Quero com você me despir

Há noites em que você me chama

E o fogo que arde em seu corpo

Em sua cama

Queira você ou não

Chegam até mim

 

Já respiramos um dentro do outro

Não há limites

Nada de esquisitices

Amor visceral

Que de nós flui

E que nos faz sorrir

E outras coisas mais

 

Confesso que sinto sua falta

Do seu perfume

Do seu hálito com alucinante

De todos os nossos cheiros

De todos os nossos gostos

Que valem mais que diamantes

Que fluem –

E como fluem! –

E nos afogam

Morremos em nossos braços

Por alguns instantes.

 

Aliás, você não é mais uma

E por mais tenham existido algumas –

Meu passado eu não renego –

Você é e desde sempre foi

A única de qual não quero

Jamais me despedir

 

No máximo –

Que fique perfeitamente claro –

Quero com você me despir.

tesao

Desmascarando

Máscaras…

Já não te valem mais nada

Caíram

Despedaçaram-se

Simplesmente sumiram

 

Vi teus olhos marejados

Na despedida

As gargalhas desmedidas

Abundantes fagulhas e centelhas de vida

O teu olhar de admiração

Que fez tua alma ficar despida

Teu corpo contraindo-se em turbilhão

Enquanto repousas em mim, exaurida

 

Foram-se todas as máscaras

Mas tu não podes

E nem queres ir mais:

De que adianta ires só de corpo

E tua alma ficar para trás?

 

E quanto as minhas máscaras

Como bem sabes

Nunca as tive:

Na presença ou na ausência

No sorriso ou no pranto

O amor por ti eternamente reside.

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Maratonistas

Lembro-me da luz do sol

Invadindo nosso quarto

Por entre a cortina

Iluminando teu corpo nu

 

Lembro-me do meu corpo

Suado, também nu

Ainda ofegante

No mais completo e extravagante êxtase

 

Nosso cheiro embolado no ar

Roupa de cama molhada

Evidências incontestáveis

De fatos concretos, consumados

 

Teus cabelos bagunçados

Tuas pernas torneadas e meladas

Rios que de ti escorriam

Águas que criaste e levaste de mim

 

Lembro de te puxar-te pelos braços

Jogar-te de volta na cama

Provar novamente os nossos gostos

O mais puro e selvagem absinto

 

Lembro-me de visitar-te por dentro

Do céu da boca e de todos os outros lugares

E de novos rios intermináveis

Jorrando sobre nossos corpos lisos

 

Mas de tudo isso

Lembro-me ainda mais

Da delícia que é ser teu homem

E da delícia que é tu seres a minha mulher.

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