Feito um bom vinho

Que o brinde distante
Se torne apenas
Mais um motivo
Para brindarmos ao vivo
Pelo que achávamos
Que tínhamos
Pelo que achávamos
Que não precisávamos

Tempos difíceis
Corações tristes
Almas amoadas…

Mas eu estou aí
Tu estás aqui
Não percebes?
É tudo temporário

E talvez seja esse
O grande detalhe:
Tudo é temporário
Nada é de fato nosso
Mas o que sentimos
É do mundo
É o próprio mundo
É a nossa vida
É a nossa coragem

E que nossos corações –
Ora desnudos –
Encontrem-se em sonhos
E que acordemos risonhos
Com menos dúvidas
E com algumas –
Ainda que poucas –
Certezas
Que espantem as tristezas
Feito fartos goles
De um bom vinho.

Ciclo viciado

Não amo-te apenas quando estou ébrio:
Apenas me eviscero
Diante dos teus olhos
Quando estou

Sou assim

A culpa
É inteiramente tua:
Teus fluidos
É que me embebedam

Releia a poesia
Até nunca chegar ao fim.

És tudo que me cinge

Hoje
Meu amor, minha vida
Calhou de me dar a vontade
De escrever uma despedida
Que depois de duas garrafas de vinho
Parece-me a única avenida
Ainda que seja um beco sem saída
Ou trilhos que levam-me ao nada

Há 3 meses não ouço de ti
Há 3 meses não toco tua pele
Há 3 meses não sei de nós
Há 3 meses…
E parece-me toda uma vida
Dada com os burros n’água

E nesse turbilhão de saudades
Nessas pequenas e diárias eternidades
Por uma última vez
Venho aqui dizer que te amo
E que te amarei para sempre
Todos os dias
Até mesmo nos dias
Em que eu não amar-te-ei:
Dias que não existem

Ad infinitum
Esta, pois, é a minha vontade
Mantém-se a minha doce santidade
Na presença que não se materializa
E que me estrangula de tanta saudade
Esvai-se a minha sanidade
No perfume que deixaste
Em tudo por aqui
E que todos os dias
Pelo vento confirmas e trazes

Amor meu
Onde estão os olhos teus?
Que tanto me iluminavam
Que tanto me diziam
A tua voz que me sorria
O que sem dizer, dizias…

Eu não sei
E de tanto não saber
De mim mesmo estou farto

Dei-te meu mundo
Cada e todo segundo
O que em mim há de mais fecundo
De mais profundo
Se foi…
E sequer sei para onde
Eu mesmo me fui:
Meu destino é ignorado

Não sinto-me sozinho –
Por certo –
Estás sempre por perto! –
E em meu peito
O coração sempre aberto
Clama por teu nome
Que não repetirei aqui
Em memória do que não foi vivido
Em nome do respeito e do zelo
Que sempre nutri e nutro por ti

Hoje
Meu amor, minha vida
É só um dia qualquer
Onde eu homem
E tu que eras
Para ser minha mulher
Não se encontram
E nesse eterno não encontrar
Hoje, morri de saudades
E ainda assim estou aqui
Absorto em minhas flexuosidades

Erguerei outras taças
Farei outros brindes
Conhecerei outras pessoas
Mas, hoje
Tudo que me cinge
Tem o teu nome
E é em memória de ti
Por si
Em dó
Por todas as notas
Que por nós são
Uma única melodia
E só

E a minha faina
É todos os dias –
Mentir
E fingir que nunca –
Profunda e absolutamente –
Eu te conheci
Mas de fato conheço-te…
E conheço-te
Porque vivo-te
E de ti nunca me esqueci.

Praia de Icaraí – Niterói/RJ – Brasil

In Vino Veritas – Pinot Grigio

Duas garrafas de vinho vazias. Feito lentes de um par de óculos, que revela toda e qualquer verdade. Oráculo do que já se é e ainda assim se almeja ser.

In Vino Veritas

E uma vez vista, a verdade não pode (e nem deve) ser desvista.

Todo dia é sexta-feira!

Quando você trabalha com o que você gosta, sexta-feira é só mais um dia qualquer. É claro que poder dormir e acordar mais tarde é algo interessante, mas também há gente que trabalha sábado… Há gente que trabalha domingo… Enfim. E os filhos, compromissos familiares, etc.? Quem é que consegue hibernar assim?

E outra coisa… Quando eu tinha 12 anos, queria chegar logo aos 18. Hoje, com 47, quero voltar para os 18. Quero que a vida passe lentamente. Eu quero viver intensamente cada segundo, cada minuto. A vida é breve demais para dizer “estou louco que chegue sexta-feira”. Aliás, o que se pode fazer na sexta-feira que não se pode fazer nos outros dias? (risada maquiavélica).

De qualquer maneira, uma EXCELENTE sexta-feira para todos! E curtam cada segundo, cada minuto, de todos os dias de suas vidas. São únicos e não voltam mais.

Cheers!

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Oi, Lua!

A Lua acende a noite

E eu em busca de respostas

Para perguntas que eu nunca fiz

 

Sinto saudades de algo novo

Diferente de tudo que já vivi

E que não se acabe na melancolia

De uma sofrida taça de vinho

 

Sinto-me vivo

Muito, muito vivo

E vazio, inteiramente vazio

Lembrando-me do que eu nunca fui

 

Mas também sei

Que é justamente nesses momentos taciturnos

Enquanto bebo água do fundo do poço

É que vou reinventar o meu existir

 

E nem é tão ruim assim…

A dor é amiga e companheira

É fim e também o início

De tudo que ainda está por vir

 

A Lua acende a noite

E a Lua está linda…

Como antes eu nunca a vi.

maria-te-viu-frases-falar-com-a-lua

Sinto muito

Sim

Eu realmente sinto diferente de você

Eu sinto o agora

A sexta-feira

As taças de vinho que não serão

Os beijos deixados pelo caminho

A flor

O espinho

Eu realmente sinto diferente de você

Porque te sinto

E sinto muito.