Aquele que te amava

Eu era só aquele que te amava
Em qualquer tempo ou lugar
Na frente de tudo
Na frente de todos
Diante de mim

Eu era só aquele que te amava
Que esperava por um sinal
Um breve olhar
Um mínimo sorriso
Para viver o meu dia

Eu era só aquele que te amava
Que comemorava tuas vitórias
Tais como se fossem minhas
E ficava eufórico em te ver crescer
E em de alguma forma te fazer feliz

Eu era só aquele que te amava
Sem julgamentos ou motivos
Sem limites ou barreiras
Amor daqueles brutais
Amor de todas as maneiras

Eu era só aquele que te amava
Que se importava
Que chorava e sorria
Que era poesia
Que era lido e guardado

Eu era só aquele que te amava
Que fazia do impossível
Sempre, sempre possível
Para te ter ao meu lado
Para te fazer feliz

Eu era só aquele que te amava

Eu era só.

Preciso da minha solidão

Olhei pela janela – a mesma de todos os dias – e agradeci. Nunca estar vivo significou tanto para mim.

Abracei minha filha, minha mãe. As lágrimas escorriam sem nenhum controle. Eu não sabia o que dizer. Não sabia o que sentir, muito embora eu sentisse muito. Eu tinha em mim todos os sentimentos do mundo.

Meus amigos me ligavam, atônitos, tentando entender o que havia acontecido. Eu não conseguia contar, não conseguia explicar, porque contar era reviver, e reviver fazia meu coração disparar. Reviver era quase como quase morrer de novo e eu não queria mais isso para mim.

Enquanto uma xícara de café reanimava meu corpo, um filme se passava em minha mente. Lembranças do que foi indo de encontro a tudo que realmente é. Lembranças do que fui indo de encontro ao que realmente sou. Era como se fossem dois eus perdidos e entrelaçados, difusos, atordoados. Era como se eu tivesse perdido tudo e ao mesmo tempo não tivesse perdido nada. O real e o imaginário juntos, nus, completamente despedaçados.

Havia um senso de que tudo precisava mudar e de que era necessário deixar muita coisa ir. Eu precisava mudar. Eu precisava ir. Eu só não sabia o que mudar ou mesmo como mudar, e muito menos para onde ir. De nada eu sabia. Eu não me reconheci.

As palavras que ouvi a meu respeito não ecoavam dentro de mim, mas nem por isso deixavam de ter importância. Até porque a questão não eram apenas as palavras, mas quem as disse e porque as disse. Palavras que iam na contramão de tudo que já havia sido anteriormente dito, vivido e sentido. Palavras. Simplesmente palavras. Palavras com a intenção de se eximir.

Eu errei. Fui induzido ao erro. Agi tendo como base tudo o que eu tinha como verdade. E essa verdade foi construída olhos nos olhos, em conversas intermináveis, em conversas que nunca pensei que chegariam ao fim. A verdade foi construída em uma trama interminável de mentiras que eu aceitei, que eu permiti, que eu vivi.

Foi duro. É duro. A realidade é lancinante. Acordar dói. Dormir também. Fazer algo dói. Não fazer nada também. Existir dói, mas eu sei que eu preciso, mais do que nunca, existir. Não há outra possibilidade. Existir e resistir é a minha grande razão.

E em meio a reuniões de trabalho, onde tudo precisava parecer perfeito, eu olhava para o chão cabisbaixo, tomado por imensa vergonha, desiludido com a minha pretensão e crença infinita de que eu poderia de fato ser ou mesmo estar feliz. Tudo que fiz foi absolutamente em vão.

E diante de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Virgem Maria, deixei meus joelhos tocarem no chão. Não me ajoelhei apenas por respeito, mas por pura exaustão. Não sabia o que pedir. Não imaginava como começar qualquer oração. E acabei por implorar por piedade, pedir e oferecer perdão, e agradecer pelas bênçãos recebidas até então.

E diante deste texto que ora escrevo, sem qualquer motivo especial ou mesmo razão, declaro-me impotente e ao mesmo tempo inocente, muito embora eu ainda esteja dentro de uma prisão.

Nada que o tempo não cure, eu bem sei, mas é assim que me sinto no agora, diante da imensidão de incertezas, de sonhos reduzidos a infinitas farpas e cacos de vidro espalhados pelo chão.

Esse sou eu hoje. Amanhã serei outro qualquer. Melhor do que hoje, por certo. Preciso fazer as pazes com a minha solidão. Preciso aprender a ficar com o nada. Preciso enfrentar o mundo e me enfrentar. Eu simplesmente preciso, muito embora não saiba exatamente do que e muito menos o porquê. Eu só preciso.

