Tempo, tempo, tempo…

Que tempo é questão de opção

Isso não se discute

E se digo que para certas coisas há tempo –

Digo para estas coisas sim! –

E se digo que para outras coisas não há tempo –

Digo para estas coisas não!

 

Não há meio termo

E é importante esta questão:

Sem se falar abertamente

Diz-se muito

Emite-se uma certidão

 

E dando tempo ao tempo

Descobrem-se todas as verdades

Observando-se o todo

Evidenciam-se as obviedades

 

Tempo, tempo, tempo

De prisão ou liberdade

Que segue sempre em frente

Alheio à toda e qualquer vaidade

 

Tempo, tempo, tempo

De indiferença ou reciprocidade

Tempo que leva e tempo que traz

Gélido esquecimento ou torrencial saudade.

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Em vão

Vem cá…

Vem me falar

De tudo que você acha

Que não precisa dizer

 

Lembra?

Antes de tudo eu era amigo

Abrigo…

O bom dia

O boa noite

E tudo mais que precisava ser

 

Deixo assim

Nas tuas mãos

O direito de ser feliz –

Ou não!

 

Mas se quiser me falar

Do seu coração

Continuo por aqui

Depende só de você

Confessar-se

Ou deixar o momento ir-se em vão.

Sinto muito

Sim

Eu realmente sinto diferente de você

Eu sinto o agora

A sexta-feira

As taças de vinho que não serão

Os beijos deixados pelo caminho

A flor

O espinho

Eu realmente sinto diferente de você

Porque te sinto

E sinto muito.

Meu Anjo da Guarda

Todo meu 19 de Agosto é dia de reflexão. Meu irmão estaria fazendo 42 anos, mas um câncer o levou quando ela tinha apenas 8 anos de idade. Eu tinha 12 na época.

Falar sobre os 2 anos em que ele ficou doente é algo que não me leva a lugar nenhum. Até porque a ida dele para o céu foi uma libertação. Entretanto, a vida continuou para a minha família, e os efeitos da sua morte prematura ficaram em todos nós.

Lembro que no dia que ele faleceu, 10/11/1984, meu pai e minha mãe disseram que “ele tinha ido para o céu”. E eu respondia: “Não. Meu irmão morreu!” Os eufemismos naquele momento eram detestáveis. Eu queria sentir com toda a intensidade a partida de meu irmão. E foi assim que eu fiz.

Nada foi o mesmo depois disso. Meu pai tentava fingia que nada tinha acontecido, e acabou falecendo aos 61 anos, absorto pelas dores da morte de seus filho. Minha mãe, ainda viva (graças a Deus!), foi pelo caminho contrário. Falava da morte dele com desenvoltura e desapego. Entretanto, suas feições nunca esconderam a dor que ela ainda carrega no peito. Não é para menos: mãe é mãe.

Eu? Sinto a presença de meu irmão todos os dias. No dia de hoje, especificamente, fecho para balanço. Sinto que converso com ele de alguma forma, e aproveito o dia para refletir sobre a vida. Também sinto um turbilhão de sensações: morreu ou foi para o céu? Só sei que de fato ele não está por aqui, mas fui pego de surpresa no dia de hoje.

– Pai, é possível que o nosso anjo da guarda mude durante a vida?
– Não sei, minha filha… Não sei… Mas por que a pergunta?
– É que o Tio Felipe é seu anjo da guarda agora.

Ela com 10 anos… Eu com 46. A abracei e chorei em seus ombros. Minha filha me deu hoje um presente que esperei durante muitos e muitos anos. Consegui finalmente acreditar que meu irmão está vivo e de fato no céu.

Obrigado, Senhor Meu Deus, pelo presente que recebi no dia de hoje! Obrigado por ter me dado uma filha tão maravilhosa! E obrigado a você, Felipe Ottolini, por todos esses anos que me guardou. E que tudo continue assim.

