Foice

Algumas vezes

É preciso doer como nunca

Para que não doa para sempre

 

A vida é assim

Nos altos e nos baixos

“Nas favelas, coberturas,

Quase todos os lugares”

 

Não importa a idade

Ou se é cedo ou tarde:

Ir ou deixar de ir

Decidir ou não decidir

Tudo é ou gera

Uma implicação

Sob a qual versam versos vivos

Que carecem de explicação

 

É para ser sobre o hoje

E nunca sobre o amanhã

Que soa deveras infinito

Mas que pode não acontecer

Pode não vingar

Pode não ser

 

A contagem regressiva para a morte

Inexorável, invisível

Foice que alguns deixam

Ao relento

E quando chega

Em um único corte

 

Foi-se

 

Independentemente

Do querer ou não

Foi esta a sua sorte.

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Dia dos Namorados – 2019

Então, você está com a buzanfa sentada no sofá e reclamando da vida por estar sozinho(a) no dia de hoje. Você lembra dos filmes da Sessão da Tarde, do(a) ex e sente saudades de tudo aquilo que ainda não viveu (inspiração poética by Neymar). Reclama da vida, culpa todo mundo (menos você) por essa sua “solidão” e compra 15 Kg de chocolate de uma marca obscura para comer enquanto chora feito uma criança.

Vamos parar com isso, né? Há tanta gente acompanhada por aí que está sozinha. Quer dizer que você realmente acredita nos sorrisos e fotos do Instagram e do Facebook, onde tudo é perfeito e as pessoas são 100% felizes? Quer dizer que a única pessoa infeliz no mundo é você?

ACORDA! Ao invés dos 15 Kg de chocolate e de se lamentar como se fosse a pior criatura do mundo, que tal se preparar para ser a melhor versão de si mesmo(a) para atrair para a tua vida alguém que de fato esteja a tua altura e que te mereça? Sim, você tem valor! Você é ÚNICO(A). E com certeza há alguém no mundo esperando por alguém feito você.

Sai de casa! Vai para a academia! Vai tomar um chopp com os amigos! Larga essa merda de celular e vai viver! E assim, quando você menos esperar, você vai dar de cara com aquela pessoa que você nem sabia que existia. Repetindo: sim, ela existe, e está em algum lugar esperando por você.

A opção é inteiramente tua. E lembre-se SEMPRE da frase abaixo…

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Desafios são oportunidades

Eu me lembro que quando comecei a trabalhar, em um belo, dia a minha gerente me disse: “temos um problema”. Foi assustador ouvir isso. Na minha percepção, a palavra problema trazia consigo uma carga muito, muito negativa, ao ponto de causar até uma certa paralisia. Acabamos por resolver o tal problema, mas a impressão que fiquei com relação à palavra permaneceu.

Alguns empregos depois, tive um gerente sueco que me chamou em sua sala e disse: “Estamos diante de um desafio…” e explicou todos os detalhes. A palavra desafio, ao contrário da palavra problema, me tocou de maneira diferente. O desafio eu tomei como algo pessoal, ainda que fosse uma questão corporativa. Era como se meu chefe estivesse me dizendo algo do tipo: “você pode, você consegue”. Nem preciso dizer que virei noites por conta própria para vencer o tal desafio, não é mesmo? Aquilo mexeu comigo. Eu fui desafiado, e isso tirou o melhor de mim.

O tempo passou e comecei a gerenciar pessoas. Como bom aluno, aprendi a lição. Nunca falei com meu time sobre problemas. Sempre eram desafios, coisas que precisávamos resolver juntos. E isso também dava a eles a percepção que eu tinha: éramos parte da solução e não o problema propriamente dito.

Durante esse processo, acabei por interiorizar esse conceito de tal forma que ele também passou a fazer parte da minha vida pessoal e de como eu encaro as questões que a vida me propõe. E fui mais longe… Percebi que quando a vida me dava um desafio (e desafios surgem todos os dias), é porque já existia em mim o poder, a força, a determinação e o conhecimento necessários para começar a supera-lo. E mais… Também percebi que se um desafio aparecia de forma constante em minha vida, é porque a minha estratégia para supera-lo estava equivocada. Era a hora de parar, dar um passo atrás e pensar: “O que posso fazer diferente? Por que estou não estou avançando?” E com pequenos ajustes, acabei me vendo capaz de fazer coisas que antes eu achava impossíveis. Literalmente.

Moral da história: a vida, em todos os seus níveis (pessoal, profissional, etc.), não é fácil. Entretanto, a maneira como lidamos com as questões que surgem é que define os resultados que alcançamos. Se eu pudesse dar uma sugestão para alguém que se encontra “empacado” em qualquer aspecto de sua vida, eu diria para mudar a forma de encarar o que está acontecendo. Não é um problema. É uma oportunidade, um chamado, e uma forma de ser ou de desenvolver o que cada um tem de melhor dentro de si.

Problemas nos paralisam e sem desafios estacionamos. E a vida só faz sentido quando estamos em movimento. Sempre.

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Doe-se

E no dia de hoje

Queira ser o motivo

Do sorriso de alguém

 

Afinal de contas

O que pode ser mais valioso

Do que ofertar o que só você tem?

