Eu não me conhecia

E quando eu vi com os olhos

Não mais de quem via

Mas de quem queria ver

Eu deixei de ver

E passei a enxergar

E enxergando

Eu comecei a ver tudo

Que eu não via

.

Observador

E observado

Meu mundo cresceu

Quando me dei conta

De que das minhas lamúrias

Eu também era culpado

.

E amanheceu a vida

Sol que ilumina constante

De noite e de dia

Fui apresentado a mim mesmo

E de fato

Eu não me conhecia

.

Felicidade

.

Renascimento

.

Alforria.

Sempre ou nunca

Quando sobrar tempo

A gente se lembra

Quando sobrar tempo

A gente se fala

Quando sobrar tempo

A gente se vê

 

Sempre

 

E se não sobrar tempo algum

A gente sobra

Nunca falta tempo para esquecer.

Oito horas e trinta minutos

Tempo suficiente para dormir

Para acordar

Para ver

Para crer

E desacreditar

 

Tempo suficiente para tentar

Para desistir

Para esquecer

Para lembrar

E disfarçar

 

Tempo suficiente para pedir

Para implorar

Para entristecer

Para não chorar

E praguejar

 

Tempo suficiente para antecipar

Para retardar

Para pedir

Para despedir

E não ficar

 

Oito horas

E trinta minutos

Nem mais um segundo

São tempo mais do que suficiente

Para a espera de um coração que quer parar

Para não morrer de amor.

fronhas-marina-polide-dreams-aviao-1

Anagnórise – Provas e Expiações

Parte IV

 

Não, mil vezes

Não!

As mãos se enroscam

Os corpos se encostam

E da tua boca só se houve

Não!

 

Vazio infinito

Queda livre

Montanha russa

Roleta russa

As línguas se entendem

Desde que não conversem

E de olhos fechados

Quase de tudo acontece!

 

Mas insistes no não

Ainda que respires com

Sofreguidão

Ataque de pânico

Avassalador

Lágrimas que caem

O culpado é o amor!

 

Distância segura?

Outro sistema solar!

Fingir que não sente?

Que tu tentes –

Verás no que vai dar!

 

Eu tenho fé

Já te disse

E mesmo assim duvidei

De mim

De nós

Precisou um anjo

Que por certo

Tinha mais o que fazer

Dar-me umas bofetadas

Para não me deixar

Esmorecer!

 

E no teu caso

Fazemos como?

Fingimos que não somos?

Fingimos que não fomos?

Fingimos, fugimos

Sem honra alguma

Desistimos

Do nosso sagrado direito

De buscar a felicidade

O amor perfeito?

 

Cala-te, mulher!

Deixa que eu falo

Por nós dois

Se na minha presença

Enlouqueces

Como será na

Minha ausência?

Como será o depois?

Nada entre nós

É feijão com arroz

É intenso

É gourmet

É de comer

De beber

De ver

De ouvir

De cheirar

De tocar

De pegar

E não mais largar!

 

Falas de tempo

Como se fosse algo

Infinito

E os teus gemidos

E os teus gritos?

Queres nisso tudo

Dar um fim?

A maldição

Não é estar comigo

É estar sem mim!

 

Precisas que fique de joelhos?

Negue-me

Renegue-me

Ou

Navegue-me

Recebe-me?

Eu respondo por ti

Se for o caso

Do auge da tua

Pseudo-razão

Não percebes que

Teu coração

É por mim que bate?

 

Estou em jejum

Nem água passa

Pela minha garganta

Imploro feito

Uma criança

Não me envergonho disso!

Também não durmo

Faz muito tempo

Esse amor é nosso rebento

Trates de cuidar deste bendito!

 

Não desistirei tão fácil

Não desistirei

Não

Não desistirei

Não desistirei tão fácil

 

Ficou claro?

Não, mil vezes

Não!

Também diz

Meu coração

Quando insistes

Que tua – repito

Pseudo-razão –

Com nosso amor

Não pode

Coexistir

A tua teimosia

Me frustra

Porque teus olhos

Os espelhos da

Tua alma

Esses nunca

Jamais

Me disseram

Ou dirão

Um não.

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