Em busca da verdade

O amor não é a foto no Instagram

É o que faz a foto precisar existir

Não é a mensagem do WhatsApp

Mas a vontade de enviar a mensagem

Não é o coração do Facebook

Mas o sorriso indisfarçável por detrás da tela

 

O amor é sempre causa

Nunca consequência

 

Nunca vi um amor sobreviver só de palavras

De declarações

Nunca vi um amor sobreviver só de coisas grandes

Monumentais

O amor se retroalimenta de coisas pequenas

Da intimidade, da cumplicidade

Da atenção aos mínimos detalhes

Da generosidade e da sinceridade

Da desavença e do entendimento

Do perdão, da compreensão

 

O amor é pai de tudo que é bom

De tudo que na vida faz genuína diferença

 

E eu, como aprendiz de poeta

Digo que o amor não está nas minhas poesias

Mas no que não mostro

Aceito e sinto

Para mim, o amor é invisível

Mas eu sei

E como sei!

Que ele de fato existe

 

O amor é minha única verdade

E em busca da verdade eu sigo.

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Temo-me

Não temo a morte

Temo estar morto em vida

Em alimentar feridas

Que sequer precisariam existir

 

Temo que me falte coragem

Para seguir minha vontade

E que o que fogo dentro de mim arde

Cozinhe meu destino

 

Temo que me sobre medo

De ir, de ficar

De esperar, de avançar

Medo do que nem sei se existe

 

Temo temer

Essa é a verdade

Temo ser um grande e falso sorriso

E encontrar um medíocre abrigo

Que assassine minha esperança

 

Temo temer

Tudo que eu poderia viver

E ainda que o tempo não seja meu amigo

Não é meu maior inimigo

Posto que este já sou eu.

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Nossa Sina

Faz-se luz na noite do meu dia,
Quando desfilas calma, silenciosa,
Iluminando os alicerces de minh’alma,
Sem saber que o fazes, pois não me conheces,
Ainda assim atendes minhas lúgubres preces,
Seguindo teu destino que te funde ao meu.

Não sei por onde andas, aonde vais,
Pois também não te conheço,
Mas é inegável que tenho por ti grande apreço,
Pelo simples fato de saber que existes.
Dirijo-me para ti, de cabeça em riste,
Com meu lábaro manchado de sangue.

Açoitado fui, vítima de escárnio,
Mas ainda assim respeito as tiranias
Dos que se julgam senhores – pura verborragia!
Mesmo quando o desespero assolava meu leito,
Sonhava em ti, por ti, para que em teu peito
Pudesse alcançar a verdade por detrás.

E tu esperas por mim, sem perceber,
Caminhando os nossos turvejantes dias,
Para acabar de vez com nossa sentimental anemia.
Lembre-se que, quando chegares, nada será como antes,
E eu que ainda sou um mero cavaleiro errante,
Darei grande brado, para em nossa etérea plaga descansar.

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Martírio

As horas avançam

E a necessidade encrustrada desperta

E revela planos

Tramóias e enganos

Verdades incompletas

Que não escondem

A porta que deixas aberta

Em teu peito

Durante a noite

Onde me escondo

Deliciosas descobertas

 

E no teu sussurro desconexo

No teu gemido que sai rouco

Nas marcas que deixas em meu corpo

No teu vigor que me deixa louco

Entrego-me

Renego-me

Nossa unicidade plena

Não é doxa ou paradoxa

É teorema

 

E nessas sessões de tortura consensual

Reciprocidade arreganhada

Desavergonhada

Toques e retoques

Tudo pleonasticamente abissal

Fazemos-nos homem e mulher

E que seja feito o que o universo quiser

Desse fogo que nos rasga

Nos assa e amassa

Enquanto nos comemos à colher

 

E a manhã que chega úmida

Fronhas e lençóis

Que escorrem

E que nos fazem lembrar

Que não há melhor prazer na vida

Que por a roupa de cama para lavar.

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Buscando respostas

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” – Geraldo Vandré

Frases contraditórias. Muitas vezes se espera para saber. A iluminação pode surgir em um piscar de olhos, mas ela também pode aparecer depois de um tempo. O importante é estarmos em busca do saber.

Acho que a dúvida de muitos é onde encontrar esse saber, que em última análise se transforma em uma grande busca por respostas. Procuramos em livros, em artigos, em amigos e em familiares as respostas para as quais precisamos. Tais respostas costumam variar bastante. Algumas se apresentam contraditórias. Nos esquecemos, entretanto, de perguntar para quem via de regra sabe todas as respostas: nosso eu interior.

Entretanto, isso não é tão simples quanto parece. É preciso que o seu eu interior esteja conectado ao universo e preparado para receber respostas, muitas vezes, completamente diferentes das que esperavamos obter.

O universo tudo sabe. Se o universo te fez chegar até às perguntas, as respostas já existem. Ouça-as. Veja-as. Elas estão em todos os lugares, até mesmo nos mais inusitados.

Mas não… É bem provável que ela não venha na forma de palavras. É bem provável que não seja verbalizada. É bem provável que venha através de sinais.

Sim, sinais! É a música que toca, o pássaro que voa distante, o vento, o barulho das ondas do mar… Contextualize os sinais diante de suas perguntas e pronto. Eis que surgem as suas respostas.

Aceite-as. Receba-as com gratidão. Por mais dolorosas ou difíceis que sejam ou pareçam ser, são as verdadeiras respostas. São as únicas respostas. São a verdade. A verdade que sempre esteve dentro de você e que o universo simplesmente aflorou quando você realmente quis ou estava preparado para encontra-la.

Não tema a verdade. Ela é o único meio de sermos realmente livres.

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Diga-me!

Nesse momento, não preciso de metáforas, metonímias, catacreses, perífrases… Quero abundantes hipérboles, pleonasmos e anáforas. Quero que as palavras rasguem meu corpo feito navalhas. Quero que jorrem sangrentas obviedades. Quero purgar a realidade. Quero olhar nos olhos da verdade.

Diga-me! Não importa se nascerão deuses ou demônios! Diga-me!

E ainda que eu vire pó, do pó ascenderei ao céu

Não sei se como vítima, juiz ou réu

Meu coração não sabe ficar ao léo

Diga-me! Antes que uma surdez catastrófica me reclame!

Diga-me! Não espere que eu clame! Diga-me!

Ou não diga… E não direi também.

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