Ciclo viciado

Não amo-te apenas quando estou ébrio:
Apenas me eviscero
Diante dos teus olhos
Quando estou

Sou assim

A culpa
É inteiramente tua:
Teus fluidos
É que me embebedam

Releia a poesia
Até nunca chegar ao fim.

Minha comida

Eu tenho sonhos imensos
Desejos que nunca acabam
Vontades que nunca passam
A todo e qualquer momento

Se eu invento?
Não preciso e nem tento

A culpa é toda tua
Que o tempo todo desfilas nua
Na lascívia inexorável do meu pensamento

És da minha alma alimento
E eu te devoro
A todo e qualquer momento.

Cego-te

Despi-me do sonho
Vesti-me da verdade:
No que é invisível aos olhos
Teu gosto
Teu rosto
Os excessos do meu corpo
Corredeiras que jorrro –
Que pedes
E que encaras –
Morro
Esfrego
Puro gozo
E nos teus olhos
Acidentados de alma sanitária
Realizo-me
E nem disfarço.

Sinto muito

Sim

Eu realmente sinto diferente de você

Eu sinto o agora

A sexta-feira

As taças de vinho que não serão

Os beijos deixados pelo caminho

A flor

O espinho

Eu realmente sinto diferente de você

Porque te sinto

E sinto muito.

Cravo & Canela

Reparei nela…

Comecei pela canela

Depois, café com pó de canela

Mais tarde, óleo de canela

E canela em pau

Obviamente

Só pra ela

Posto que eu cravo

Que nela vigorosamente canela.

Absoluta

Não te amo por amar-te

Tu és como azeite

Que jorra de meus poros

Esperando aquele risoto de bacalhau

Que ainda não foi feito

 

Perdoe-me pela insistência

Por essa infantil carência

Que deseja-te feito dama e puta

Nada que te falo é verborragia fajuta

Sou teu sendo-me meu

És-me a verdade absoluta.

3 – Luxúria

Somos eu

Somos você

Muito mais que nós

 

É o que nos agride

É o que nos maltrata

É a falta da pele do outro

É a falta do cheiro e do gosto

 

É a abundância

É a fartura

É a perda da coordenação

É vício e fissura

 

É o toque

É o gesto

É a saliva

É o arrepio

 

É roupa que cai

É o gole que enlouquece

É o despejar de vida

É a láurea de quem não padece

 

É a beira da praia

É a beira da cama

É a beira da loucura

É essa coisa totalmente insana

 

É o despertar

É o dormir

É o comer até o fim

É não deixar ir

 

É destino

É o inteiro e o recorte

É querer mais que querer

É a brisa fraca e o vento forte

 

É o corpo suado

É a alma que sacode

É a arritmia das cores

É o cachorro que ladra e morde

 

É a eternidade

É o viver sem temer a morte

É amor e anistia

É o não precisar de sorte

 

E por fim

É o Sul e o Norte

É os fatos como são

É da felicidade o passaporte

 

Somos eu

Somos você

Muito mais que nós.

luxúria

1 – Gula

2 – Avareza

3 – Luxúria

4 – Ira

5 – Inveja

6 – Preguiça

7 – Orgulho