem nenhum tipo de importância e nunca, em hipótese alguma, faça contato visual durante as conversas.
  22. Não tenha nenhuma rotina e/ou disciplina. Faça tudo quando e onde tiver vontade.
  23. Reclame do que não tem, principalmente quando for algo bem fútil, e ignore tudo o que tem. Faça isso, principalmente, se não contribuir para o orçamento doméstico.
  24. Compre coisas desnecessárias e critique o outro quando o dinheiro for gasto com coisas necessárias ou que o agradem.
  25. Reclame de presentes recebidos e até mesmo de flores, quer seja por não ter gostado ou por ter achado o preço absurdo.
  26. Deixe-o(a) esperando sempre que possível. Um atraso de pelo menos uma hora é recomendável.
  27. Faça com que seu companheiro(a) tenha certeza de que você não é prioridade na vida dele(a). Sempre que possível, priorize a família, os amigos, os pets, os vizinhos, televisão, etc.
  28. Mantenha contato frequente com amigos sem conteúdo e sem nada para acrescentar na vida do casal. De preferência, cerque-se de amigos que invejam o que você tem, e que apoiam todos os comentários negativos que você faz a respeito do seu companheiro(a).
  29. Alterne seu humor várias vezes durante o dia, resgatando situações do passado que claramente irritam o seu companheiro(a). De preferência, mantenha o rosto fechado diante dele(a) e sorria, falando com muito carinho, quando alguém de sua família ou amigos telefonarem.
  30. E por último, só para a lista não ficar muito longa, trate mal a família dele(a) e cobre entendimento para com a sua família.

Essa lista poderia não tem fim, mas espero que esteja claro que o objetivo é acabar com o relacionamento e no final fingir que não sabe ao certo o que deu errado. A culpa será sempre do outro, claro.

Você teria alguma dica a acrescentar? Por favor! Os comentários estão aí para isso! 🙂

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Em busca do EU perdido

Seu cônjuge gosta de falar palavrão?
Fale também! Por que não?

Seu cônjuge acorda cedo?
Acorde cedo também! Por que não?

Seu cônjuge não come carne?
Não coma carne também! Por que não?

Seu cônjuge não bebe?
Não beba também! Por que não?

Seu cônjuge não tem religião?
Esqueça da sua também! Por que não?

Seu cônjuge não quer ter filhos?
Não os queira também! Por que não?

Seu cônjuge ama o PT?
Ame-o também! Por que não?

Quando A e B se conheceram, A comia carne e B não. Para se aproximar de B, A resolveu parar de comer carne também. Não parou por convicção, por conta de querer proteger os animais ou por achar que faria bem para a saúde. Parou simplesmente para agradar B.

Eu poderia listar um número quase infinito de concessões, em pequeno ou maior grau, que muitos cônjuges fazem para agradar o outro, mas creio que essa lista já é suficiente para ilustrar o meu ponto.

individuo

Quando A e B se apaixonaram, A e B eram pessoas diferentes. Eram INDIVÍDUOS, e por detrás de indivíduos está o conceito de INDIVIDUALIDADE, que não pode ser perdido no casamento ou em uma união estável de qualquer natureza. Por que? Porque no longo prazo não funciona! Simples assim.

Notem que não estou falando de escolhas conscientes e acordadas entre os dois: não vamos viajar esse ano, porque nosso objetivo é ter uma casa própria. Por detrás de uma escolha consciente, o conceio de indivíduo e individualidade permanecem intactos.

Os exemplos que citei, que em um primeiro momento parecem inofensivos, ao longo do tempo fazem com que o indivíduo perca a sua individualidade, e se torne igual ou muito similar ao outro. Muito bom, não é mesmo? NÃO! Isso é absolutamente terrível! Por que? Porque A e B se apaixonaram como indivíduos, e quando essa individualidade se acaba, pode ser que a própria relação se acabe. O motivo é simples: no intuito de agradar ao outro, o que primeiramente uniu o casal simplesmente deixou de existir. A individualidade é um dos princípios de qualquer relação.

Há  três possíveis fins para relacionamentos desse tipo:

1) A e B, quer seja por questões morais que lhes foram passadas ou por qualquer outro motivo, vivem uma vida bem abaixo de sua plenitude. Se confrontados, dirão que fazem isso por suas famílias. Perderam por completo a noção do EU. No fundo, se sentem frustrados de maneira que não conseguem explicar. Culpam o destino, karma, conjunturas políticas e econômicas, etc. Se esqueceram tanto do EU que são incapazes de olhar para dentro!

