Nunca mais

Hoje, eu te abracei

Não, você não estava aqui

Mas o vento fez questão

De me banhar com teu perfume

 

Fechei os olhos e abracei

Os quatro cantos da minha memória

E lá estava você

Onde sempre esteve

Sorrindo para mim

 

Senti teu peito tocando o meu

O calor da tua pele

As borboletas no teu estômago

A saudade tornando-se presença

O coração batendo forte

Poesias declamando

Flores de toda sorte

E a vida cantando:

Você… Você… Você…

 

E mais do que nunca

Tive você presente

Na minha mente

No corpo

Na alma

Não, você não me completa

Mas me faz ter sentido

 

E nesse abraço

A lágrima seca eu engulo

O aperto na garganta eu disfarço

E entrego-me como da primeira vez

Como sempre foi

Como é

Em você eu me faço e refaço

 

Ah! E o vento…

Que do teu perfume abusou demais

Mostrou-me que nunca é tarde

E quem sabe nessa vida fugaz

Eu ainda tenha muito tempo

Todo tempo que me resta

Para te abraçar

E ficarmos de uma vez por toda em paz

Para não dizer adeus nunca mais

Nunca mais.

 

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Contrapé

A gente é o que é

Porque nosso orgulho

É maior que nossa fé

 

A gente não se fala

A gente deixa

Na esperança de que o outro

Faça o que o que deveria ser feito

 

A gente ignora

A gente some

A gente ama

Mas a gente chora

Porque o eu te amo fica guardado

Escondido na memória

 

A gente só queria que desse tudo certo

Mas a gente se cala

Em prosa e verso

A gente não se comunica

A gente assume que o outro sabe

A gente julga, condena e absolve

A gente é a hipocrisia

A gente é a vida e a morte

 

Mas no fundo

A gente sabe que não é porra nenhuma

Porque quem não sabe pegar uma porra de telefone para dizer que ama

Tem mais é que dormir sozinho, ainda que acompanhado na cama

 

A gente é o que decide que é

E se a gente se nega a ser o que de fato é

A gente vive por aí, em busca do que nos falta

Mas de fato só falta o que dizemos que não faz falta

E a gente vive por aí fodido, mentindo

Culpando a Deus, nossa criação, o universo, o destino

Até que a gente tome uma rasteira

E o tempo pegue a gente no contrapé

E aí vai ser o que é.

Nunca te esqueci

Que tu lembres sempre

Que nunca te esqueci

Nos altos e baixos

Nos picos e nos vales

Eu estava ali

Nem sempre perfeito

Algumas vezes sem jeito

Mas eu estava ali

Pronto para te escutar

Para te ouvir

É o mínimo que eu poderia fazer

Para mostrar o quanto eu te amava

O quanto eu te desejava

Mais do que todas as outras

Tu eras a única que me importava

 

Entreguei-me por inteiro

Fiel e verdadeiro

E quando parecia

Que estávamos diante de um espinheiro

Eu te carregava no colo

Para só eu me ferir

Ah! Minha parceira

Minha companheira

Meu par perfeito

Dói ver-te ao longe

Dói não sentir-te aqui

E se o destino assim quiser

Que sejamos homem e mulher

Que tu te lembres sempre

Que nunca te esqueci.

Eu te procuro…

Minhas poesias de agora e de antes

Palavras ao vento

Pensar delirante

 

Até que ponto consigo precisar

E dizer o que é preciso?

Até que ponto consigo me calar

Diante do que carece de aparente nexo, juízo?

 

Eis minhas dúvidas de poeta

Que diante da felicidade e dor

Procura tão somente o que o coração sente

Posto que este só sente e é o mais puro amor.

vinho

5 – Inveja

Aquilo que tenho quando não estou contigo

E que me faz sentir que estou sem mim

 

Tenho inveja de mim mesmo

Do garoto que viro

Do semblante leve

Dos sorrisos, dos papos animados

Do não ter pressa

Do não ter rumo

Do não precisar do futuro

Do saber o que é só estar ali

 

Do barulho do mar

Da água de coco na praia

Do protetor solar

Dos coqueiros

Da restinga

Do biquini

Dá tolha que cai e me faz rir

 

É, eu tenho inveja de mim..

 

Quem sabe um dia essa inveja vire só saudade

E talvez um dia até essa saudade chegue ao fim

Seria uma pena

Enfim.

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1 – Gula

2 – Avareza

3 – Luxúria

4 – Ira

5 – Inveja

6 – Preguiça

7 – Orgulho

Bolhas de sabão

Não há espaço no meu coração para raiva

E nem para nenhum outro sentimento negativo

 

Eu sou mais do que isso

 

Eu não sou juiz

Eu sou perdão

Eu não sou um qualquer

Sou motivo e razão

Eu não sou abandono

Eu sou amor, empatia, compaixão

Eu não sou mais do mesmo

Sou mudança, solução

 

E não me importo com que me digam

Ou pensem de mim

Eu lido com fatos, atitudes

Não com promessas que são

Que vem e vão

Como bolhas de sabão

 

E hoje, quando saio às ruas

Levanto a cabeça e miro o céu

E sorrio em busca de um milagre –

E talvez esse milagre seja o tempo! –

Que aos poucos tornará suave

O silêncio

A ausência

A falta

O vazio

O que foi

E o que não foi

Em vão

 

E ainda assim

Nesse momento difícil

Caminho sem medo

Com muita, muita fé

Na certeza de que o milagre –

O tempo! –

Revelará o que sou

E para onde queria ir

Para onde vou

 

E se o vento por aí sussurrar

A minha voz, o meu cheiro

Não serão lamúrias

Mas espasmos de saudade

E talvez assim eu seja ouvido

E talvez assim eu volte a ouvir.

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Ufa!

Não sou ponto de partida

Não sou ponto de chegada

Eu sou a jornada

Sou a reticência

O et cetera

 

Id est

A presença

A saudade

O sonho

A realidade

O brilho

A certeza

O finalmente!

O ufa!

O até que enfim

O para sempre

O até o fim.

buzios