Voto impresso – Sim ou não?

Quando o PT ganhou 4 vezes seguidas com as urnas eletrônicas, eu era um dos que suspeitava das urnas. Não achava possível as pessoas votarem em um poste. Na época, o discurso predominante é que a fraude não estava nas urnas eletrônicas, mas no sistema de totalização que, segundo diziam, “rodava em uma cloud na Venezuela” (???). Por fim, votei no segundo turno das eleições passadas no Bolsonaro e contra o PT (meus votos tem sido assim desde 2002), e o Bolsonaro ganhou.

Se eu acho as urnas seguras? Eu não tenho que achar nada. A regra do jogo atualmente é utilizar as urnas eletrônicas. Se eu acho que poderia haver um debate mais amplo sobre a segurança das urnas eletrônicas? Sem dúvida alguma! Deveria ser promovido pelo TSE, deixando claro que o povo em geral é leigo em se tratando de Tecnologia e Segurança da Informação. Teria que ser algo muito didático.

Enfim… Não é porque o Bolsonaro levantou essa lebre que a lebre não existe. O problema é que ele é inábil. Tipo o documento que ele vazou sobre o inquérito confidencial na PF. Tipo o “desfile” da Marinha (que vergonha!!!). Não interessa se já estava marcado. Desmarcassem. Questão de sensibilidade, de tino político, que ele definitivamente não possui.

Quem está celebrando porque o Bolsonaro perdeu está bem afastado da democracia. Todos os brasileiros perderam ontem. Espero que o TSE não entenda a decisão do congresso como algo do tipo “o povo brasileiro confia cegamente em vocês”, porque isso nem de longe é verdade.

Voto impresso. Por quê?

A grande maioria dos brasileiros utiliza cartões de crédito e débito para fazer suas compras. Alguém opera a máquina leitora de cartões de crédito, o cliente insere o cartão, verifica o valor, e só então digita a sua senha. E para terminar o processo, ainda é impresso um comprovante da compra, onde é possível ver o valor e outras informações.

Por que isso é feito? Para dar transparência ao processo. Não significa necessariamente que se não fosse feito, haveria fraudes. Entretanto, são vários mecanismos como o que você tem (cartão de crédito) e o que você sabe (senha), além do comprovante da compra, que dão lisura ao processo. Em alguns casos, até o que você é (quando pedem o seu RG) é utilizado. E você pode, com uma simples consulta na web, verificar o extrato do seu cartão e coisas do tipo. E ainda assim há fraudes, não é mesmo?

Então, por que a presidente Dilma decidiu vetar o voto impresso?

“A presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei da Reforma Eleitoral (13.165/2015) vetando algumas propostas – uma delas é a obrigatoriedade de imprimir os votos da urna eletrônica.

O voto continuaria a ser feito pela urna eletrônica, mas seria impresso um recibo que ficaria em uma urna física lacrada – o eleitor não levaria um comprovante para casa, nem mesmo teria acesso ao papel impresso, assim evitando compra de voto.

Com isso, a Justiça Eleitoral poderia comparar os votos da urna eletrônica e da urna física, em caso de suspeita de fraude, para identificar diferenças entre ambas. Seria muito mais difícil corromper dois meios de votação – impresso e eletrônico – do que um só.”

A justificativa?

“Mas, segundo o Estadão, os ministérios do Planejamento e da Justiça se opuseram à medida, dizendo que o custo seria alto demais: “a medida geraria um impacto aproximado de R$ 1,8 bilhão entre o investimento necessário para a aquisição de equipamentos e as despesas de custeio das eleições”.

E para piorar um pouco as coisas…

“O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também se opôs, e vem afirmando ao longo dos anos que a urna eletrônica é 100% segura. Isso é questionado por especialistas em segurança, no entanto.”

