Desobvializando

Não espere de mim o óbvio

O óbvio está em todos

Em todas as esquinas

Não quero ser só mais um

 

Para deixar claro:

Se for para ser mais um

Não faço questão de ser nada

Sei e não abro mão do meu valor

 

Ando cansado desses jogos

Dessas coisas babacas do amor

Perde-se tempo em disputas inúteis

Onde nunca há vencedores

 

O amor é para ser sentido

E não para ser raciocinado

Se cada passo é calculado

Pode ser tudo, menos amor

 

Amor é liberdade

É asas, é sonhos

Não tem nada de óbvio

E por isso eu amo.

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Anagnórise – Entreato

“Sem Parte” ou “O Todo”

 

Quando se tocam

Já não são mais um

Já não sabem quem são

São um único corpo

E um único coração

Que pulsa

Que contrai-se

Contorce-se

Ao som da TV

Que não se sabe

Porque está ligada

 

Não é fuga

Da realidade

É realidade

Nua e crua

É verdade

Ele e ela

Sombras nuas

E em cada toque

A sedução

Se seduz

Se entrega

E o puro prazer

Alcança:

Há esperança

 

Há ritmo

Há dança

Entre gemidos e sussuros

O travesseiro esconde

O rosto

Que desfigura-se

De prazer

E com a cama inundada

Vão de puta a fada

De cavalheiro a canalha

Tudo em busca

Do prazer

Da paixão

Do amor

Do ser

Da felicidade

Do viver

 

E oferecem-se

Querem mais!

Querem sentir nos ouvidos

As sacanagens que irão

Fazer

Ter

Ser

Beber

Sorver

Cada gota

Feito loucos

Extravagâncias que poucos

Conhecem ou irão

Conhecer

 

Tem cheiro do quê?

Vinho, queijo

Fluidos

Sexo

Sexo

Sexo

Tem nexo

É o mais puro reflexo

Do que são

Do que plantaram

Do que um dia

Colherão

 

E tudo isso se baseia

No respeito

No amor

Não faz sentido

Se assim não for

Não se consegue com outros

Só se forem os dois

Pelos dois

Feito em um

Juntos

 

E 110% unidos

Bombardeiam-se

Os sentidos

O gozo tonteia

Desnorteia

Pausa…

Deixam o fôlego renascer!

 

E depois disso

Nada foi ou jamais será

Como antes

Quem com o prazer

Consegue juntar o amor

Fica imortal

Não sente dor

Viciado

E como faz bem esse

Vício!

Não é sacrifício:

É amor!

Entendam…

Aceitem, por favor!

 

E mesmo sendo carnal

É espiritual

São almas que se acodem

E o eterno amor elas descobrem

Não se separam

Não há como

Nem mesmo durante o sono…

Que sono?

São a soma de tudo

Ao ponto de se tornar nulo

O direito de adormecer

 

Sim…

E ainda que o tempo se vá

O que foi para sempre será

Gravado por dentro

Não é tormento

É alento

Não é areia

Para ser levada pelo

Vento

É amor

É para agora

Para ontem

Hoje

Amanhã

Todo momento

 

Nos amamos

Confesso-te

Confessa-me

Do que somos

Nós dois precisamos

Esse fluido vital

Nos faz vivos

Precisamos e merecemos

Viver.

entreato

Navegação

 

Vada a bordo, cazzo!

É comum, e diria que até natural, que em algum momento da vida, a busca de um sentido, de uma razão, se torne uma espécie de tônica em sua vida. Afinal, qual é o sentido disso tudo? Para que estamos aqui? De onde viemos? Para onde vamos? Por que nada parece fazer sentido? Por que ainda há gente que vota no PT?

Não tenho uma resposta definitiva, mas a analogia de imaginar-se em um navio diante de mar turbulento parece ser bastante apropriada. Visibilidade próxima do zero. A chuva, o vento, e a proximidade com rochedos fazem a parecer que não é possível ter controle algum sobre a embarcação, e que é obrigação cartesiana o contentamento com os rumos e destinos reservados pela tempestade, sejam eles bons ou ruins.

E eis que então, como que em um passe de mágica, dos porões inundados do navio surge uma faísca que religa os motores. As luzes se restabelecem. As cartas de navegação reaparecem e, de alguma forma, começam a fazer sentido. E não por sorte, um farol ilumina o horizonte, indicando de maneira clara e inequívoca para onde o navio deve prosseguir.

Surpresa! VOCÊ é o capitão de sua vida. Se decidiu ou foi forçado a enfrentar mares turbulentos, lembre-se que ainda assim VOCÊ está no controle. O farol nada mais é que o seu objetivo maior, onde você realmente quer e precisa chegar. É a SUA felicidade. Faça o que for necessário para alcanca-la. Lembre-se apenas de que há outros em busca de suas respectivas felicidades também. Jamais passe por cima destes.

P.S.: Francesco Schettino, ex-comandante do navio Costa Concordia, foi condenado a 16 anos de prisão por causa do naufrágio do cruzeiro no qual morreram 32 pessoas, em janeiro de 2012. Além da “barbeiragem” de ter conduzido o seu navio até os rochedos, Schettino abandonou a embarcação, a sua tripulação e todos os passageiros a sua própria sorte logo após o acidente. Não seja um Schettino em sua vida. Vada a bordo, cazzo!

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/02/comandante-do-costa-concordia-e-condenado-16-anos-de-prisao.html