2) Seguindo o exemplo da carne, A fez todos os tipos de concessão para B no sentido de “ser aceito”, “evitar brigas”, etc. A deixou de ser EU, e portanto esqueceu-se de sua própria felicidade e vontades. E para surpresa de A, B um dia chega para A e diz: “Acabou! Não reconheço mais você! Você não é a pessoa pela qual me apaixonei!” Vira as costas e vai embora. E A, depois de 10 anos ou mais de concessões, sente-se completamente perdido, sem saber o que fazer da vida, e culpando-se por não ter feito mais para que B não fosse embora. Percebem o caso clássico do feitiço virando contra o feiticeiro? Deixando de lado o julgamento do mérito da ruptura, fato é que A vai precisar reencontrar o próprio EU, e enquanto este não for encontrado, viverá relações destrutivas de todos os tipos.

3) Tamém seguindo o exemplo da carne, A fez todos os tipos de concessão para B no sentido de “ser aceito”, “evitar brigas”, etc. A deixou de ser EU, e portanto esqueceu-se de sua própria felicidade e vontades. Entretanto, diferentemente do que foi citado acima, A começa a perceber que deixou de ser EU e angustia-se. Começa a perceber que anulou-se durante anos por conta de um alguém que muitas vezes sequer reconheceu seu valor. Sobe-lhe um sopro de vida que assusta e que é ao mesmo tempo irresistível. E então, A resolve recuperar o tempo perdido, e muitas vezes vê em B o seu algoz, muito embora a responsabilidade sobre sua felicidade seja inteiramente sua. “B, estou indo embora. Eu me anulei por sua conta. Preciso viver!” E B, possivelmente, não vai entender do que se trata. “Como assim? A tem vontades? Devem ser os amigos ou a terapeuta que estão gerando influências negativas! Talvez seja maluca!” Tanto faz… Como o mundo girava no entorno de B, B é incapaz de perceber o que aconteceu com A. B é incapaz de perceber que A também precisava de seu EU.

Notem que essas relações são destrutivas. Quem conscientemente faria escolhas desse tipo? Entretanto, escolhas desse tipo são feitas TODOS OS DIAS, e muitas vezes percebidas apenas depois de longos e penosos anos.

Convido a todos que reflitam sobre suas vidas e sobre suas relações. Somos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade, e com certeza há no mundo pessoas que nos aceitam com todas as nossas qualidades e defeitos. Há pessoas que amam o EU do outro e que desejarão viver eternamente ao lado dele.

Sejamos felizes e plenos!

Irracionalmente feliz

Toda vez que ouço a palavra racionalidade, por um motivo ou por outro, imagino um filhote de pássaro na beira do ninho, prestes a voar pela primeira vez. O filhote não sabe o que é gravidade, muito embora sinta os efeitos dela. Seu instinto de sobrevivência o faz respeitar a altura, mas isso não o impede de tentar. É fato que alguns caem na primeira tentativa e alguns talvez até morram tentando, mas esse é seu instinto. Os pássaros precisam voar. Eles sabem disso. Não fogem e não hesitam. Eles simplesmente vão.

Tento trazer essa analogia para o nosso mundo de alguma forma, e confesso que encontro todo o tipo de dificuldade. Imagino como seria no ninho se os filhotes fossem racionais:

“Minhas penas estão bonitas?”
“Eu até queria voar, mas eu me recuso a seguir os padrões impostos pelos meus pais, pela natueza.”
“Tá maluco? Acha que vou me atirar dessa altura sem participar de algum treinamento adequado?”

Somos assim. Somos racionais. E por mais que isso tenha feito de nós a espécie que subjugou todas as outras no planeta Terra, essa mesma racionalidade nos tráz um monte de limitações. A principal delas é a que precisamos ser socialmente aceitos. Somos seres sociais. E para isso, precisamos encontrar alguma caixinha, algum rótulo que possamos utilizar para conviver com outras pessoas. Racionalmente falando, somos irracionais ao ponto de acreditarmos que o que os outros fizeram antes de nós é perfeito e ideal para nos definir enquando indivíduos. Incrível, não?