Fonte: http://gizmodo.uol.com.br/voto-impresso-vetado/

Eu vou começar pelo final. Qualquer profissional da área de Tecnologia da Informação ou de Segurança da Informação sabe que não há sistema 100% seguro. Simplesmente não há. O que há são processos, tecnologias e equipamentos que tornam um determinado sistema mais ou menos seguro, sem contar com a capacitação dos recursos humanos que fazem a implementação desses mecanismos de segurança.

Entenderam onde eu quero chegar? Ainda não? Então, vejam esse link.

http://oglobo.globo.com/brasil/tse-nao-fara-teste-publico-das-urnas-eletronicas-antes-das-eleicoes-12715187

De acordo com a lógica do TSE, temos que confiar que as urnas eletrônicas são seguras porque o TSE diz que elas são seguras. Ponto. Tão simples quanto isso. Fazendo uma analogia, é o mesmo que uma S.A. (sociedade anônima) publicar o seu balanço sem que ele seja devidamente auditado, o que é obrigatório.

Esse é o ponto que as pessoas, por algum motivo, antestesiadas talvez, insistem em não ver. Quem foi o ministro do STF que foi “eleito” para presidir o TSE por dois anos? Dias Toffoli! Aquele que provou todo seu “notório saber jurídico” por ser ex-advogado de Lula e do PT.

Estão ficando mais claras as coisas? Pois bem. Vamos continuar.

Talvez as urnas sejam 100% seguras. Talvez sejam. Entretanto, os resultados das urnas individuais são enviados para um sistema totalizador, que se encarrega de divulgar os resultados. Então, ainda que as urnas sejam 100% seguras, quem garante que o sistema totalizador o é? Quem garante que não é justamente na hora de somar os votos que a fraude ocorre? Afinal de contas, se o voto é secreto, você é agente passivo desse processo. Votou, mas não faz a menor idéia de para onde foi o seu voto. Tudo que você tem é a palavra do TSE dizendo que é tudo 100% seguro.

A ÚNICA MANEIRA de garantir que a lisura do processo eleitoral é através da impressão dos votos. As urnas e o sistema totalizador poderiam servir de indicador do resultado das eleições, que só seria oficialmente confirmado após a contagem manual dos votos.

Não concordou? Tudo bem. Cada um pode pensar como quiser. Eu vejo essa decisão da presidente Dilma como uma confissão de que o nosso processo eleitoral é uma grande fraude, e eu diria isso independentemente de quem fosse o vencedor do pleito. Sem a contagem física dos votos, não há como confiar no resultado. Não há legitimidade no resultado. Isso é tão simples e óbvio que chega a incomodar. Ficamos todos burros? Perdemos o juízo?

Enfim… Hoje, talvez seja o seu partido/candidato vencendo por conta das fraudes. Amanhã, talvez seja um partido/candidato que você abomina vencendo por conta das fraudes. Isso não é democracia. Democracia é, acima de tudo, transparência. Já vivemos de fato e de direito uma ditadura.

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Há um erro grave nessas manifestações!

Desde Junho de 2013, a população brasileira vem dandos sinais claros de que está insatisfeita com a presidente da república e com os rumos traçados pelo PT para o Brasil. Essa indignação é clara e inequívoca. Manter-se no governo com apenas 7% de aprovação seria algo inimaginável em qualquer país, mas acontece no Brasil. Tudo de pior acontece por aqui em se tratando de política.

O que o povo espera de Dilma? Uma renúncia! Isso é algo simples. Ela só precisa dizer que quer sair. Ela vai fazer isso? Todos sabemos que não. Não só ela não quer como o próprio PT não quer. O nos que resta, então?

Resta o impeachment e a cassação, ambos democráticos e previstos em lei. O impeachment seria fazer Dilma deixar de ser presidente, e a cassação seria invalidar a sua candidatura para a presidência. Processos diferentes, por motivos diferentes, que poderiam culminar na sua retirada da presidência e até mesmo na extinção do PT. Mas por que isso não acontece? É nisso que quero focar.

