Escuta-me!

Escuta-me!

Percebe meu silêncio?

Estou aqui!

Em silêncio…

Não ouso me manifestar!

 

Palavras mil

Idéias em milhões

Resto de tudo

Náufrago de ilusões

 

Eu sei, amor protocolar

“Estou confusa”

Mas abro meu coração

Rasgo a minha blusa

Alma que sangra por um peito aberto

Completamente desnuda

 

Ah, meu amor!

Que falta faz seu cheiro

Seu sabor…

Saudades de tudo

Mudo…

Silêncio mudo

 

TUDO!

 

Aquela pizza

Aquele vinho

Aquele sushi

Tudo ali!

Saudades do que está de fato perto

Estou vivo

Você também

Estamos aqui!

 

Queria eu que fosse

Um passado esquecível

Mas nosso amor, outro nível

Inquestionavelmente crível!

Aquieto-me diante do meu infindável pranto

 

Mas é assim…

Tantas coisas para lembrar

Um futuro para achar

Dentro de um pretérito imperfeito

Que na fragrância abundante e melada de um amor

Encontrou visceral e inalienável direito

De um futuro que existe sem existir

De um amor que ora renasce e ora está por vir

 

Eternamente…

 

Em nossa existência e na esperança que existe –

E resiste! –

Na nossa razão e motivo para…

 

Sem rima…

 

TUDO!!!

 

quando-o-amor-for

Ouvindo o silêncio

Silêncio, dentro de mim.
Sua voz que tanto me dizia,
Que em acordava, me benzia,
Se foi, junto com você,
No último dia que pude ouvir.

Ficaram as palavras mudas,
De quem jurou, prometeu, se entregou,
Amou, seduziu, gozou,
Que fim tudo isso levou?
Não sei, embora precise saber,
Tudo se silenciou.

Sou silêncio agora,
Pois já disse tudo que podia,
Tudo que havia, tudo que sentia,
Nunca, nunca, hipocrisia,
Tudo verdade, tudo perfeito,
O que eu tinha como meu grande direito,
Se apagou, se emudeceu.

Ouço apenas o cantar dos pássaros,
Que levam e trazem minha saudade,
Reafirmam a minha dignidade,
E me mostram em seu vôo
A liberdade, para ir e vir,
Encontrar meu caminho,
Entre pedras e espinhos,
Minha vida, meu prazer.

E mesmo que eu fizesse muita força,
Você, minha boneca de louça,
Se quebrou, se partiu.
Ninguém, ninguém sorriu,
E o mundo imaginou
O que você nunca admitiu:
Quando você se foi, silêncio,
Dentro de mim,
Mas muito mais dentro de você.

livro-direito-silencio

Pôr do Sol

Sentar ao meu lado

Que eu saiba

Nunca foi pecado

Para falar de poesia

De fotografia

Da vida

Do dia-a-dia

Ou para ficarmos calados

 

Nunca nos faltou assunto

Nunca

E mesmo assim esse silêncio

Essa distância

Essa falta de abundância

Do básico

Algo quase afásico

Algo que não é nosso

Essa coisa, esse troço

Nunca foi assim

 

Ainda me flagro

Conversando com seu cheiro

Com seu toque

E acredite…

Quando me toca

Ainda sinto aquele choque

É como se fosse ontem…

É como se fosse…

É como se não tivesse fim

 

E nada há de apagar

O que foi sentido

O que foi falado

O que foi ouvido

O que foi feito e desfeito

Com a sensação platônica

Do mais que perfeito

 

Não é pretério

Ou finada

A falta que trago meu peito

Como se fosse ontem…

Como se fosse…

E se fosse, seria

Mais do que já é

Mais do que sempre

Renascida

Sobrevivida

A cada sol poente.

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Silenciosamente

Parece-me apropriado acreditar que o silêncio possa ser tão revelador quanto as palavras. Talvez, no silêncio, seja dito o que não se consegue dizer ou traduzir em palavras. O grande complicador, entretanto, é que o silêncio é essencialmente subjetivo e justamente por isso diz o que se quer dizer ou não.

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Holometabolismo

Invade-me teu silêncio

Talvez ele me diga alguma coisa

 

Nada

 

Talvez eu esteja surdo

Talvez tu estejas muda

 

Não precisas me explicar

Metamorfoseio-me

Oiças-me mudo

Eu mudo

E vôo

Pro mundo.

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Ampulhetando

Em silêncio eu espero

Em silêncio, eu espero

E espero na espera

Esperando esperança

No silêncio que impropera

 

O tempo rasga

O tempo dói

O tempo não cura

Pelo contrário!

Vira do avesso

Eviscera as factíveis

E inesquecíveis lembranças

Do que só tem começo

 

Ele faz esquecer

Faz esquecer de esquecer

Relembra com intensidade

Cada vez mais tenaz e forte

É legião – e não centúria ou coorte! –

É esforço pra lá de inútil

É desperdício de momentos

É jurar o amor de morte

E assustar-se com sua vingança

Ferindo-nos com um certeiro bote

Do qual não se escapa

Quer seja por prudência ou pura sorte

 

Mas sei que devo entender –

E ainda assim não entendo! –

Na nossa dor somos vivos

E está por deveras doendo

Mesmo que não saibamos

O futuro acabará sendo

Um desesperado recuperar

De horas……………………

De minutos………………………..

De segundos……………………………….

Que prudentemente ou não

Acabamos perdendo

 

Que eu esteja errado, então…

Que o vento espalhe

As areias do tempo

E que algum dia

Possamos chamar

Esse aparente – e convincente! –

Desperdício

De um grande investimento

Que não deixou resquícios

E que só criou para o futuro

Uma miríade de melhores momentos

Ainda que, por ora

Nem isso sirva de alento

Só duro e cruel sofrimento.

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