Dia dos Namorados – 2019

Então, você está com a buzanfa sentada no sofá e reclamando da vida por estar sozinho(a) no dia de hoje. Você lembra dos filmes da Sessão da Tarde, do(a) ex e sente saudades de tudo aquilo que ainda não viveu (inspiração poética by Neymar). Reclama da vida, culpa todo mundo (menos você) por essa sua “solidão” e compra 15 Kg de chocolate de uma marca obscura para comer enquanto chora feito uma criança.

Vamos parar com isso, né? Há tanta gente acompanhada por aí que está sozinha. Quer dizer que você realmente acredita nos sorrisos e fotos do Instagram e do Facebook, onde tudo é perfeito e as pessoas são 100% felizes? Quer dizer que a única pessoa infeliz no mundo é você?

ACORDA! Ao invés dos 15 Kg de chocolate e de se lamentar como se fosse a pior criatura do mundo, que tal se preparar para ser a melhor versão de si mesmo(a) para atrair para a tua vida alguém que de fato esteja a tua altura e que te mereça? Sim, você tem valor! Você é ÚNICO(A). E com certeza há alguém no mundo esperando por alguém feito você.

Sai de casa! Vai para a academia! Vai tomar um chopp com os amigos! Larga essa merda de celular e vai viver! E assim, quando você menos esperar, você vai dar de cara com aquela pessoa que você nem sabia que existia. Repetindo: sim, ela existe, e está em algum lugar esperando por você.

A opção é inteiramente tua. E lembre-se SEMPRE da frase abaixo…

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Quaisquer

Não te amo por amar-te

Amo-te porque me fazes bem

 

Fosse de outra forma

Serias apenas mais uma

Na multidão de mais umas

Que não se cansam de serem mais umas

 

Mas de maneira alguma

Sinto que sou de alguém

Eis que tenho certeza, meu bem

De que a solidão

Por ora

Até que me cai bem.

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Cinzeiro

Não te assustes, meu bem

Se um dia, ao acordares

Vires o meu lado em nossa cama

Frio e vazio

Fui-me

Precisei ir

 

Sem aviso formal

É fato

Mas vou-me por não me sentir útil

Vi minha vida por teu amor

Por nosso amor

Por nossos planos

Muitos, muitos anos

Ser rasgada a seco

Deixada ao vento

E com fome e frio

Perdida no tempo

Tudo feito e desfeito

Esforço impróprio

Vida pueril

Vida inútil

 

Mas declaro

Que fique claro

Que não sou algoz

E muito menos vítima

Mas eu sou fogo

Sou brasa

O combustível

O comburente

Sou a flecha

E o arqueiro

E não cigarro

Ou mero trago

Ou mesmo cinzas de qualquer cinzeiro

 

Aproveito a oportunidade

Para oferecer-te minhas sinceras desculpas

Não sei exatamente onde errei

Se foi por dar-me como me dei

Ou se foi por sonhar como sonhei

Fato é que agora sei

Que eram meus

E tão somente meus

Os nossos sonhos

E neles nos amávamos

E eu amava

Eu sempre amei

 

E na solidão agora desacompanhada

De minhas horas

Teu nome em minha memória

Saudade que condena e sufoca

Nevoeiro de lágrimas

Que derramam-se em um livro

De uma só página

Um resumo do nosso amor

“Acabou”

Era só fumaça

Mais nada.

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Maldade

A saudade bate forte no peito.
Não avisa quando chega,
Mas chega, dizendo que a distância,
Ou mesmo nossa ignorância,
Não são fortes o suficiente para nos separar.

E procuramos no mundo,
Algo que seja forte o bastante,
Para calar nosso desejo,
Nosso amor, nossos beijos,
Nossa dor, nossa solidão.

Mas o amor é implacável,
Invencível, tenaz, inquebrável,
E insiste em dizer, todo dia,
Nos açougues, nas padarias,
Nas noites tão vazias,
Como é viver sem nos ter.

Saudade,
Sim! Muita saudade,
De tudo o que fomos,
Pois o que somos,
É pouco, muito pouco,
Quando dizemos que o amor está morto,
Muito antes dele morrer.

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Arco Reflexo

E chega a sexta-feira

As taças de vinho

A garrafa na mão

Sento-me

Bebo sozinho

Bebo-te até não sobrar

Uma gota que seja de ti

 

As unhas vermelhas

O elixir tinto

As lembranças que sinto

Os sonhos vivos

Faíscas e centelhas

 

É involuntário

Fisiologicamente necessário

 

A gota de vinho

Que escorre pelo meu peito

Tem teu gosto e cheiro…

 

Não, não há solidão!