Poucos, de fato, são aqueles que vieram ao mundo com a coragem de desafiar a sua própria racionalidade. Em geral, são conhecidos como loucos:

“Você tinha um emprego tão bom! Por que saiu?”
“Se eu fosse você, não faria Biologia Marinha. Onde você vai trabalhar com isso?”
“Você precisa se casar. Já passou da idade.”

Somos bombardeados por frases desse tipo durante toda a nossa vida. Essas mensagens são emitidas por quem nos ama, por quem nos odeia, por quem sabe do que está falando, por quem não sabe do que está falando, e pior ainda: por nós mesmos.  Precisamos entrar dentro de uma caixinha socialmente definida para recebermos a chancela de indivíduos padrão.

E dessa maneira, ignorando que o mundo pode nos oferecer muito mais do que caixinhas, nos dizemos felizes. Não podemos ou mesmo sequer ousamos ouvir o que nosso coração tem a dizer sobre nossa vida. Temos que ser racionais, claro. Irracionalmente racionais.

Há uma sequência de frases que ilustra perfeitamente o que quero dizer:

É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver.

A autoria (não confirmada) dessas frases é de Martin Luther King.

Eu aprendi que viver fora da caixinha dá medo, mas também aprendi que a verdadeira felicidade pode estar fora dela. Largar um emprego para tentar algo que nunca fiz na vida? Por que não? Mudar-me para um lugar diferente? Por que não? Sentir algo diferente? Por que não? Não vai ser o meu medo que vai me definir enquanto pessoa, e muito menos o que a sociedade espera que eu seja. Eu preciso voar e nada nem ninguém vai me impedir de fazer isso. O limite superior da minha felicidade é infinito, e a responsabilidade sobre a minha felicidade é única e exclusivamente minha.

E você? Está preparado para o seu primeiro ou próximo vôo? Que seja irracional, talvez. Siga seus instintos. Experimente novos níveis de consciência. Conheça-se. Explore-se. Descubra sua essência. Seja você mesmo. Visto de cima, o mundo é muito, muito maior.

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Onde você deixa seu chinelo de dedo antes de dormir?

É muito comum nos dias de hoje ver pessoas perguntando coisas do tipo “Onde erramos? Quando foi que acabou?” E, inevitavelmente, após esses questionamentos mais básicos e elementares, na defensiva surge a necessidade de culpar alguém: “A culpa é sua e não minha!” é o que mais se costumar ouvir. Prático e patético, não?

Mas não adianta falar em culpa depois que algo acabou, adianta? Não. Acabou. E depois de um tempo, depois que a raiva vai embora e da vida nos mostrar algumas lições, percebemos que podíamos ter sido mais flexíveis aqui e ali para evitar que se chegasse ao fim. Podíamos. Não podemos mais. Chegou o fim.

Em geral, pelo menos uma das partes, quiçá as duas, dão inúmeros avisos e alertas sobre os problemas, que não são coisas que surgem do nada. Um comportamento ou mesmo um simples gesto inadequado repetido ao longo dos anos pode se transformar em um derradeiro motivo, ainda que uma das partes entenda que não. Viver a dois é isso. Se algo incomoda, é preciso falar sobre isso. Fingir que esse algo não existe não é uma solução. Na verdade, é uma agressão ainda maior a quem está se sentindo incomodado.

E o mais engraçado é que não se chega ao fim sem um início, sem um meio. O que era diferente no início? Era justamente essa falta de acomodação, essa incapacidade de machucar o outro e ignorar a situação. E o meio é justamente quando a agressão – é assim que sucessivos erros começam a ser vistos, consciente ou não, começa a cair no lugar comum. É quando se perde a noção de que o amor é algo que se rega todo o dia. Quando se perde isso, se perdeu tudo. Não restou mais nada. Fim.

A vida é assim. Todo mundo quer o melhor dos outros, mas realmente poucos, pouquíssimos querem dar para os outros o seu melhor, mesmo que isso seja algo tão simples quanto mudar o lugar onde se deixa uma chinelo de dedo antes de dormir.

Não tome como certo aquilo que você já tem. Tente ser melhor, sempre melhor. Não faça pouco caso da vontade do outro. Não desmeraça o outro. Não se esqueça do outro. Diante de uma despedida, mudar o lugar onde se guarda uma chinelo de dedo antes de dormir e agradecer a Deus pelo que se tem é um esforço ínfimo.