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Mediocridade

É procurar no amor alguma certeza ou razão

É amar com um pé atrás

É amar com os pés no chão

 

É viver de aparências

É aparentar ser

É nunca ser nem causa e nem consequência

 

É prender o cabelo quando bate o vento

É não sair de casa porque acabou o filtro solar

É fazer cálculos a todo momento

 

É abraçar sem encostar o peito

É beijar sem usar a língua

É tentar fazer amor e não sentir qualquer efeito

 

É o poema vazio e plasticamente correto

É virar a cara para a “cara metade”

É achar erro no que está certo

 

É o quase, o quem sabe e o talvez

É viver a vida em marcha lenta

É querer entender todos os porquês

 

É matar o desejo e o sonho

É viver o tempo todo sorrindo

Com o coração sempre tristonho

 

Mas

Acima de tudo

A mediocridade é uma escolha:

É como ter em mãos uma preciosa garrafa de vinho

E nunca sacar a sua rolha.

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Inquietude

Na segunda-feira, dia 15/04/2019, durante uma breve caminhada, as minhas velhas e queridas sandálias Havaianas soltaram as tiras. Foram 10 anos de um relacionamento intenso, vencido pelo cansaço. Ela descansou em paz.

Piadas deixadas de lado, me vi descalço, no meio de uma rua movimentada de minha cidade, e fiquei sem saber o que fazer. Até que me dei conta que havia sandálias bem perto de mim, penduradas em um mostruário na frente de uma farmácia.

Mesma cor, mesmo número, e segui em frente. Foi fácil. Eu tinha um cartão de crédito. Apenas mais um causo para ser contado, não fosse por um pequeno detalhe: eu não era o único sem sandálias naquela rua. Logo na saída da farmácia, havia um mendigo descalço. Não era eu, felizmente, mas isso me incomodou de uma forma que eu não consegui entender no momento.

Em casa, me dei conta do quanto foi fácil resolver a questão. Talvez menos que cinco minutos. E o mendigo? Resolveu a sua questão? Tinha consciência de que havia um problema para ser resolvido? Acostumou-se a viver sem uma solução? Por que eu tinha uma sandália e ele não?

Eu não consegui obter uma resposta minimamente satisfatória. Tentei pensar em todas as “possibilidades possíveis”, e me deparei com uma verdade aterradora: eu era um privilegiado. Eu tinha. O mendigo não tinha. E o mundo seguia em frente assim mesmo. Era assim.

E me senti devedor do mundo. E me lembrei que pago meus impostos, que também deveriam servir para combater a mendicância, a pobreza. E me lembrei das discussões religiosas e políticas sobre o assunto. Só que no meu coração não funciona na base do “eu já fiz a minha parte”. Há uma parte muito forte em mim que não se contenta em ver o errado, mesmo que eu tente fazer ou já tenha feito a minha parte. Eu sou um inconformado.

Dizem que a maturidade e a sabedoria vem com o tempo. Acredito, mas a minha inquietude só aumenta. É preciso fazer algo sobre isso. Não sobre a minha inquietude (eu a aceito como uma qualidade), mas sobre as mazelas do mundo, inclusive as minhas. A questão não é sentir culpa, mas como cidadão do mundo, é óbvio que carrego alguma.

Há um chamado dentro de mim para fazer coisas maiores do que já fiz e faço. Ainda estou tentando decifra-lo. Não quero calçar o mendigo. Quero mesmo é acabar com a mendicância. Sonho grande demais? E quem disse que tenho que sonhar pequeno?

Vou fazer a minha parte em pequenas doses. Em troca eu só quero uma coisa: nada. Para mim, ajudar os outros é algo egoísta. Ajudo porque me incomoda. Ajudo porque isso vicia. Amenizar a dor do outro ameniza as minhas dores também. É isso. Foi o que uma sandália arrebentada me ensinou.

Em frente, sempre. Mais inquieto ainda.

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Cantando alguma canção

Meus sonhos são grandes demais

Para ficarem em compasso de espera

Anestesiados e iludidos

Por desculpas que não são minhas

E por problemas que não são meus

 

Sinto que perdi parte de minha vida

Sendo empático, pouco prático

Fingindo não ver o óbvio

Com receio de admitir o engano

E simplesmente seguir em frente

 

Havia sempre aquela coisa do

“Não é possível! Não é possível!”

E ferido, cansado e atônito

Buscava por alguma explicação

Dessas que nunca se recebe

 

A vida é como é

As pessoas são como são

O erro não é querer muito

Mas esperar muito do nada

E achar que o nada é tudo

 

É preciso coragem para admitir

Que foram feitas apostas erradas

E que em um jogo de cartas marcadas

Quem joga honestamente

Não tem a menor chance de vencer

 

Felizmente, acaba por chegar o cansaço

E as fichas invariavelmente caem –

Não há como delas fugir –

Aliás, fugir não é necessário

É imperativo deixar a verdade emergir

 

Quando se diz não para a mentira conveniente

As palavras se tornam só palavras

Palavras feitas de nada

Não mais é preciso que façam sentido

A necessidade de seu entendimento se cala

 

A vida segue em frente

E há na frente melhores dias

Dias de verdade, sem súplicas

Dias sem a necessidade de clamar

Pelas coisas simples do coração

 

E sim, eu aprendi a lição

E ao invés de nadar em raiva

Sou puro amor e perdão

É nisso que sou melhor nessa vida

E sigo em frente cantando alguma canção.

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