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Amo feito uma criança

Todos os dias

Faço escolhas

Dos mais variados tipos

A vida é minha

E as consequências de minhas escolhas

Também

 

Por isso

Ando em busca de sorrisos

Inteiros

Verdadeiros

Em busca de certezas

De atitudes

Não de dúvidas

 

Em busca do que agora sou

E não mais do quem eu era

Em busca do imperecível

Do não descartável

Do que não possa ser apagado

Do que deixa rastros

Do que não se esconda

Do que escolha ficar

Do que nem pense em ir

Do infinito

 

Eis que o pejo da experiência

Cobra e recobra seu preço:

Amo com a pureza de uma criança

Mas viver de brincadeira

Só se for em uma outra vida

Já foi-se

Infelizmente

A minha infância.

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Fica!

No dia em que eu cansei

E exausto

Sucumbi

Você me atirou pedras

Não precisava…

Eu já estava sangrando

Diante dos seus olhos

Implorando por presença

Atenção

Sem saber que eu era invisível

Fiz tudo que eu podia

Fui compreensivo ao extremo

E no dia que afirmei que eu também existo

E que quero e preciso ser feliz

Tudo que tive de volta foi o seu silêncio

E mais pedras por eu não ser mais compreensivo

Por não conseguir mais ser assim

E o sangue se misturou com lágrimas

Com o peito dorido

Com a humilhação da indiferença

Do pouco caso

Do não sei

Do tanto faz

Das mensagens não lidas

Dos telefonemas não atendidos

De ser colocado no mudo

Talvez leia essas palavras e pense:

Dramático, inoportuno

Chato, inconveniente

E ainda assim eu achando

Que minha presença

Fazia toda a diferença

Em você, no seu mundo

Na sua vida

No amor que eu achava que você e eu sentíamos juntos

No dia que me cansei

E me arrastando

Me afastei

Eu só queria ouvir algo como

“Fica! Você é importante para mim!”

Só que nada ouvi…

Fui presenteado com mais silêncio

E desenganado

Esmoreci

 

Sigo caminhando

Sangrando por aí

E quem sabe, um dia

A vida me responda

Se consegui pelo menos por alguns instantes

Fazer você feliz

 

Era só isso que eu queria

Deus me conhece

Deus sabe o quanto te amo

Deus sabe o que há em mim.

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Na minha janela

Sexta-feira

E eu aqui

Olhando-me por dentro

Nos detalhes

A saudade se torna mais agressiva ainda

 

Encontro o vinho

O queijo

O café

Memórias que apertam o peito

Um coração que grita

Um coração em chamas

Que chama

 

A minha folia é ficar quieto

Procurando algum silêncio

Para ouvir meu eu

Ora inaudível

Em demasia quieto

 

Revejo aquela foto

Aquela poesia

Aquela música

Revivo cada segundo

Pois todos os segundos

Ficaram impressos na minha alma

 

E por fim

Fixo meu olhar em uma estrela

Meu corpo se arrepia

Meu coração acelera

Sei que é você

Brilhando e adentrando

A minha sempre aberta janela.

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Nunca mais

Hoje, eu te abracei

Não, você não estava aqui

Mas o vento fez questão

De me banhar com teu perfume

 

Fechei os olhos e abracei

Os quatro cantos da minha memória

E lá estava você

Onde sempre esteve

Sorrindo para mim

 

Senti teu peito tocando o meu

O calor da tua pele

As borboletas no teu estômago

A saudade tornando-se presença

O coração batendo forte

Poesias declamando

Flores de toda sorte

E a vida cantando:

Você… Você… Você…

 

E mais do que nunca

Tive você presente

Na minha mente

No corpo

Na alma

Não, você não me completa

Mas me faz ter sentido

 

E nesse abraço

A lágrima seca eu engulo

O aperto na garganta eu disfarço

E entrego-me como da primeira vez

Como sempre foi

Como é

Em você eu me faço e refaço

 

Ah! E o vento…

Que do teu perfume abusou demais

Mostrou-me que nunca é tarde

E quem sabe nessa vida fugaz

Eu ainda tenha muito tempo

Todo tempo que me resta

Para te abraçar

E ficarmos de uma vez por toda em paz

Para não dizer adeus nunca mais

Nunca mais.

 

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