Deixa eu te contar…

Deixa eu te contar…

Fui embora querendo ficar

Queria voltar

Sei lá!

Cismei com essa coisa de te amar

 

Não largo mais o celular

Que grita

Apita

Crepita

Explicita

Esse vício que virou te amar

 

Mas não é só no celular…

É no corpo

No coração apertado

Nos olhos vidrados

No discurso emocionado

No tesão reprimido

Boca, pescoço

Nuca e ouvidos

Não se trata de castigo

É só essa mania de te amar

 

Amo

 

Já aceitei essa parte

 

Amo

 

Já aceitei essa parte!

 

Sendo coisa, vício ou mania

Se reafirma como poesia

Inspira

Desvela fantasias

No teu amor encontrei alforria

Mas no fundo ainda sou escravo

E ainda assim descarto qualquer agravo

Posto que não quero mais minha alma vazia.

bom-dia

Maratonistas

Lembro-me da luz do sol

Invadindo nosso quarto

Por entre a cortina

Iluminando teu corpo nu

 

Lembro-me do meu corpo

Suado, também nu

Ainda ofegante

No mais completo e extravagante êxtase

 

Nosso cheiro embolado no ar

Roupa de cama molhada

Evidências incontestáveis

De fatos concretos, consumados

 

Teus cabelos bagunçados

Tuas pernas torneadas e meladas

Rios que de ti escorriam

Águas que criaste e levaste de mim

 

Lembro de te puxar-te pelos braços

Jogar-te de volta na cama

Provar novamente os nossos gostos

O mais puro e selvagem absinto

 

Lembro-me de visitar-te por dentro

Do céu da boca e de todos os outros lugares

E de novos rios intermináveis

Jorrando sobre nossos corpos lisos

 

Mas de tudo isso

Lembro-me ainda mais

Da delícia que é ser teu homem

E da delícia que é tu seres a minha mulher.

200_s

Por ti

Que não seja contigo

Mas é sempre por ti

É sempre em ti

 

És tudo

 

Absolutamente nada mais –

Posto que não há nada mais –

Cabe em mim

 

Tu me transbordas

És enchente

És vida

És o presente

És o ausente

És o nascer

És o poente

 

És tudo

 

Estás

Invariavelmente

Inexoravelmente

Nos milissegundos do sempre

Aqui.

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