Em busca da verdade

O amor não é a foto no Instagram

É o que faz a foto precisar existir

Não é a mensagem do WhatsApp

Mas a vontade de enviar a mensagem

Não é o coração do Facebook

Mas o sorriso indisfarçável por detrás da tela

 

O amor é sempre causa

Nunca consequência

 

Nunca vi um amor sobreviver só de palavras

De declarações

Nunca vi um amor sobreviver só de coisas grandes

Monumentais

O amor se retroalimenta de coisas pequenas

Da intimidade, da cumplicidade

Da atenção aos mínimos detalhes

Da generosidade e da sinceridade

Da desavença e do entendimento

Do perdão, da compreensão

 

O amor é pai de tudo que é bom

De tudo que na vida faz genuína diferença

 

E eu, como aprendiz de poeta

Digo que o amor não está nas minhas poesias

Mas no que não mostro

Aceito e sinto

Para mim, o amor é invisível

Mas eu sei

E como sei!

Que ele de fato existe

 

O amor é minha única verdade

E em busca da verdade eu sigo.

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Dentro do supermercado

– Nossa… Você se parece tanto com meu filho que faleceu…
– Olha só, minha senhora… Eu já recebi esse golpe no WhatsApp. No final, a senhora sai falando que sou seu filho e eu tenho que pagar por suas compras. Portanto, não perca seu tempo comigo.

Com os olhos marejados, a senhora abre a carteira e mostra a foto do filho.

– Como eu disse, esse é meu filho. Só que ele não era sem educação como você.
– A senhora me desculpe, pelo amor de Deus! Não quis ser grosseiro. É que eu vi esse negócio no WhatsApp…
– Quer dizer que você acredita em tudo que lê na Internet?
– …
– Tchau!
– Espera… Vamos fazer o seguinte… Vamos recomeçar? Eu ando em direção a senhora, e a senhora fala novamente sobre seu filho…
– VAI À MERDA!

Engoli em seco. Fui um troglodita com a senhora. Senti-me a pior criatura do mundo. Enquanto eu era consumido pelo arrependimento, a senhora desapareceu.

Fiquei meio desnorteado e saí do mercado. Enquanto saía, percebi que ela estava pagando por suas compras. Sem pensar 2 vezes, lembrei que o mercado vendia flores. Peguei o primeiro buquê que vi, “furei” o caixa de quem compra menos de 15 volumes, e ainda consegui encontrar com a senhora na saída.

– São para a senhora. Posso ser menos educado que seu filho, mas tenha certeza que as ofereço de coração e em nome dele se Deus assim permitir. Aceite minhas mais sinceras desculpas.
– Gustavo era o nome dele. Muito obrigado, meu filho!

Nos abraçamos. Eu chorei. Ela chorou. Ao fundo, ouço a voz de um dos funcionários do mercado.

– Tá doido para comer a velha! Ela deve ter dinheiro!

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