Confissões

Por que eu deveria me envergonhar de minhas lágrimas, se todas elas foram de verdade?

Tudo que você viu foram confissões escorrendo pelo meu rosto. Tudo que você viu existia em mim. Tudo que você viu sou eu.

Se você me viu chorando algum dia, é porque eu já confiei muito em você. E nesse dia, você não viu a minha fraqueza, mas a força e o tamanho de tudo que me habita. E se você achou isso estranho, a grande verdade é que você nunca vai me compreender: eu não caibo em você.

Em Deus eu confio

Dei-me conta de que quando eu rezava pedindo para que fosse feito o melhor por nós (por ela e por mim), estava pedindo para Deus afasta-la de minha vida. Não havia o tal nós e era justamente isso que eu não entendia, que eu não sabia, que eu desconhecia. Eu era só um ator coadjuvante em um filme de quinta categoria, induzido ao erro 24 horas por dia. Manipulado por completo por uma pessoa que sempre me dizia: “Confia em mim. Me espera. Nós vamos ficar juntos”. E ela falava essas coisas olhando dentro dos meus olhos… Eu era muito, muito trouxa mesmo!

Não nasci para isso. Nasci para ser protagonista da minha própria vida. E por mais que doa perceber que nunca (repito: nunca!) fui nada, absolutamente nada além de uma peça em um jogo perverso sem possíveis vencedores, foi nessa descoberta que encontrei toda a força necessária para seguir adiante.

A verdade liberta. Hoje, eu sou livre. Dou graças a Deus por isso. E sigo em frente de cabeça erguida, com a consciência tranquila, e agradecido pela chance de poder recomeçar mais uma vez.

Em Deus eu confio. Sempre.

Vim trazer verdades 35

Há uma mensagem poderosa por detrás da forma como as pessoas lhe tratam. Quem ama ou nutre algum tipo de sentimento positivo por você lhe respeita, não mente, não é inconsequente em seus atos e não lhe machuca intencionalmente. Toda pessoa que se coloca em uma situação em que possa lhe perder não merece a sua confiança, a sua presença e muito menos a sua atenção. Quando perceber esse tipo de padrão de comportamento em alguém, aceite como uma libertação de Deus e afaste-se.

Nossa Sina

Faz-se luz na noite do meu dia,
Quando desfilas calma, silenciosa,
Iluminando os alicerces de minh’alma,
Sem saber que o fazes, pois não me conheces,
Ainda assim atendes minhas lúgubres preces,
Seguindo teu destino que te funde ao meu.

Não sei por onde andas, aonde vais,
Pois também não te conheço,
Mas é inegável que tenho por ti grande apreço,
Pelo simples fato de saber que existes.
Dirijo-me para ti, de cabeça em riste,
Com meu lábaro manchado de sangue.

Açoitado fui, vítima de escárnio,
Mas ainda assim respeito as tiranias
Dos que se julgam senhores – pura verborragia!
Mesmo quando o desespero assolava meu leito,
Sonhava em ti, por ti, para que em teu peito
Pudesse alcançar a verdade por detrás.

E tu esperas por mim, sem perceber,
Caminhando os nossos turvejantes dias,
Para acabar de vez com nossa sentimental anemia.
Lembre-se que, quando chegares, nada será como antes,
E eu que ainda sou um mero cavaleiro errante,
Darei grande brado, para em nossa etérea plaga descansar.

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Deus não tem nada a ver com isso!

Não culpe Deus por não fazer a parte que não lhe cabe fazer.

Então, você tem rezado com os joelhos no chão. O que você espera que Deus faça? Que se manifeste fisicamente e resolva os seus problemas? Que diga para os outros o que precisa ser dito? Que termine o que não está dando certo para que algo novo se inicie? Que force você a se amar, a se respeitar, e a dizer não para o que te faz mal?

ISSO CABE A VOCÊ! O trabalho de Deus é inspirar, incomodar, indicar, intuir, esclarecer, guiar… Deus manda a resposta, mas o livre arbítrio é teu. É você quem decide o que fazer com a resposta e não Deus.

“Ah! Mas Deus não está me respondendo…” Não minta para si mesmo, vai… Deus SEMPRE responde. A questão é que muitas vezes a resposta é diferente daquela que você esperava, nem por isso deixa de ser uma resposta divina.

Reze de joelhos no chão se for o caso, mas prepare-se para ouvir o que você não quer ouvir e para ver o que você não quer ver.

Enquanto você fingir que acredita em Deus apenas quando a resposta que recebe bate com a sua vontade, é como se Deus não existisse. E Deus existe SEMPRE!

E aí? Vai continuar fingindo que não recebeu nenhuma resposta?

Crisol

O que eu procurava
Em mim já existia
E se transformava em poesia
A todo instante

Um universo inteiro
A lua e o sol
Na vida um crisol
De tudo que é verdadeiro

Vivos e gritantes
Os abraços e os beijos
As paixões e os desejos
As taças que já bebi

Todas as minhas vísceras
As tristezas e os medos
As confissões e os segredos
O amálgama de mim

Era essa a minha loucura
Procurar o que eu já tinha
O que em mim se aninha
O que estou disposto a oferecer

É tudo gratuito
Pois nada tem preço
Porque tudo que ofereço
É porque só sei ser assim.

Seguindo em frente

Uma coisa que eu aprendi é que para cada pergunta que já fiz sobre a minha vida, antes mesmo da pergunta ter sido formulada, já havia uma resposta. E a resposta estava ali, bem na minha frente, apenas esperando a pergunta correta ou mesmo adequada para emergir.

E pensando sobre isso, me dei conta que já tive medo de fazer certas perguntas por ter medo de me deparar com as suas respostas. Sim, essas mesmas respostas que eu dizia que procurava. A questão é que de fato as dúvidas não existiam. O que existia era um mecanismo de defesa, pois ao não fazer as perguntas eu podia dizer que desconhecia ou mesmo que não sabia das respostas.

Quanta tolice! Quanta imaturidade! Quanto tempo perdido em questionamentos intermináveis, até mesmo quando o óbvio insistia em se fazer presente. Quanta energia desperdiçada! Quantos “socos na parede” apenas para perceber que a parede não se importava com meus socos e permanecia completamente indiferente à dor em minhas mãos, à dor em minha alma, em meu coração. Minha dor e de mais ninguém.

Admitir que eu não sabia lidar com algumas respostas (i.e. a verdade) foi um dos processos mais dolorosos que já tive que enfrentar na minha vida. E até para isso já existia uma resposta:

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” – João 8:32

E assim, percebi que talvez eu não quisesse me libertar. Talvez eu apenas quisesse que as coisas não fossem como elas realmente eram. Talvez a esperança de que algo mudasse fosse grande e forte o suficiente para me fazer pensar em esperar até que a resposta mudasse. E muitas vezes eu fiquei esperando, esperando, esperando…

Seria, então, a esperança algo ruim? A esperança paralisante é. Algumas vezes, tudo que precisamos fazer é olhar para Deus e dizer: “Toma! Isso é grande demais para eu resolver!” E assim seguir em frente, na certeza de que as coisas serão como tiverem que ser. O que seria a fé senão isso?

Ainda tenho medo de algumas respostas – que isso fique claro, mas também tenho esperança. Não necessariamente a esperança de que algumas respostas mudem, mas a esperança de que encontrarei em meu caminho meios que me façam ir adiante mesmo diante de respostas com as quais não sei lidar (ainda).

E que assim seja. Eu tenho fé e isso é tudo que eu realmente tenho.