Estou contigo

E não, não há perigo…

Sorrio –

Revejo meus lábios no teu umbigo.

beijo-no-umbigo

Ninguém

Quando eu era criança

Eu tinha medo de dizer as coisas

E agora que não tenho mais medo

Não há ouvidos para ouvi-las

 

Ninguém me ouve

Gritar não adianta

Ninguém me ouve

Ninguém

 

Talvez virar adulto seja isso

Ou talvez o mundo seja

Bem pior do que pode

Imaginar uma criança

 

Ninguém me ouve

Ninguém

 

Fui criança

Fui esperança

 

Ninguém me ouve

Ninguém

 

A solidão acompanhada

É a mais dura pena

Que pode ser imposta

A um ser humano

 

Quando ninguém me ouve

Eu me torno ninguém

Nem eu me ouço

Ninguém.

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Anagnórise – Inferno

Parte III

E quando parecia derrotada

Eis que se levanta a razão:

“Tenho total e absoluto controle

Chores, pobre apaixonado!

Chores na solidão!”

E em rios de lágrimas

Afogou-se a alma

Do homem de fé

Suas vísceras foram rasgadas

Suas crenças dilaceradas

E seus sonhos…

Natureza morta

Vida torta

Fecharam-se as portas

Nunca mais iria sorrir!

E no seu quarto

Demônios de todos os tipos

Dançaram em ritmos alucinantes

Riram a todo instante

Gargalharam

Zombaram

Fazendo-o ganir!

Dor, um oceano de dor!

Lágrimas ácidas

Suor putrefato

Enxofre

Miséria

Não esperava por tal ato

Sentia-se dominado

Subjugado

Humilhado

De homem apaixonado

À sobras de um coitado!

Onde estaria Deus?

De que valia a tal fé?

Será que fazia

Sem saber

Preces para o diabo?

Não, ele não podia

Estar enganado

Mesmo assim

Arrasou-se o homem de fé

Virou poeira

Pó de estrada

“Por que este succubus

Meu Deus!

O que fiz de tão errado?”

E sem resposta

Sentiu-se apunhalado

Lembrou-se de Dante

Mas sem forças

Hesitante

“Onde está Virgilio?

Se estou no inferno

Quero daqui sair!

E se ela não é minha Beatrice

O que de fato

Estou fazendo por aqui?”

E sem repostas

Não dormiu

Não comeu

Esmoreceu

Padeceu

Pereceu

E deixou-se morrer

E no seu sonho de morte

Foi acordado por um anjo

Que com clareza lhe disse:

“Homem de pouca fé

Levanta-te!

Estás brincando com tua

Sorte?

Se estás no inferno

Agiganta-te!

De que adiantam palavras

Se quando tua fé é testada

Pareces uma criança?

Na razão jaz tua

Esperança.”

E assim ele fez

Levantou-se ferido

E os demônios assustados

Fugiram aflitos

E com o peito aberto

E o coração nas mãos

Com sangue jorrando

Aos borbotões

Resiliente, disse:

“Coração, perdoa-me!

Fui fraco na fé

Querer qualquer um quer

Mas não só eu quero

Deus também quer

Enviou-me até

Um anjo!”

E tomado por uma miríade

De luzes de todas as cores

Aceitou sua cruz

E seu ofício

Sacrifício

Na certeza de quem tem fé

Pela fé vive e alcança

“Aquiete-se, razão!

Não sou teu inimigo

Sou teu aliado

Estamos eternamento

Do mesmo lado!”

E com a fé testada

De joelhos agradeceu

Pela prova

Que Deus lhe deu

Pois para as maiores conquistas

É preciso estar apto

Lutar contra as incertezas

E reconhecendo suas fraquezas

Transcender

E mesmo sem ainda ter

Alcançado a vitória

Vencer.

Navegação

Descartando Descartes

O que fazer com o que não se entende?

Paciência dizem uns

Sabedoria dizem outros

Terapia dizem alguns

Bebida dizem quase todos!

O que eu digo?

Não aceito e duvido!

 

 

Eu sei dos meus motivos!

A grande verdade

É que minha mente cartesiana

Se nega a entender

Conjunturas e fatos são irrelevantes

Quando é o coração que está a doer.

 

Sangra, pobre coitado!

Ainda que com a carcaça lançada aos abutres

A alma facciosa não desapega-se de sua cruz.

dor de amor