Absortos ou loucos

Já não há mais dúvida

E tenho medo da certeza:

Não quero só tua beleza

Quero-te toda, na cama e no chão

 

Se nem eu mesmo sei explicar

Como podes insinuar

Que na complexidade do meu pensar

Não sei o que de fato sinto?

 

Rasgas meu coração quando duvidas

Do que é tão óbvio e certeiro

O que tenho de mais verdadeiro

E que carrego sempre comigo

 

Escarras no nosso amor

Como se este fosse uma calçada qualquer

Somos homem e mulher – sabe disso!

E é prudente que nenhum de nós se pise

 

Impávido e colossal amor

Incêndio que nunca se extingue

Que o destino de nós não se vingue

Por sermos tão absortos… Ou loucos.

loucura

Inigualável

O teu gosto é sem igual

O teu cheiro é sem igual

Os teus beijos

O teu toque

Tudo que me fazes sentir

É sem igual

 

Lamento apenas que

Também sem igual

Seja a saudade de ficar sem ti.

saudd_

Poliglotismo

Nem de longe

E muito menos de perto

Digo as palavras certas

E isso não quer dizer

Que eu não sinta ou esteja certo

 

Eu até conheço algumas palavras –

Não todas, obviamente –

Mas o problema não sou eu…

Meu coração fala uma língua que é só dele

E só quem o entende é o teu

 

Portanto, não me escutes com teus ouvidos

É prudente usarmos apenas o coração

Para que tudo adquira inequívoco motivo

E que guardemos os nossos cinco sentidos

Para nossas noites de amor e inclemente paixão.

15

Sem arrependimento

Nada me faz mais falta do que ainda não vivemos

Acho que merecíamos, quem sabe

Usufruir do direito de nos arrependermos

 

Eu deito minha cabeça no travesseiro e sinto

Que por mais que insistamos nos rodeios

Fugimos do inevitável, do que não pode ser extinto

 

E assim, nessa disputa de para lá de infantil

Vamos em frente, confiantes, próximos e distantes

Ignorando que foi o amor que nos chamou e nos uniu

 

Felicidade, espera por nós!

Talvez em alguma curva ou atalho do caminho

A encontremos novamente

Por favor, nos perdoe por isso…

Não se deve fugir ou ignorar o que se sente

 

Se essa era a lição

Que venha a próxima

Não vamos desistir nunca

NÃO!

17FEVEREIRO2015-ARREPENDIMENTO-CHAVE-PRA-MUDANÇA

Anagnórise – Provas e Expiações

Parte IV

 

Não, mil vezes

Não!

As mãos se enroscam

Os corpos se encostam

E da tua boca só se houve

Não!

 

Vazio infinito

Queda livre

Montanha russa

Roleta russa

As línguas se entendem

Desde que não conversem

E de olhos fechados

Quase de tudo acontece!

 

Mas insistes no não

Ainda que respires com

Sofreguidão

Ataque de pânico

Avassalador

Lágrimas que caem

O culpado é o amor!

 

Distância segura?

Outro sistema solar!

Fingir que não sente?

Que tu tentes –

Verás no que vai dar!

 

Eu tenho fé

Já te disse

E mesmo assim duvidei

De mim

De nós

Precisou um anjo

Que por certo

Tinha mais o que fazer

Dar-me umas bofetadas

Para não me deixar

Esmorecer!

 

E no teu caso

Fazemos como?

Fingimos que não somos?

Fingimos que não fomos?

Fingimos, fugimos

Sem honra alguma

Desistimos

Do nosso sagrado direito

De buscar a felicidade

O amor perfeito?

 

Cala-te, mulher!

Deixa que eu falo

Por nós dois

Se na minha presença

Enlouqueces

Como será na

Minha ausência?

Como será o depois?

Nada entre nós

É feijão com arroz

É intenso

É gourmet

É de comer

De beber

De ver

De ouvir

De cheirar

De tocar

De pegar

E não mais largar!

 

Falas de tempo

Como se fosse algo

Infinito

E os teus gemidos

E os teus gritos?

Queres nisso tudo

Dar um fim?

A maldição

Não é estar comigo

É estar sem mim!

 

Precisas que fique de joelhos?

Negue-me

Renegue-me

Ou

Navegue-me

Recebe-me?

Eu respondo por ti

Se for o caso

Do auge da tua

Pseudo-razão

Não percebes que

Teu coração

É por mim que bate?

 

Estou em jejum

Nem água passa

Pela minha garganta

Imploro feito

Uma criança

Não me envergonho disso!

Também não durmo

Faz muito tempo

Esse amor é nosso rebento

Trates de cuidar deste bendito!

 

Não desistirei tão fácil

Não desistirei

Não

Não desistirei

Não desistirei tão fácil

 

Ficou claro?

Não, mil vezes

Não!

Também diz

Meu coração

Quando insistes

Que tua – repito

Pseudo-razão –

Com nosso amor

Não pode

Coexistir

A tua teimosia

Me frustra

Porque teus olhos

Os espelhos da

Tua alma

Esses nunca

Jamais

Me disseram

Ou dirão

Um não.

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