Pinga fogo

Na poesia que ora escrevo,
Há o peso de teus fluidos
Nas pontas dos meus dedos.

Descrevo-te,
Escrevo-te
Em palavras,
Que pingam
De mim.

Pinga fogo!
Pinga!

Inundo-te!

Fecundo-te!

És a fêmea…
E que fêmea!

O que de nós
Há de vir?

Minha culpa

Bela justificativa!

A culpa é sempre dela

Da maldita bebida

Para tudo que você fez

Para tudo que deixou de fazer

Para a total perdição

Para tudo que você finge esquecer

 

Parece-me, então

Que seria apropriado

Fazer do álcool algo diário

Um hábito salutar para a mente

Que mesmo sabendo da verdade

Para si mesma mente

Costumazmente

Costumaz mente

Como mente

 

Comi você

 

Estão aí as evidências

Nada disso se apagou:

As manchas no seu vestido

As marcas no teu corpo

O cheiro de quem aproveitou

Gota por gota

Lábio por lábio

Lambida por lambida

Gemidos de deixar rouca

A quem se deixou chamar

Por horas a fio

De puta

Safada

Mulher vulgar

 

A culpa foi minha

Mais fácil assim?

Eu pedi colo, confesso

E você prontamente me deu

O colo do seu útero

Onde não descansei

Onde apenas despejei

Todas as vezes que você quis

Tudo aquilo que você merece

 

Vai lá…

Tenta de novo…

Bebe…

Volta aqui…

Usa e abusa

Goza aos montes de verdade

E depois finge que esquece.

fingir