Não são processos rápidos e indolores. Dependem da aprovação maciça da população (o que já existe) e de uma articulação política muito forte do Congresso Nacional.

O que eu vejo? Eduardo Cunha se rebelando contra a Dilma por conta de ver seu nome envolvido na Lava Jato, e Renan Calheiros se aproximando da Dilma, talvez pelo mesmo motivo. Eduardo Cunha posando de bom brasileiro no sentido do confronto e Renan Calheiros posando de bom brasileiro no sentido da conciliação. Qual o resultado prático disso até agora? Algumas derrotas para o governo e tal, mas o mal continua lá. O mal são a Dilma, Lula e o PT.

E o tal PSDB? Eu fiz campanha para o Aécio em 2014. Se eu sou tucano? De maneira alguma. Queria tirar o PT do poder. Ainda quero. Meu voto foi pragmático. Aliás, de lá para cá, quer seja através do Aécio ou mesmo do FHC, o PSDB se mostrou conivente com tudo que está acontecendo. Em inúmeras situações, colocou panos quentes e chegou ao ponto de endossar para o STF mais um membro da quadrilha do PT. Basta acompanhar os noticiários. Fazem jogo de cena o tempo todo!

E as urnas eletrônicas? Provavelmente, fraudadas. Não tenho como afirmar com certeza, mas os processos movidos contra a empresa que frabrica as urnas e a presença de um ministro com “notório saber jurídico” indicado pelo PT na presidência do TSE permitem que qualquer um duvide dos resultados do pleito. Há ainda o detalhe que que as urnas não passaram por qualquer tipo teste público em 2014 para verificar a sua segurança. Tudo isso com o aval do TSE. Tudo isso com o aval dos partidos, que só se manifestaram sobre uma possível fraude depois que o processo eleitoral havia terminado.

E as Forças Armadas? Tenho muito orgulho das FFAA, mas nesse momento, todos os oficiais de alta patente parecem estar adormecidos. Literalmente de pijamas. Os motivos? Não sei, mas é como os percebo. Inércia total e completa submissão aos mandos e desmandos da presidência, como deveria ser constitucionalmente em uma situação normal. Estamos em uma situação normal? Eu creio que não.

O que nos resta, então? Pressão no Congresso Nacional! É lá que as coisas acontecem! É lá que as coisas precisam acontecer! Em um país onde a sexualidade é mais importante do que saúde, educação, segurança e saneamento básico, realmente fica muito difícil. Por que políticos como Maria do Rosário, Jean Wyllys, Manuela D’Ávilla e outros são levados a sério, enquanto um Bolsonaro e um Caiado da vida são logo ridicularizados e estereotipados? Não consigo entender.

Enfim… Meu ponto é que a queda da Dilma é um processo que deve ser parte de nossa pauta diária. Quando um Jean Wyllys da vida vier falar de homofobia, o negócio é cortar o assunto perguntando ao nobre deputado: “Sendo eu gay ou não, como vou pagar as minhas contas com a situação do jeito que está? Por que o senhor finge que não acontece nada além de homofobia no Brasil?” E isso não é válido apenas para o político que mencionei! É válido para todos! Eles precisam saber que defender minorias ou criar minorias para depois defendê-las não é prioridade da população brasileira. QUEREMOS O NOSSO PAÍS DE VOLTA! É tão simples quanto isso.

Agora, se você vê sentido no que eu falei, lamento, mas você é parte disso tudo. É por conta de aceitar a agenda que o governo impõe à população, quer seja diretamente ou através da mídia, e embarcar de cabeça na defesa de causas que não são prioritárias, é chegamos aonde chegamos. E que fique claro que não chegamos ao fundo do poço ainda, mas podemos em breve chegar. É questão de tempo.

Que os brasileiros salvem o Brasil! Só depende de nós. Manter a pressão nas ruas é necessário, mas é no nosso dia-a-dia que podemos fazer toda a diferença.

Acorda, impávido colosso!